
A rotina da população de São Gabriel da Cachoeira, a 852 quilômetros de Manaus, foi severamente alterada nos primeiros meses de 2026. Uma sucessão de apagões e semanas de racionamento forçado comprometeram serviços vitais, motivando uma reação firme das instituições de controle. A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) ingressaram com uma ação civil pública para garantir que o fornecimento de energia seja restabelecido com qualidade.
O problema central reside na usina termoelétrica local. Entre janeiro e março, falhas críticas em geradores e em um transformador principal expuseram a fragilidade da manutenção. O resultado foi um efeito dominó que atingiu desde a economia local até a preservação de vidas.
Prejuízos acumulados
As interrupções frequentes não causaram apenas desconforto térmico, mas geraram perdas materiais e riscos sanitários. A atuação da Defensoria Pública baseou-se em relatos contundentes da comunidade.
Os danos mais graves identificados foram os seguintes:
- Saúde em risco com o comprometimento do funcionamento de unidades básicas e hospitais.
- Desperdício de insumos com a perda de medicamentos e alimentos que exigem refrigeração constante.
- Isolamento digital devido às falhas na comunicação que dificultaram o contato em áreas afastadas.
- Insegurança jurídica e econômica com prejuízos diretos no acesso a serviços públicos essenciais.
“Os relatos demonstram que a população foi diretamente afetada com prejuízos no acesso a serviços essenciais. É preciso uma resposta rápida e eficaz por parte dos responsáveis”, destacou o defensor público.
Voz à população
Como parte do processo judicial, o Ginásio Arnaldo Coimbra sediou uma audiência pública que reuniu moradores e representantes das empresas responsáveis pela energia. O encontro foi descrito como um marco no sistema multiportas da justiça, permitindo que os cidadãos expressassem diretamente suas queixas aos responsáveis.
Para Marcelo Barbosa, a audiência foi o momento de humanizar o processo jurídico.
“Foi um momento importante, dentro do processo civil democrático, no chamado sistema multiportas, onde se pôde dar voz à população de São Gabriel da Cachoeira. Os principais atores puderam, de forma oficial e empática, ouvir queixas, demandas e percepções relacionadas à geração e distribuição de energia no município”, explicou o defensor.
Subaproveitamento solar
Um dado alarmante surgiu durante os debates técnicos, a energia solar no município opera muito abaixo do esperado. Mesmo com o aumento da demanda e a crise nas máquinas térmicas, o sistema fotovoltaico está operando com apenas 20% da sua capacidade instalada desde dezembro de 2025.
Esse desperdício de potencial limpo é um dos entraves que a ação civil pública pretende resolver, buscando uma matriz mais estável para o interior. O processo segue em tramitação, agora alimentado pelas provas e depoimentos colhidos durante a audiência pública, visando uma solução definitiva que livre São Gabriel da Cachoeira da dependência de equipamentos sucateados.
ASCOM: Aline Ferreira/DPE-AM










