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Filme sobre Jair Bolsonaro pode se tornar a produção mais cara da história do cinema brasileiro

O ator Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro no filme "Dark Horse" - Foto: Andrew Gombert / EFE

A revelação de bastidores financeiros envolvendo figuras do alto escalão político e o mercado financeiro balançou o cenário cultural e jurídico do país.

Mensagens vazadas expõem uma articulação para subsidiar uma superprodução cinematográfica internacional, levantando questionamentos sobre os limites das relações entre parlamentares e grandes banqueiros.

O caso joga luz sobre os custos astronômicos de uma obra biográfica e acende o debate sobre a transparência no financiamento privado de projetos ligados a personalidades públicas.

As mensagens vazadas

Uma cobrança direta para o pagamento de dívidas de produção veio a público por meio de uma troca de mensagens divulgada pelo site Intercept. Nas conversas, o senador Flávio Bolsonaro cobra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para que o então dono do Banco Master arcasse com os custos do filme Dark Horse.

A cinebiografia foca na história do ex-presidente Jair Bolsonaro e traz como estrela principal o ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo” no ano de 2004. A previsão de estreia do longa-metragem está agendada para setembro de 2026.

De acordo com os dados revelados, o ex-banqueiro realizou o pagamento de pouco mais de R$ 61 milhões entre os meses de fevereiro e maio de 2025. O restante do montante planejado para completar o total de R$ 134 milhões não chegou a ser transferido devido aos desdobramentos da “Operação Compliance Zero”, que resultou na prisão do empresário.

“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou Flávio Bolsonaro em nota oficial divulgada logo após o vazamento.

O senador também publicou um vídeo onde não negou os valores citados e defendeu que inexiste qualquer irregularidade na captação de recursos privados para uma obra cinematográfica independente.

Por outro lado, a GOUP Entertainment, empresa com sede nos Estados Unidos (EUA) responsável pela produção do longa e que pertence à brasileira Karina Ferreira da Gama, nega categoricamente ter recebido qualquer tipo de recurso financeiro vindo de Vorcaro ou do Banco Master.

O recorde histórico

Caso os valores de R$ 134 milhões sejam integralmente confirmados, a obra biográfica produzida parcialmente nos EUA se tornará, de forma isolada, o filme mais caro de toda a história do cinema no Brasil.

O valor estimado supera com larga vantagem os orçamentos de grandes clássicos nacionais e produções recentes que alcançaram prestígio internacional ou venceram premiações expressivas.

As grandes produções

Para compreender a dimensão desse orçamento, vale analisar o ranking das produções brasileiras mais caras de todos os tempos e seus respectivos contextos técnicos.

  1. Amazônia, Planeta Verde: custou R$ 22 milhões em 2013, o que representa R$ 61,5 milhões em valores corrigidos atuais. A coprodução em 3D filmada na Região Amazônica em parceria com a França foi liderada por Fabiano Gullane, da Gullane Filmes, e Stéphane Millière, da produtora francesa Gédéon, apresentando apenas personagens animais com um macaco-prego sobrevivente como protagonista.
  2. Ainda Estou Aqui: contou com um orçamento expressivo de R$ 45 milhões. Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello, o longa retrata a história autobiográfica de Marcelo Rubens Paiva com foco em sua mãe Eunice Paiva, advogada que se tornou ativista política após o desaparecimento do marido, faturando o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e dois prêmios Globo de Ouro de Melhor Filme em língua estrangeira e Melhor Atriz em Drama.
  3. Cidade de Deus: teve orçamento de US$ 3,3 milhões na época, alcançando US$ 6 milhões atualmente, o que equivale a aproximadamente R$ 30 milhões. A obra dirigida por Fernando Meirelles retrata o crime organizado na favela carioca sob a ótica de Buscapé, personagem que cresceu em ambiente violento e passa de trombadinha a um dos líderes locais do tráfico de drogas, conquistando quatro indicações ao Oscar nas categorias de melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor fotografia.
  4. Corrida dos Bichos: possui uma verba de R$ 28 milhões e tem estreia prevista para 2026 na plataforma Amazon Prime Video. A ficção científica ambientada em um Rio de Janeiro distópico onde o mar secou mostra o avanço do Jogo do Bicho para uma disputa violenta entre corredores que dão pessoas amadas como garantia sob a direção de Fernando Meirelles, Rodrigo Pesavento e Ernesto Solise, contando com Rodrigo Santoro, Isis Valverde, Bruno Gagliasso, Grazi Massafera, Seu Jorge e Leandro Firmino no elenco.
  5. O Agente Secreto: recebeu um aporte de R$ 28 milhões para a sua produção. Com direção de Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, o suspense ambientado no Recife dos anos 70 acompanha a fuga de um professor universitário perseguido por assassinos de aluguel e recebeu indicações ao Oscar em categorias como Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Elenco, sem vencer estatuetas.
  6. Central do Brasil: demandou cerca de US$ 2,2 milhões em 1998, alcançando US$ 4,4 milhões em maio de 2026, o equivalente a cerca de R$ 22,1 milhões. O clássico de Walter Salles estrelado por Fernanda Montenegro conquistou três indicações ao Oscar, incluindo melhor atriz, ao narrar a jornada de Dora, uma professora aposentada que trabalha escrevendo cartas, ajudando o menino Josué a localizar o pai após a morte da mãe por atropelamento.

Os dados evidenciam que o patamar financeiro pretendido pela nova cinebiografia está completamente fora da curva histórica do mercado audiovisual brasileiro, transformando os bastidores dessa produção em um verdadeiro cabo de guerra entre narrativas políticas e investigações financeiras.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/filme-bolsonaro-mais-caro-feito-brasil/?ref=veja-tambem

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