
A 321ª Reunião Ordinária do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (CODAM) consolidou um momento de expansão para a economia regional. Realizado no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o encontro aprovou 45 projetos industriais, somando investimentos superiores a R$ 1 bilhão e previsão inicial de 1.081 novos postos de trabalho. Ao considerar os empregos diretos, indiretos e a mão de obra remanejada, o impacto total alcança 1.355 ocupações criadas ou mantidas no Estado.
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Nelson Azevedo, ressaltou a relevância do conselho como espaço de integração entre o setor público e a iniciativa privada para impulsionar o mercado local. Segundo Azevedo, o ritmo de deliberações em 2026 reflete a confiança dos investidores na indústria amazonense.

“Os resultados desta reunião devem se traduzir em mais desenvolvimento, competitividade, geração de renda e prosperidade para o Amazonas”, afirmou o dirigente.
A sessão reuniu o governador do Amazonas, Roberto Cidade, o vice-governador Serafim Corrêa, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Gustavo Igrejas, além de lideranças empresariais, representantes dos trabalhadores e técnicos do setor produtivo.
Projetos aprovados
Do total de pautas validadas no encontro, 22 referem-se à implantação de novas plantas, 21 à diversificação de linhas de produção e duas à atualização tecnológica. A distribuição abrangeu 25 projetos voltados para bens finais e 20 para bens intermediários.
Entre os principais investimentos anunciados, destacam-se:
- TCL: aporte de R$ 651 milhões e criação de 256 empregos para a fabricação de telefones celulares e computadores portáteis.
- Multilaser: investimento de R$ 50 milhões e abertura de 105 postos de trabalho voltados à produção de componentes de cristal líquido.
- Zincofer: aporte de R$ 42 milhões com geração de 25 vagas de trabalho.
Com as novas deliberações, o CODAM atingiu a marca de 214 projetos aprovados em 2026, superando as 189 aprovações registradas no mesmo período do ano anterior. A meta do conselho é ultrapassar o patamar de 320 projetos validados em 2025.
Faturamento histórico
Os indicadores apresentados pelo secretário Gustavo Igrejas confirmam o ritmo acelerado da indústria local. Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) apontam que o Polo Industrial de Manaus (PIM) faturou US$ 23,5 bilhões entre janeiro e junho de 2026. O resultado representa uma alta de 20% em comparação ao mesmo período de 2025 e consolida o maior faturamento para um primeiro semestre em toda a história do polo.
No acumulado de janeiro a julho, a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Amazonas chegou a R$ 9,47 bilhões, mantendo estabilidade em relação ao ano anterior. Os setores de comércio e serviços responderam por 57,3% da arrecadação estadual, enquanto a indústria contribuiu com 43,7%.
O estoque total de investimentos no PIM atingiu aproximadamente US$ 11 bilhões, alcançando o nível mais alto já registrado na série histórica apresentada ao conselho.
Estrutura fabril
A composição do faturamento do PIM revela a predominância de segmentos tecnológicos e de bens de consumo duráveis. O setor eletroeletrônico, somado aos bens de informática, lidera com cerca de 38% de toda a receita do parque industrial.
A divisão do faturamento por segmento industrial apresenta os seguintes percentuais:
- Eletroeletrônico e Informática: 38,00%
- Duas Rodas: 19,76%
- Químico: 10,85%
- Termoplástico: 10,51%
- Metalúrgico: 8,77%
- Mecânico: 6,29%
Juntos, esses seis segmentos somam mais de 94% do faturamento global do PIM. Em relação aos produtos finais de maior representatividade financeira, destacam-se as motocicletas (16,3%), televisores LCD (10,2%), aparelhos de ar-condicionado split (5,5%), placas de circuito impresso para informática (6,0%), telefones celulares (6,6%) e concentrados (5,8%).
Mão de obra
O desempenho positivo do setor produtivo reflete-se na manutenção e expansão dos postos de trabalho. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) apresentados na reunião, o Amazonas contabiliza 575.359 empregos formais. O segmento de comércio e serviços absorve aproximadamente 68% desse contingente, enquanto a indústria responde diretamente por 25,16%.
Dentro do PIM, a média de trabalhadores em 2026 atingiu cerca de 131 mil pessoas, configurando o maior patamar médio da história do polo fabril.
