Mundo Crise bancária derruba o presidente Santiago Peña no Paraguai

Crise bancária derruba o presidente Santiago Peña no Paraguai

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia ao cargo - Foto: EFE/ Juan Pablo Pino

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5/11. A decisão ocorreu após o avanço dos pedidos de impeachment motivados pela crise gerada pelo colapso do Ueno Bank, o maior banco digital do país. O grupo controlador da instituição financeira teve a participação do próprio Peña como sócio até março de 2025.

A carta de renúncia será submetida à análise do Congresso Nacional do Paraguai, cuja aprovação é necessária para efetivar a saída do chefe do Poder Executivo.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o mandatário paraguaio comunicou a saída do comando do governo.

“Caberá à história julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje vivemos. Tomei a decisão de apresentar a renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, disse Santiago Peña.

O ex-gestor também pediu desculpas aos cidadãos paraguaios em seu comunicado oficial.

“Estou convencido que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas se, em algum momento, falhei. Nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim. Cada dia assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje minha prioridade é uma só, a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias em nosso sistema financeiro. Por trás de cada depósito há anos de esforço, sacrifícios e projetos familiares. Meu maior desejo é que se garanta a devolução desses recursos e que o fundo de garantia de depósitos cumpra sua finalidade e que se protejam os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios”, acrescentou Santiago Peña.

Queda do banco digital

O Banco Central do Paraguai (BCP) ordenou no início da semana o processo de resolução e fechamento do Ueno Bank, uma instituição que contava com 2,9 milhões de clientes em uma nação de 6,1 milhões de habitantes. A fiscalização bancária detectou que o índice de solvência da empresa despencou para menos da metade do patamar mínimo exigido pela legislação local.

A crise colocou o governo sob forte pressão porque Santiago Peña foi sócio do Grupo Vázquez, conglomerado empresarial que controla o Ueno Bank, até março de 2025, período em que já exercia a presidência. Além disso, o ex-presidente do BCP, Carlos Carvallo, que renunciou ao cargo nesta mesma semana, atuou como diretor da Financiera Ueno, estrutura que deu origem ao banco sob intervenção.

Socorro aos correntistas

Segundo informações divulgadas pela agência EFE, Santiago Peña promulgou na quarta-feira, 4 de novembro, uma lei aprovada em tempo recorde pelo parlamento. O objetivo da legislação urgente é liberar, no prazo mínimo de 24 horas, os recursos financeiros retidos de milhares de clientes da instituição atingida. O trâmite em caráter de urgência permitiu autorizar o adiantamento de valores do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD).

Votação na Câmara

A Câmara dos Deputados realizou duas sessões extraordinárias nesta quinta-feira para analisar as propostas de impeachment contra Santiago Peña e contra o vice-presidente Pedro Alliana. Com o anúncio da renúncia de Peña, os parlamentares suspenderam temporariamente a tramitação do processo contra o presidente e passaram a debater a solicitação contra Alliana.

Por 48 votos contrários e 30 votos a favor, a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de impeachment do vice-presidente. Dessa forma, Pedro Alliana assume a presidência do país assim que o Congresso aceitar formalmente a renúncia de Peña.

Conforme informações veiculadas pelo jornal ABC, a Câmara dos Deputados aprovou em seguida, por unanimidade, a abertura do processo de impedimento contra Peña, encaminhando a denúncia ao Senado. O Congresso Nacional convocou uma sessão extraordinária bicameral a partir das 15h30 desta quinta-feira para tratar da carta de renúncia.

Bastidores do Partido Colorado

Santiago Peña havia tomado posse na presidência paraguaia em 15 de agosto de 2023, após vencer as eleições em abril daquele ano, com mandato previsto até 2028.

As duas propostas de impeachment associadas à crise do Ueno Bank haviam sido apresentadas por diferentes grupos de deputados. Antes do anúncio oficial da renúncia, o ex-presidente do país e atual presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), nome oficial do Partido Colorado, Horacio Cartes, padrinho político de Peña, declarou publicamente que apoiava o impeachment do mandatário.

Confira os detalhes centrais da crise política e financeira no país vizinho:

  • Renúncia de Santiago Peña apresentada ao Congresso Nacional em 5 de novembro.
  • Fechamento do Ueno Bank determinado pelo Banco Central do Paraguai (BCP) por queda severa de solvência.
  • Instituição digital com 2,9 milhões de clientes em um país de 6,1 milhões de habitantes.
  • Aprovação de lei emergencial para liberação rápida de depósitos pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD).
  • Rejeição do processo de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana por 48 votos a 30.
  • Perda de apoio do ex-presidente Horacio Cartes e da liderança da Associação Nacional Republicana (ANR).

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/santiago-pena-renuncia-a-presidencia-do-paraguai/

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