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Interesse chinês em ferrovias brasileiras abre caminho para uma nova era da infraestrutura nacional

O anúncio de que o mercado internacional acompanha de perto o sistema de transporte sobre trilhos no Brasil traz um otimismo necessário, mas exige um olhar atento sobre a realidade dos prazos nacionais.

Em entrevista publicada pelo site Poder360 nesta quarta-feira (17/6), o governo federal detalhou os planos da nova carteira de projetos ferroviários, que vem atraindo o interesse de grandes corporações da Ásia e da Europa.

Embora a movimentação sinalize uma forte abertura de mercado, ela também joga luz sobre a dificuldade do Estado em cumprir os cronogramas que ele mesmo estipula.

A grande aposta do Ministério dos Transportes está no forte apetite dos grupos asiáticos. Uma comitiva brasileira que incluiu representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), da estatal Infra S.A. e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) esteve na China para abrir canais diretos com os tomadores de decisão de mais de dez grandes companhias de infraestrutura.

pós encontros preliminares nos últimos dois anos, a aproximação atual com os dirigentes máximos mostrou que os investidores estrangeiros possuem um nível profundo de conhecimento técnico sobre as propostas brasileiras.

Atração do capital chinês

O interesse estrangeiro não se divide apenas por concorrência generalizada, mas sim por uma divisão de focos de investimento.

“A gente tem empresa chinesa que gosta de um projeto, tem outra empresa chinesa que gosta de outro projeto. Não tem nenhum ativo nosso que vai a leilão que não tenha pelo menos 1 grupo chinês olhando. Em média, tem 2 grupos”, afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro, ao Poder360.

Essa articulação tenta resgatar a credibilidade de um setor que sofreu quedas nos últimos anos. A intenção do governo federal é fazer com que a concorrência empurre os lances para cima, garantindo investimentos de longo prazo.

Além dos grupos asiáticos, a consolidação de acordos econômicos internacionais abriu as portas para sondagens vindas do México, Itália, Espanha e Portugal, ampliando as possibilidades para as concessões.

A aproximação comercial entre o Mercosul e a União Europeia surge como um elemento facilitador, reduzindo tarifas e tornando a presença europeia competitiva no mercado nacional.

Cronograma em marcha lenta

O reverso dessa moeda é o recorrente atraso institucional. A meta inicial da pasta econômica previa o leilão de oito ferrovias ainda dentro do ano de 2026.

Contudo, até o momento, nenhum edital de licitação foi publicado de forma oficial. O cenário realista mostra que boa parte desses processos acabou empurrada para o próximo ano, restando a expectativa de viabilizar cinco projetos considerados prioritários no segundo semestre.

Para que esses certames saiam do papel e ganhem as vias públicas, os estudos dependem do aval de viabilidade técnica, econômica e socioambiental que tramita nas mesas de análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

Os projetos que aguardam essa liberação jurídica são os seguintes:

  • Corredor Minas-Rio: modelo estruturado para o transporte de cargas minerais de alta densidade.
  • Anel Ferroviário Sudeste: plano focado em destravar o fluxo econômico na região de maior movimento.
  • Ferrovia Malha Oeste: malha que necessita de investimentos urgentes para a modernização de sua estrutura.
  • Ferrogrão: via de grande importância para o escoamento da produção agrícola nacional.

Existe ainda um quinto empreendimento em debate, que trata da ampliação do “Corredor Leste-Oeste”, atualmente passando pelo rito de audiências públicas para recolher sugestões da sociedade civil e do empresariado. O governo trabalha com a meta de colocar todos os editais na rua ainda este ano, prevendo as primeiras publicações entre os meses de junho e julho.

Foco nas licenças ambientais

A grande inovação defendida pelo ministério para evitar que as ferrovias fiquem paradas na burocracia é a mudança no tratamento das questões ecológicas.

O erro histórico do planejamento brasileiro quase sempre envolveu desenhar traçados no mapa sem considerar o impacto real no chão de florestas ou comunidades tradicionais, gerando disputas judiciais intermináveis.

A estratégia atual foca em transferir a responsabilidade do licenciamento ambiental prévio para o próprio Estado, por meio do corpo técnico da Infra S.A., entregando o projeto ao investidor com os riscos jurídicos reduzidos.

Utilizando dados de monitoramento por satélite, os novos desenhos evitam sobreposições em áreas indígenas ou quilombolas.

Retirar essa incerteza do comprador privado é um passo importante, mas a eficiência dessa medida só será comprovada quando os trilhos finalmente começarem a ser assentados.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-infra/chineses-querem-todos-os-projetos-de-ferrovias-do-governo-diz-ministro/

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