
A mobilidade urbana nas grandes capitais exige respostas rápidas do poder público, especialmente quando acidentes interrompem estruturas vitais de travessia. Na zona Centro-Oeste de Manaus, a reconstrução da nova passarela Santos Dumont, localizada na avenida Torquato Tapajós, entrou em uma fase decisiva com os trabalhos de concretagem do tabuleiro superior.
A intervenção coordenada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (SEMINF) tenta devolver a segurança aos pedestres em um trecho que ficou desamparado após um grave sinistro, jogando luz sobre a demora estatal em resolver impasses provocados por empresas privadas.
O histórico do atraso
A antiga passarela foi completamente destruída após um caminhão de uma empresa privada colidir contra a estrutura metálica, inviabilizando o uso e obrigando os cidadãos a se arriscarem entre os veículos de alta velocidade.
O processo de reconstrução demonstrou a lentidão dos trâmites jurídicos e burocráticos para a responsabilização dos danos materiais causados ao patrimônio público. Somente após a superação dessas barreiras legais é que o município conseguiu iniciar de fato as obras no local.
O prefeito de Manaus, Renato Junior, acompanhou de perto a fiscalização noturna e relembrou o desgaste do episódio.
“Estamos aqui, em ritmo acelerado, na avenida Torquato Tapajós. Essa estrutura antiga foi derrubada após um sinistro em que um caminhão de uma empresa privada colidiu com a passarela. Após superarmos todos os trâmites jurídicos, entramos com tudo na reforma e reconstrução”, afirmou o chefe do executivo municipal ao identificar a origem do problema.
A engenharia preventiva
Diante do risco latente de novas colisões por veículos com excesso de altura, o projeto de engenharia precisou passar por modificações profundas para corrigir erros do passado. A reestruturação da passarela focou em mudanças geométricas significativas e na inclusão de elementos modernos de acessibilidade universal para os usuários.
- Ampliação do vão livre: a altura da estrutura foi elevada em um metro, saindo dos antigos 4,5 metros para atuais 5,5 metros de vão livre, reduzindo drasticamente as chances de novos impactos por caminhões.
- Acessibilidade total: o novo projeto prevê a instalação de poços para elevadores nos dois lados da avenida, garantindo o direito de ir e vir para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
- Segurança na travessia: as equipes iniciaram a confecção do guarda-corpo metálico ao longo dos 40 metros de extensão do tabuleiro para proteger os pedestres.
A logística noturna
Para viabilizar o lançamento de 18 metros cúbicos de concreto sem travar a principal artéria de tráfego da cidade, a prefeitura montou uma operação estratégica durante o período noturno. Agentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) deram suporte à sinalização e organizaram os desvios nos dois sentidos da via, minimizando o impacto para os condutores que utilizam a Torquato Tapajós diuturnamente.
O secretário municipal de Infraestrutura, Madson Rodrigues, reforçou que a celeridade e a qualidade técnica são metas obrigatórias da pasta para que o povo manauara recupere a fluidez no trânsito. A presença das frentes de trabalho na madrugada recebeu elogios de moradores como o motorista Osmar Batista, de 43 anos, que destacou a determinação dos servidores que atuam em horários alternativos para concluir o projeto.
A cobrança por agilidade
Embora a concretagem do tabuleiro aproxime a obra de sua fase final, a análise crítica aponta que a prefeitura precisa manter a pressão sobre as empreiteiras para evitar novos adiamentos na entrega dos elevadores e da sinalização definitiva.
A população da zona Centro-Oeste já enfrentou meses de isolamento e perigo na travessia da avenida devido à lentidão inicial provocada pelos embates na justiça contra a empresa causadora do acidente.
A entrega rápida e eficiente da passarela Santos Dumont não é apenas uma obrigação de infraestrutura, mas um dever humanizado com o cidadão que depende do transporte público e das calçadas para exercer sua cidadania com dignidade e segurança integral.
Fonte: ASCOM | Geraldo Farias/Semcom e Maria Amed/Seminf










