
Dados recentes divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) revelaram um cenário de alerta para a segurança pública estadual. Durante a sessão desta terça-feira (2/6), o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) analisou os indicadores do primeiro quadrimestre de 2026, destacando o crescimento expressivo de crimes violentos como feminicídio e latrocínio, mesmo diante da redução pontual de homicídios dolosos.
Para o parlamentar, que preside a Comissão de Segurança Pública, Acesso à Justiça e Defesa Social da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a queda isolada de homicídios não reflete uma melhora real na segurança. Pelo contrário, o deputado avalia que esses números podem esconder o fortalecimento de facções que impõem um controle territorial rigoroso nas comunidades.
Dominío de facções e violência
O parlamentar argumenta que a redução de conflitos armados entre grupos rivais pode ser interpretada como um efeito da “governança criminal”, onde organizações criminosas estabelecem regras e decidem sobre a vida nas regiões dominadas. Conforme afirmou o Comandante Dan, a simples redução dos homicídios não significa, necessariamente, uma redução da violência.
Segundo ele, em muitos casos, essa queda é consequência da consolidação do domínio territorial de uma facção criminosa, que passa a controlar conflitos, impor regras e reduzir disputas armadas, o que não representa paz social, mas sim o fortalecimento de uma governança paralela ao Estado.
Os números da SSP-AM confirmam a gravidade da situação em áreas específicas:
- Alta nos feminicídios: O índice de mulheres vítimas de crimes passionais e violência doméstica cresceu 166% entre janeiro e abril de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025.
- Latrocínios dobraram: Os registros de roubo seguido de morte apresentaram um aumento de 100%, indicando um nível mais alto de ousadia e periculosidade por parte dos criminosos nas ruas.
- Vulnerabilidade social: O avanço desses indicadores demonstra que os grupos mais frágeis da sociedade continuam sendo os principais alvos de um sistema de segurança que ainda não encontrou formas eficazes de proteção.
Presença permanente do Estado
Comandante Dan defende que a solução para a crise de segurança não reside apenas em ações repressivas momentâneas. O deputado enfatiza que a estratégia deve focar na ocupação permanente do território através de um conjunto de políticas públicas integradas que devolvam a soberania ao poder estatal.
O plano de ação sugerido pelo parlamentar inclui medidas estruturantes:
- Integração institucional: Alinhamento estratégico entre Governo Federal, Estado e prefeituras para combater organizações criminosas de forma articulada.
- Fortalecimento das fronteiras: Aumento do controle nas divisas do estado para impedir a entrada de armamento e entorpecentes que alimentam a governança criminosa.
- Valorização das forças: Investimento em inteligência policial, melhoria das condições de trabalho para os profissionais da área e expansão das Guardas Municipais sob o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
- Ação social de base: Implementação de serviços de saúde, educação e infraestrutura em comunidades vulneráveis, áreas que hoje são ocupadas pelo crime organizado por ausência do poder público.
Ao concluir sua análise, o parlamentar reforçou que a segurança pública não pode ser tratada apenas como um caso de polícia. Para o deputado, o controle territorial e a proteção efetiva das mulheres e das famílias amazonenses dependem de uma presença estatal que seja constante, sólida e capaz de oferecer alternativas reais de vida para quem vive nas comunidades mais afetadas pela violência.
Fonte: ASCOM










