
O cenário educacional em Manaus ganha um fôlego novo quando as barreiras entre a teoria e a prática são derrubadas. Nesta quinta-feira, 16 de abril, a Escola Estadual (EE) Ruy Araújo, no bairro Cachoeirinha, transformou suas salas de aula em um laboratório vivo de experiências.
A “Feira de Humanas e Linguagens” não foi apenas um evento de calendário, mas um exemplo prático de como a aprendizagem ativa consegue resgatar o interesse de jovens que, muitas vezes, não se veem representados no formato tradicional de ensino.
Prática contra o desinteresse
A iniciativa liderada pelo professor de Geografia, Dilson Gomes, foca em um ponto nevrálgico da educação atual que é o engajamento. Ao permitir que os alunos utilizassem objetos culturais de seu próprio interesse para explicar conceitos de ciências humanas, a escola valida a bagagem que o estudante traz de fora.
“Nós esperamos com isso que nós consigamos promover o engajamento dos estudantes, o protagonismo juvenil, a participação dos professores por meio da interdisciplinaridade”, destacou o professor Dilson Gomes.
Essa abordagem humanizada quebra a hierarquia rígida e coloca o aluno como o construtor do saber.

Conexão com o mundo real
A estrutura da feira foi dividida em 13 salas temáticas, onde a escolha dos assuntos partiu de votações democráticas dentro de cada turma. Essa liberdade de escolha é fundamental para que o aprendizado deixe de ser uma obrigação e se torne uma descoberta.
- Mitologia e cultura oriental: com foco em crenças chinesas e a febre dos desenhos japoneses.
- Nostalgia e música: explorando a estética da década de 1980 e a evolução dos gêneros musicais.
- Identidade regional: com destaque para a literatura amazonense, reforçando as raízes locais.
- Cultura pop: analisando o impacto social dos heróis de quadrinhos e filmes de terror no comportamento atual.
Formação de novas lideranças
Para os alunos da 3ª série, como Maria Luiza, o evento teve um peso emocional e profissional maior. No último ano da educação básica, a pressão pelo vestibular e pelo mercado de trabalho é constante, e atividades assim funcionam como um campo de teste para as chamadas soft skills.
“Eu agradeço muito a todos os professores por terem aberto esse espaço para a gente poder mostrar a nossa capacidade e a nossa criatividade, e isso agregou muito no trabalho em equipe e na liderança, porque eu me descobri uma ótima líder”, afirmou Maria Luiza.
O depoimento dela revela que o ganho da feira ultrapassa a nota no boletim.

Imersão e pensamento crítico
A aluna Mikaela Bulcão foi além e utilizou a caracterização de personagens de terror para criar um ambiente imersivo. Esse esforço estético, que poderia ser visto como mera brincadeira por olhos desatentos, é na verdade uma ferramenta poderosa de comunicação e contextualização.
Quando um estudante se esforça para criar uma experiência sensorial para o seu colega, ele está exercitando a empatia e a capacidade de síntese de informações.
Resposta aos desafios atuais
Em uma análise imparcial, é possível notar que projetos como esse são a resposta para a evasão escolar e para o desinteresse juvenil. A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, ao apoiar essas dinâmicas, permite que a escola pública se modernize sem perder a essência humanística.
O sucesso da “Feira de Humanas e Linguagens” na EE Ruy Araújo deixa uma lição clara para outras unidades de ensino. O aprendizado real acontece quando o estudante deixa de ser espectador e assume o papel de protagonista da sua própria história.










