
A disputa entre a Rússia e a Ucrânia ganhou um capítulo pesado com novas explosões e cortes de luz dos dois lados da fronteira. Um bombardeio noturno em grande escala atingiu a refinaria de petróleo de Kstovo, chamada oficialmente de Lukoil-Nizhegorodnefteorgsintez, localizada na região de Nizhny Novgorod.
Canais de monitoramento no aplicativo Telegram confirmam que a unidade é uma das maiores de todo o território russo, fundamental para a fabricação de combustível de aviação e diesel.
As autoridades da Rússia informaram que uma empresa industrial da região virou alvo de aeronaves durante a madrugada. O governador regional Gleb Nikitin divulgou a informação na internet e confirmou que um ataque em massa com Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT) provocou estragos pesados em uma estrutura industrial instalada no distrito de Kstovsky.
O governador buscou acalmar os moradores ao apresentar os números da defesa.
“Mais de 100 drones foram destruídos”, escreveu o governador Gleb Nikitin ao garantir que não existiam vítimas registradas no local e que equipes de emergência começaram os trabalhos rapidamente.
Transtornos nos serviços básicos
Os estragos provocados no complexo industrial russo logo começaram a afetar a rotina dos moradores da região. O próprio governo de Nizhny Novgorod fez um alerta público sobre falhas no abastecimento de serviços essenciais enquanto as equipes fazem os reparos na rede.
“Enquanto decorrem os trabalhos de reposição, podem verificar-se cortes temporários de energia, bem como redução no fornecimento de água quente e aquecimento em certas secções das redes de serviços que abastecem edifícios residenciais”, afirmou o governador.
Para esclarecer o tamanho desse impacto na infraestrutura russa, quatro pontos ajudam a entender a situação.
- A refinaria de Kstovo pertence ao grupo Lukoil e responde pelo abastecimento de setores estratégicos do transporte e da aviação russa.
- Os cortes no fornecimento de água quente e aquecimento atingem diretamente os moradores em um período de frio intenso.
- O ataque em Nizhny Novgorod aconteceu poucos dias depois de um grande incêndio atingir outra refinaria russa na região de Samara.
- No caso de Samara, imagens publicadas nas redes sociais mostraram colunas gigantescas de fumaça preta cobrindo a paisagem após a explosão.
Pressão dos Estados Unidos
Essas ações contra o setor produtivo russo acontecem logo depois de notícias indicarem uma pausa nas investidas ucranianas. A paralisação temporária teria ocorrido por pressão direta de autoridades dos Estados Unidos da América (EUA). O governo americano demonstrou preocupação com a alta nos preços globais do diesel e buscou evitar maiores complicações enquanto tenta desviar atenções sobre o conflito no Irã.
Mesmo com os alertas americanos, os ucranianos voltaram a focar nas instalações estratégicas. Ao longo dos últimos meses, o país aumentou as investidas contra depósitos, terminais e refinarias para abalar a economia russa e enfraquecer o exército do Kremlin.
Apagão afeta famílias ucranianas

No lado ucraniano, a resposta russa veio com forte impacto sobre a rede elétrica. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, usou a rede social X no sábado para denunciar que cerca de 280 mil famílias ficaram totalmente no escuro após os bombardeios de sexta-feira à noite.
“Os ataques russos criaram uma situação difícil no fornecimento de eletricidade em todas as nossas regiões”, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky.
Segundo o líder ucraniano, os mísseis e bombas russas destruíram uma central de cogeração na capital Kiev e atingiram quatro subestações elétricas na região de Dnipro. Ao todo, 200 mil casas ficaram sem luz em Dnipro e arredores, enquanto mais de 80 mil moradores perderam a energia na região de Kiev. O cenário mostra como os serviços essenciais viraram o alvo principal dessa guerra.










