
A destinação de aparelhos velhos e sem uso ganha uma resposta institucional na capital amazonense. Nesta segunda-feira, 31 de agosto, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), deu início à implantação de 62 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) voltados ao recolhimento de resíduos eletroeletrônicos em todas as zonas urbanas.
A medida coincidiu com a formalização do Termo de Cooperação Técnica firmado entre o órgão municipal e a Circular Brain, empresa tecnológica criadora do programa “Circulare”, focado na logística reversa de eletrônicos.
A iniciativa reflete um movimento necessário para um município com vasto território e grande atividade industrial. O acordo foi assinado por Lucas Marçal, subsecretário de Gestão da Semulsp, e por Marcus William Oliveira, fundador da Circular Brain. Trata-se da expansão de um trabalho iniciado em fevereiro, quando ocorreu o evento “Dia de Detox de Eletrônicos — Manaus + Circulare” no Ecoponto Zona Sul, localizado no bairro Educandos.
A nova rede
Os novos coletores já começaram a ser fixados e serão distribuídos estrategicamente pela cidade. As estruturas ficarão em pontos como a sede da Prefeitura de Manaus, o prédio da Semulsp, secretarias municipais, ecopontos, universidades e redes de supermercados, além de locais com elevado tráfego de pessoas.
A meta estabelecida é alcançar 62 locais de coleta em todas as zonas urbanas. Para facilitar a localização, a lista completa com os endereços dos eletropontos será publicada no portal oficial da Semulsp.
A iniciativa busca atacar um problema frequente nas residências, onde aparelhos obsoletos ficam esquecidos por anos ou acabam descartados na coleta convencional. Sobre esse cenário, o subsecretário de Gestão da Semulsp, Lucas Marçal, ressaltou a dimensão da cidade e do parque industrial local.
“Manaus é uma cidade muito grande, com um polo industrial importante, e percebemos a necessidade de avançar também na coleta de resíduos eletroeletrônicos. Serão 62 pontos distribuídos em todas as zonas da cidade, facilitando o acesso da população ao descarte correto desses materiais”, afirmou Lucas Marçal.
Itens permitidos
Para orientar os moradores, as próprias estruturas físicas dos coletores trazem instruções visuais sobre os equipamentos permitidos. A lista abrange diversos dispositivos do cotidiano:
- Computadores, notebooks, tablets e celulares.
- Televisores, monitores e carregadores.
- Pen drives, fios e cabos diversos.
- Escovas elétricas, mixers, secadores de cabelo e chapinhas.
- Brinquedos eletrônicos e outros pequenos eletrodomésticos fora de uso.
Coleta residencial
Um dos pontos operacionais relevantes da proposta atende quem possui volumes acumulados maiores. Quando o peso total do material ultrapassar 30 quilos, o cidadão não precisará transportar os equipamentos até um ponto de coleta. Bastará escanear o código de resposta rápida (QR Code) estampado no equipamento para solicitar o agendamento da retirada gratuita diretamente em sua residência.
O coordenador da Semulsp Ambiental, Luiz Paz, destacou o papel da medida no combate à poluição urbana e ao acúmulo desordenado de lixo.
“A partir de hoje, estamos implementando 62 Pontos de Entrega Voluntária, onde o cidadão poderá descartar resíduos eletroeletrônicos que, anteriormente, seriam destinados a lixeiras irregulares ou aterros sanitários. Agora, o cidadão tem a oportunidade de realizar esse descarte de maneira ecologicamente correta”, reforçou Luiz Paz.
Luiz Paz também chamou a atenção para a dimensão socioeconômica da proposta.
“Os materiais coletados serão destinados às cooperativas de catadores, gerando emprego, renda e dignidade para esses profissionais. Participe da coleta seletiva: esta é a forma correta e sustentável de descartar seus resíduos”, pontuou Luiz Paz.
Cadeia de valor
A articulação tecnológica desse arranjo fica sob responsabilidade da Circular Brain, criadora do “Circulare”. A plataforma conecta pontos de recolhimento, cooperativas de trabalhadores, empresas de reciclagem e o setor industrial. O objetivo é evitar o descarte final em aterros e permitir que peças e matérias-primas retornem para a cadeia produtiva como insumos.
O fundador da Circular Brain, Marcus William Oliveira, comentou sobre o valor de conter a poluição de mananciais e rios na região amazônica.
“A importância dessa parceria é trazer para Manaus e para o Amazonas soluções de coleta, processamento e destinação correta desses materiais, evitando que geladeira, lavadora ou um produto eletrônico sejam descartados de maneira inadequada na margem de um rio ou em outros locais impróprios”, salientou Marcus William Oliveira.
Marcus William Oliveira ressaltou ainda a busca por mudança cultural e de hábitos na sociedade.
“Também queremos conscientizar a população, disseminar conhecimento e fortalecer a educação ambiental, para gerar benefícios ao meio ambiente e, ao mesmo tempo, impactos sociais positivos, especialmente para as entidades e cooperativas que trabalham com reciclagem na região”, completou Marcus William Oliveira.
O impacto social
Na execução prática do processo, entidades comunitárias assumem papel central. A Eco Cooperativa é uma das organizações beneficiadas para receber o volume recolhido nos coletores. Os trabalhadores da entidade realizarão a triagem, a desmontagem e a separação técnica dos resíduos, atividade que gera renda direta em R$ para os cooperados.
A dirigente da Eco Cooperativa, Waldirene Santos, explicou que o manuseio adequado valoriza o produto no mercado de reciclagem.
“Além de garantir o descarte correto desse material, essa parceria também gera renda para nós, catadores, e para a nossa cooperativa. Quando o material chega, fazemos a triagem e a separação. Isso melhora o aproveitamento e também o valor desses materiais”, explicou Waldirene Santos.
Nas instalações da cooperativa, componentes valiosos como plástico, alumínio, cobre e baterias são segregados antes da comercialização. Waldirene Santos expressou a relevância do apoio institucional.
“Eu quero agradecer à Prefeitura de Manaus, que sempre foi nossa parceira. A entrega desses ecopontos vai ampliar ainda mais esse trabalho e ajudar a garantir o descarte correto dos resíduos. Nós sabemos o quanto o meio ambiente precisa desse cuidado. Essa iniciativa é muito importante para o meio ambiente e também para os catadores, porque contribui para a preservação da cidade e, ao mesmo tempo, gera oportunidade e renda para quem vive da reciclagem”, concluiu Waldirene Santos.
Desafios reais
A instalação dos 62 coletores representa um passo na infraestrutura ambiental de Manaus, criando uma ponte entre o cidadão, a tecnologia e os catadores de recicláveis. No entanto, a efetividade de um programa desse porte exige avaliação constante. Distribuir recipientes pela cidade é apenas a etapa inicial de uma logística complexa.
Em uma metrópole marcada por dimensões territoriais amplas e por históricos focos de descarte irregular em igarapés, a quantidade de 62 pontos precisará vir acompanhada de campanhas educativas permanentes, manutenção contra vandalismo e recolhimento ágil para evitar transbordamentos.
Sem o engajamento diário dos moradores e o fortalecimento financeiro contínuo em R$ para as cooperativas, a estrutura corre o risco de virar apenas peça estética na paisagem urbana. O tempo dirá se a conveniência dos pontos conseguirá consolidar uma verdadeira cultura de reciclagem.
Fonte: ASCOM | Dora Tupinambá/Semulsp










