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Colapso de banco que atendia quase metade do Paraguai coloca governo de Santiago Peña sob pressão

Paraguaios pedem em protesto em o impeachment do presidente Santiago Peña - Foto: Juan Pablo Pino/EFE

A instabilidade política tomou conta do Paraguai após um escândalo financeiro gigantesco abalar a confiança dos trabalhadores e dos investidores no país vizinho. Nesta quinta-feira, 5/11, o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, convocou duas sessões extraordinárias decisivas para analisar pedidos de abertura de processos de impeachment contra o presidente do país, o conservador Santiago Peña, e o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana.

A crise envolve diretamente os desdobramentos da intervenção no Ueno Bank, instituição financeira na qual Santiago Peña atuou como sócio do Grupo Vázquez, conglomerado empresarial controlador do banco, até o mês de março de 2025.

De acordo com informações apuradas e divulgadas pelo jornal ABC, os debates na Casa Legislativa foram divididos em etapas.

A discussão sobre a denúncia apresentada contra Santiago Peña foi marcada para começar às 10 horas, enquanto a análise da peça que tem como alvo Pedro Alliana foi agendada para ocorrer logo na sequência.

As duas propostas de afastamento foram protocoladas por diversos deputados e encaminhadas formalmente para a apreciação da Comissão de Assuntos Constitucionais.

Lei emergencial aos poupadores

Tentando conter a insatisfação popular e o desespero de famílias que viram o dinheiro desaparecer das contas, o chefe do Executivo paraguaio buscou agir rapidamente.

Conforme informações divulgadas pela agência EFE, na quarta-feira, 4/11, Santiago Peña promulgou a Lei nº 7745, aprovada em tempo recorde pelo Congresso Nacional após trâmite de urgência na Câmara dos Deputados e no Senado, este último em um segundo debate realizado após a sessão de terça-feira, 3 de novembro de 2026.

A nova legislação autorizou o adiantamento de recursos do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) para garantir a liberação do dinheiro no prazo mínimo de 24 horas e no máximo de cinco dias úteis a contar da entrada em vigor da medida. Ao comunicar a decisão aos cidadãos, o governante se pronunciou publicamente.

“Promulguei a Lei nº 7745, que permitirá aos poupadores receber, no menor tempo possível, uma parte dos fundos de garantia, a fim de que os recursos retornem às mãos de quem de direito”, escreveu o presidente Santiago Peña em sua conta oficial na rede social X. Em outro trecho do pronunciamento, a liderança reforçou sua expectativa com o sistema financeiro. “Confio que o Banco Central do Paraguai implementará esta lei de imediato e agradeço ao Congresso Nacional pela condução responsável e comprometida”, acrescentou o presidente paraguaio.

Limites dos pagamentos liberados

A norma emergencial prevê que cada depositante receba o valor correspondente a até 40 salários mínimos mensais, o que equivale a 121,7 milhões de guaranis ou cerca de US$ 19 mil.

Essa liberação soma-se ao plano de ação anunciado na terça-feira pelo Banco Central do Paraguai (BCP), que acionou o Fundo de Garantia com cobertura legal de até 75 salários mínimos mensais, alcançando o limite de 228,3 milhões de guaranis por pessoa física ou jurídica, o equivalente a cerca de US$ 38 mil.

Para aliviar a corrida bancária imediata, a autoridade monetária informou que os clientes prejudicados receberão em breve uma primeira parcela de até 10 milhões de guaranis, equivalente a cerca de US$ 1,6 mil.

Tamanho do rombo financeiro

A dimensão do colapso do Ueno Bank assustou a população por conta da enorme presença da instituição na rotina do país. No início da semana, o BCP decretou a resolução e o fechamento da instituição bancária ao constatar que o seu índice de solvência havia despencado para menos da metade do mínimo exigido pela regulação. A gravidade da falha atinge quase metade dos habitantes do país vizinho, além de grandes corporações.

As informações mais marcantes sobre o alcance e as conexões do banco falido reúnem os fatos listados a seguir:

  • Base de clientes somando 2,9 milhões de pessoas em um país de 6,1 milhões de habitantes.
  • Queda do índice de solvência para menos da metade do limite mínimo de segurança.
  • Depósitos de somas milionárias pertencentes a grandes empresas do mercado local.
  • Patrocínio oficial a clubes tradicionais do futebol paraguaio e à etapa do Mundial de Rali da FIA.
  • Ligação direta com o presidente Santiago Peña, que foi sócio do Grupo Vázquez até março de 2025.

Troca no Banco Central

O escândalo provocou baixas imediatas na cúpula da economia paraguaia. Na quarta-feira, Santiago Peña indicou o economista e ex-ministro Raúl Vera Bogado para assumir o comando do Banco Central do Paraguai (BCP).

A nomeação ocorreu logo após a renúncia do então presidente do órgão emissor, Carlos Carvallo. O antigo gestor público havia assumido o BCP em 2023, vindo justamente da direção da Financiera Ueno, empresa que deu origem ao banco que agora sofreu a intervenção estatal.

A escolha de Raúl Vera Bogado precisará ser sabatinada e aprovada pelo Senado paraguaio para que a troca seja formalizada definitivamente.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/camara-paraguai-marca-sessoes-discutir-impeachment-pena-vice/

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