A dinâmica operacional das fábricas exige integração com mercados externos e nacionais. Do volume total de insumos utilizados pelas indústrias de Manaus, 60% vêm do exterior. Os dados mais recentes apresentados no encontro indicam que os insumos nacionais respondem por 22% do abastecimento, enquanto os insumos regionais representam 17%.
Na destinação final das mercadorias produzidas no PIM, 85% abastecem o mercado nacional, 13,5% suprem o mercado regional e 1,5% são voltados para a exportação.
Alerta logístico

Apesar dos recordes de produção, os gargalos logísticos gerados pela estiagem acenderam o sinal de alerta entre os conselheiros. O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (ELETROS) e membro do CODAM, Jorge Júnior, questionou os reajustes expressivos aplicados sobre o frete aquaviário durante a vazante dos rios.
De acordo com o dirigente, a chamada “taxa de pouca água” cobrada pelas companhias de navegação saltou de patamares históricos de US$ 400 a US$ 500 para valores que superam US$ 4.500 por contêiner, aproximando-se da marca de US$ 5 mil.
Jorge Júnior cobrou transparência técnica na formação dos preços.
“Se tiver justificativa, ok. Mas por que uma cobrança sai de 500 dólares para quase 5 mil dólares?”, questionou o empresário durante a deliberação.
O representante enfatizou que a seca deixou de ser uma ocorrência esporádica e exige ações permanentes, como a dragagem contínua e a sinalização perene dos canais de navegação, em vez de intervenções emergenciais.
Ação regulatória
A preocupação com o aumento do frete foi reforçada pelo presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro. O dirigente informou que a entidade formalizou um pedido de esclarecimentos junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) para apurar a legalidade, o fato gerador e os critérios de cálculo da taxa adicional.
A ACA tem mantido reuniões de trabalho com o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM), Ministério Público Estadual, Marinha do Brasil, Associação dos Armadores e representantes dos praticantes de navegação para contornar o problema.
O setor produtivo argumenta que os aumentos do transporte não podem ser absorvidos pelas empresas sem impactar o consumidor final. O vice-governador Serafim Corrêa alertou que a tarifa extra de US$ 5 mil por contêiner ameaça inviabilizar operações comerciais e pode desencadear riscos de desabastecimento na região.
Como resposta imediata às dificuldades de navegação, Serafim informou que uma draga foi deslocada para o município de Itacoatiara para dar início aos serviços de desassoreamento. Caso o nível das águas continue caindo, a gestão estadual prevê a instalação de estruturas portuárias provisórias para realizar o transbordo de cargas.
Rodovia e competitividade
As dificuldades no transporte fluvial reabriram o debate sobre a infraestrutura terrestre. Jorge Júnior defendeu a repavimentação da BR-319 como uma alternativa logística estratégica para reduzir a vulnerabilidade do Estado durante as secas prolongadas.
O dirigente sugeriu que o CODAM passe a atuar de forma mais abrangente, transformando-se em um fórum permanente sobre a competitividade do Amazonas. A proposta prevê debates periódicos sobre gargalos estruturais reunindo indústria, comércio, serviços e poder público.
Durante o encontro, foi destacado que o Amazonas subiu três posições no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), passando do 17º para o 14º lugar nacional.
Avanço social
No encerramento da reunião, o governador Roberto Cidade ressaltou o empenho da administração estadual em simplificar processos burocráticos e atrair novos investimentos para a região. Cidade defendeu a diversificação da matriz econômica do Amazonas por meio de investimentos na extração de potássio, terras raras e exploração de gás natural.
O governador apontou a necessidade de planejar a expansão territorial do PIM para comportar o crescimento previsto até o ano de 2073, limite temporal garantido pela Constituição para os incentivos da Zona Franca de Manaus.
Por fim, Roberto Cidade associou o desempenho do polo fabril à melhoria dos indicadores sociais no Estado. Dados apresentados pelo governo indicam uma redução de 15% nos índices de pobreza e de 6% na extrema pobreza no Amazonas, resultado atribuído ao fortalecimento da Zona Franca e à execução de programas estaduais de desenvolvimento social.
Fonte: ASCOM










