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Acusado de espionagem, jornalista japonês é levado a Moscou após ser preso em Sacalina

O jornalista japonês Imai Yuki, de 34 anos e correspondente do jornal Hokkaido Shimbun, foi detido na ilha de Sacalina sob a acusação de espionagem. A informação foi confirmada pelo Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia.

Segundo os serviços secretos russos, o profissional recolhia e armazenava informações sobre a capacidade de defesa do país e sobre a quantidade de voluntários e mobilizados enviados para o conflito na Ucrânia, alegadamente com o objetivo de transmitir os dados para órgãos estrangeiros contra a segurança da Federação Russa.

O Centro de Relações Públicas do FSB divulgou as imagens gravadas no momento da detenção do repórter. Na gravação, agentes mascarados entram no quarto de hotel onde ele estava hospedado, colocam algemas no suspeito deitado de bruços no chão e enunciam os motivos da prisão.

Na sequência, os oficiais realizam uma busca detalhada no local e escoltam o correspondente até a escada de embarque de uma aeronave. Durante a ação, um dos agentes afirma que o jornalista levantava dados sobre a incorporação de civis mobilizados e militares contratados nas ilhas Curilas.

Após ser detido em Sacalina, Imai Yuki foi transferido diretamente para a capital russa. O Tribunal de Lefortovo determinou a prisão preventiva do profissional por um período inicial de pelo menos dois meses em um centro de detenção.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia informou a abertura formal de um processo criminal enquadrado no artigo 276 do Código Penal russo, relativo ao crime de espionagem.

O julgamento do correspondente está agendado para iniciar no dia 12 de dezembro, e a legislação local prevê penas que variam entre 10 e 20 anos de reclusão.

A trajetória de Yuki

O repórter possui credenciamento oficial emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia e viaja ao país pelo menos desde 2014. No verão deste ano, o jornalista participou de uma expedição na região de Primorie em locais onde funcionavam centros de detenção de soldados japoneses prisioneiros durante a guerra soviético japonesa de 1945.

Em setembro, ele produzia uma matéria para o Hokkaido Shimbun sobre a inauguração de um monumento em Khabarovsk em homenagem à vitória na Grande Guerra Patriótica sobre o Japão militarista. A última reportagem publicada por ele saiu em outubro, focada na presença de norte coreanos na região.

O veículo em que atua é um dos principais diários do Japão, cobrindo com frequência os cenários em Sacalina, nas ilhas Curilas e as relações com a Coreia do Norte.

Casos anteriores de prisão

Esta é a primeira detenção de um funcionário de veículo de comunicação estrangeiro na Rússia desde 2024. Naquele ano, durante uma troca internacional de prisioneiros entre a Rússia e os Estados Unidos, ocorreu a libertação do repórter norte americano Evan Gershkovich, do jornal The Wall Street Journal, que havia sido condenado a 16 anos de prisão sob a mesma acusação.

Em 2019, as forças de segurança russas já haviam detido em Vladivostoque um repórter da agência de notícias Kyodo News, acusado de atividades de informação e ordenado a deixar o território russo em até 72 horas.

Tóquio exige explicações imediatas

O governo do Japão cobrou explicações oficiais de Moscou sobre os motivos e as circunstâncias da prisão de Imai Yuki. O secretário geral do gabinete de ministros, Minoru Kihara, informou que o país não conseguiu contato com o profissional e não sabia docorrido até a divulgação oficial do FSB. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Toshimitsu Motegi, afirmou que:

“A embaixada do Japão em Moscovo e o consulado geral em Iujno Sakhalinsk dirigiram se às autoridades russas com a exigência de que forneçam de imediato informação e garantam um tratamento humano, justo e imparcial.”

O governo japonês planeja convocar o embaixador russo Nikolai Nozdrev para apresentar protesto formal e exigir a libertação do repórter.

Desgaste das relações diplomáticas

O caso acontece em meio à histórica disputa territorial sobre a soberania das ilhas Curilas, impasse que impediu a assinatura de um tratado formal de paz entre Rússia e Japão após a Segunda Guerra Mundial. O Japão aderiu às sanções aplicadas contra o governo russo a partir de 2022 devido ao conflito na Ucrânia.

Em agosto deste ano, o presidente Vladimir Putin visitou pela primeira vez a região disputada, gerando um protesto firme por parte de Tóquio. Além disso, a Procuradoria Geral da Rússia solicitou aos Países Baixos a extradição da presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), a japonesa Tomoko Akane, pedido considerado inaceitável e injusto pelas autoridades do Japão.

Fonte: https://pt.euronews.com/2026/10/14/russia-detem-jornalista-japones-por-alegada-espionagem

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