
As ruas do Centro de Manaus ganham um palco ao ar livre no dia 31 de agosto de 2026, às 15h, com a estreia de “Ajuricaba-Me”, novo trabalho do grupo Processo Natimorto. A apresentação ocorre no formato de teatro de rua, com concentração inicial na parada de ônibus situada na Avenida Epaminondas, em frente ao Colégio Militar, e segue em caminhada performática até a Praça da Matriz.
Inspirado na liderança indígena do povo Manaú que combateu a colonização portuguesa na Região Amazônica durante o século XVIII, o projeto examina temas como liberdade, território, coletividade e o sentido da existência. A montagem promove o encontro entre a memória ancestral do território e a dinâmica da capital amazonense no presente, utilizando o espaço urbano como ambiente de pesquisa, criação e exibição.
Trilogia no teatro
A obra “Ajuricaba-Me” representa o terceiro capítulo de uma trilogia iniciada pelo grupo Processo Natimorto em 2018. O percurso artístico começou com “Tartufo-Me”, baseado na dramaturgia de Molière, e teve continuidade em 2025 com “Hamlet-Me”, inspirado no texto de William Shakespeare. Na etapa atual, o coletivo volta o olhar para a história regional, investigando as conexões entre corpo, memória e convivência comunitária.
O idealizador Dimas Mendonça explicou que a trajetória reflete a evolução da experiência humana ao longo dos espetáculos.
“O Processo Natimorto chega a Ajuricaba-Me como a terceira etapa de uma pesquisa sobre diferentes estados da experiência humana. Em Tartufo-Me, partimos da máscara, da aparência e da superficialidade. Em Hamlet-Me, atravessamos a dúvida, o medo, o questionamento e a sensação de imobilidade. Com Ajuricaba-Me, buscamos um movimento de superação desses estados: voltar ao centro, ao corpo e à relação com o mundo”, afirmou Dimas Mendonça.
Memória e resistência
A escolha da figura histórica fundamenta a ligação da obra com a geografia local. O texto traz como referência a peça “A Paixão de Ajuricaba”, do escritor e dramaturgo amazonense Márcio Souza. “Ajuricaba é, ao mesmo tempo, uma figura ligada à história do território onde vivemos e um símbolo de resistência. Sua trajetória nos coloca diante de questões como liberdade, território, coletividade e respeito à vida”, destacou o idealizador.
A ocupação do espaço público fortalece a relação entre a manifestação artística e os moradores da cidade.
“Levar Ajuricaba-Me para as ruas do Centro de Manaus é tornar esse encontro concreto: tirar Ajuricaba dos livros, dos nomes de ruas e de uma memória distante e colocá-lo novamente em contato com a cidade e com as pessoas”, pontuou Dimas Mendonça.
Em vez de limitar-se a uma biografia linear, a encenação propõe provocar reflexões no público contemporâneo, integrado ao cenário urbano durante o trajeto pelas vias históricas.
“É perguntar, através do teatro, se depois da máscara, da dúvida e do medo é possível reencontrar o centro e reconhecer que fazemos parte de tudo aquilo que nos cerca”, concluiu o idealizador Dimas Mendonça.
Detalhes do espetáculo
A ficha técnica do espetáculo é composta pelos seguintes profissionais e parceiros:
- Idealização e apoio técnico: Dimas Mendonça
- Atuação: Chico Kaboco, André Cavalcante e Elizete Tikuna
- Apoio institucional: Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado do Amazonas (SINTTEL) e Companhia de Teatro Vitória Régia
- Realização: Processo Natimorto
Acompanhe as informações gerais da apresentação pública:
- Espetáculo: “Ajuricaba-Me”
- Data do evento: 31 de agosto de 2026
- Horário de início: 15h
- Ponto de partida: Parada de ônibus da Avenida Epaminondas, em frente ao Colégio Militar, no Centro de Manaus
- Percurso: Avenida Epaminondas até a Praça da Matriz
- Programação futura: As próximas datas das apresentações serão informadas no perfil oficial do grupo nas redes sociais (@processonatimorto)
ASCOM: Maria Fernanda Carmim










