
O que parecia um caminho sem volta para a logística da nossa região acaba de sofrer um desvio brusco. A edição deste dia (24/02) do Diário Oficial da União (DOU) publicou o “Decreto n° 12.856”, um documento que, na prática, coloca na gaveta os planos de entregar os nossos rios para a iniciativa privada. A medida suspende os estudos de concessão das hidrovias dos rios Tapajós, Tocantins e do nosso gigante Madeira, atendendo a uma pressão que subiu o tom nos últimos dias.
Recuo oficial
A decisão de anular os efeitos do antigo “Decreto n° 12.600” foi um movimento estratégico anunciado por Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência (SGP), e Sônia Guajajara, ministra do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). O governo sentiu o peso das críticas e resolveu recuar de uma decisão própria. Segundo Guilherme Boulos, este é um governo que tem compromisso com a escuta dos trabalhadores e não pretende passar por cima dos povos originários para garantir obras de infraestrutura.
Escuta necessária
O foco principal desse recuo está no Baixo Tapajós. As comunidades que vivem próximas a Santarém, no oeste do Pará, foram as vozes mais altas contra o projeto. Elas alegam que transformar os rios em rodovias privatizadas poderia limitar o acesso de quem sempre viveu nas margens e depende da pesca para sobreviver. A “escuta” citada pelo ministro parece ter sido forçada pela realidade das manifestações que tomaram conta da região e das capitais.
Força indígena
A suspensão do projeto não foi um ato de bondade, mas sim o resultado de uma mobilização que parou setores do agronegócio.
- Manifestações: os indígenas ocuparam o escritório da multinacional Cargill no Porto de Santarém, travando operações importantes.
- Ocupações: grupos permaneceram acampados por dias em Brasília (DF) e em São Paulo (SP) para garantir que o decreto fosse revogado.
- Resistência: o grito de “não aceitamos ceder a nossa terra” ecoou forte, mostrando que o desenvolvimento econômico na Amazônia precisa de um novo modelo de conversa.
- Impacto: com a canetada de hoje, o governo admite que o projeto anterior ignorava a realidade de quem protege a floresta.
Fique por dentro
A suspensão dos estudos para a privatização das hidrovias amazônicas representa uma mudança de postura significativa do Governo Federal em 2026. Ao priorizar o diálogo com os povos indígenas em detrimento da pressa do agronegócio, o Planalto tenta evitar conflitos maiores em um ano de decisões ambientais críticas. Para o leitor, fica o alerta: o futuro do transporte nos nossos rios ainda é incerto, mas agora a voz da floresta tem o mesmo peso que a do mercado.










