
Caso alguém ainda tenha dúvida sobre quem é o nome do PL para o Governo do Amazonas, evento desta quinta-feira (26/2) em Brasília tratou de carimbar com tinta permanente: Maria do Carmo Seffair está oficialmente no centro do tabuleiro.
No evento da cúpula do partido com o senador Flávio Bolsonaro, o recado foi dado pelos direitistas: a pré-candidatura de Maria do Carmo não é balão de ensaio — é projeto. E com planejamento antecipado, foto oficial e direito a legenda estratégica no Instagram: “Vem coisa boa por aí”.
Maria pontificou ao lado das principais peças do PL no estado: o presidente estadual Alfredo Nascimento, o deputado federal Capitão Alberto Neto, o vereador Tenente Salazar, além de outras lideranças.
Enquanto outros grupos ainda medem temperatura e testam alianças, Maria do Carmo já posa na cabeceira da mesa. E em política, quem senta na ponta não está pedindo licença, mas organizando o jogo.
A ponte que caiu no meio do rio
O que já era ruído virou terremoto na relação entre o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e o vice-governador Tadeu de Souza (PP). O pedido de exoneração de Gedeão Amorim não foi um simples ato administrativo, mas o último tijolo arrancado da ponte que ainda ligava os dois grupos.
Sogro de Tadeu, Gedeão era o elo político remanescente entre Prefeitura e Vice-Governadoria. Sua saída da estrutura municipal não foi coincidência. Foi aviso prévio. E daqueles que não deixam margem para reconciliação.
Nos bastidores, o clima é de portas fechadas, telefones silenciosos e aliados sendo gentilmente convidados a “buscar novos ares”. Outros nomes ligados ao vice-governador também perderam espaço na administração municipal.
Culpa de Wilson Lima

A crise entre David e Tadeu começou a ferver quando o vice-governador trocou o nanico Avante pelo PP, aproximando-se do grupo do governador Wilson Lima. Ali deixou de ser aliado preferencial para virar peça de outro tabuleiro.
Na política amazonense, isso equivale a mudar de família em pleno jantar de domingo.
Hoje, David e Tadeu não dividem mais projeto, partido nem horizonte eleitoral. O que restou foi o silêncio público e o barulho ensurdecedor das exonerações.
Governador entra no octógono
Se ainda havia dúvida sobre o rompimento, o governador Wilson Lima tratou de jogar luz no cenário. Ao reagir às críticas do prefeito contra a Polícia Civil e o Judiciário após a “Operação Erga Omnes”, Lima foi direto ao ponto: “Quem estiver incomodado, que procure a Justiça”.
Sem citar nomes, mas com endereço certo, o recado isolou politicamente David Almeida. Ao classificar como “inadmissíveis” os ataques às instituições, o governador vestiu a toga institucional e deixou o prefeito sozinho no ringue.
Enquanto David tenta transformar investigação em perseguição política, o Palácio reforça a blindagem da polícia e do Judiciário. Wilson não é besta, mantém-se como defensor da ordem e deixa o desgaste correr solto no outro lado da praça.
A verdade é que o afastamento entre prefeito e vice já era fato. Agora, virou trincheira pública.
Habeas corpus que deu meia-volta
No auge da tensão pré-eleitoral em Manaus, um grupo ligado ao prefeito David Almeida entrou com pedido de habeas corpus preventivo. Entre os nomes, o vice-prefeito Renato Júnior, a primeira-dama Izabelle Almeida e familiares de David Almeida.
Todos estavam com receio de medidas cautelares após depoimentos na “Operação Erga Omnes”. O detalhe curioso é que pediram liminar urgente, mas desistiram antes mesmo de o caso ser analisado.
A homologação da desistência foi feita pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas. Em bom português: acionaram o freio de mão antes da curva.
Aterro, embargo e um freio judicial

O desembargador Paulo Cesar Caminha e Lima decidiu manter a paralisação das obras do aterro sanitário de Iranduba, município da Região Metropolitana de Manaus.
A decisão, no âmbito do TJAM, atendeu recurso do Ministério Público e restabeleceu o embargo da obra da empresa Norte Ambiental.
O ponto central foi técnico, mas com impacto político: a empresa apresentou uma declaração municipal de 2018 quando a legislação exige uma certidão formal de viabilidade. Para o magistrado, declaração não é certidão. E, em matéria ambiental, prevalece o princípio da precaução.
Resultado: obras paradas, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) intimado a apresentar o processo completo e mais um capítulo judicial movimentando o cenário político regional.
“Modo descanso” de Saullo não colou
O secretário da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SEMASC), Saullo Vianna, está pagando caro pelo modo “descanso espiritual” justo no dia do pré-lançamento da candidatura de David Almeida ao Governo do Estado.
Segundo a assessoria, Saullo estava de férias. E, como todo cidadão exausto, resolveu relaxar cumprindo agenda política no Careiro ao lado de Eduardo Braga. Nada mais terapêutico do que uma boa articulação eleitoral para aliviar o estresse.
Só que Saullo é aliado declarado de Omar Aziz (PSD), justamente o principal adversário de David na corrida pelo governo. E enquanto o prefeito reunia apoiadores e fazia discurso festivo, seu secretário estratégico da Assistência Social praticava o distanciamento político, uma velha técnica avançada que consiste em não aparecer na foto errada.
Com David em fúria, Saullo está sendo obrigado a deixar a sua pasta. Dizem que ele já estava esperando o pior, e sai aliviado.










