Infantil Campanha contra violência infantojuvenil chega às comunidades agrícolas de Manaus

Campanha contra violência infantojuvenil chega às comunidades agrícolas de Manaus

Foto: Antonio Pereira/Semcom

O isolamento geográfico da zona rural não pode significar o isolamento dos direitos sociais. Nesta terça-feira, 19 de maio, a Prefeitura de Manaus direcionou as ações do “Dia D” da campanha “Maio Laranja” para a rodovia AM-010, concentrando os trabalhos de conscientização na Escola Municipal Abílio Alencar.

A iniciativa ataca diretamente uma das realidades mais complexas da região, que é garantir que a informação e a rede de proteção alcancem com a mesma eficiência as famílias que vivem afastadas do perímetro urbano.

Promovida pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), a atividade adotou o tema “Infâncias e Adolescências Protegidas”.

O evento marca a mobilização em alusão ao 18 de Maio, data nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Levar essa estrutura para o campo é uma decisão estratégica indispensável, visto que as barreiras de acesso aos órgãos de denúncia costumam ser maiores nessas localidades.

Os indicadores nacionais e locais justificam a urgência de manter o debate aquecido. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) revelam que o Disque 100 já contabilizou mais de 32 mil violações sexuais contra o público infantojuvenil nos primeiros meses de 2026.

Em Manaus, o cenário também exige vigilância extrema e ações coordenadas entre as pastas de assistência e educação.

Interiorização da proteção

A vulnerabilidade de crianças em áreas rurais muitas vezes é agravada pela falta de conhecimento sobre como identificar os sinais de abuso. O ambiente escolar se transforma, portanto, no principal filtro de segurança para esses estudantes.

Durante a programação na AM-010, equipes do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e do Conselho Tutelar realizaram dinâmicas lúdicas, rodas de conversa e atendimentos psicossociais.

“Participar de ações como essa mostra que a escola também tem papel fundamental no combate à violência contra crianças e adolescentes. É uma forma de orientar, proteger e conscientizar as novas gerações”, afirmou o secretário municipal de Educação, professor Arone Bentes, ao defender a presença ativa do poder público nas comunidades rurais.

Para os moradores locais, a chegada desse suporte gera um sentimento de amparo necessário. A clareza nas orientações permite que pais e responsáveis consigam monitorar melhor o cotidiano dos filhos.

“Essa ação leva informação aos jovens e aos pais, e é importante divulgar os canais de denúncia. Muitas vezes, ao se sentirem em situação de risco, eles já sabem como buscar ajuda. Precisamos proteger nossas crianças e nossos filhos. A comunidade fica muito agradecida”, declarou o morador Alcenir Alves, que acompanhou as atividades na escola.

Desafios da subnotificação

O grande gargalo no enfrentamento a esse tipo de crime continua sendo a subnotificação, problema que tende a ser mais acentuado fora dos grandes centros urbanos devido ao medo ou ao desconhecimento dos fluxos de denúncia. O fortalecimento da rede local busca dar ferramentas para que a sociedade civil atue como os olhos do poder público.

“Esse combate não deve ocorrer apenas durante o Maio Laranja. Vamos seguir com ações ao longo de todo o ano, em todas as zonas geográficas de Manaus, levando informação, orientação e fortalecendo a rede de proteção. Os dados são preocupantes, só o disk denúncia, foram mais de 300 registros apenas nos cinco primeiros meses deste ano. Mais do que nunca, precisamos combater essa violência contra nossas crianças e adolescentes”, destacou o secretário da Semasc, Wanderson Costa.

A promessa de continuidade das ações da prefeitura em outras zonas da cidade é o caminho correto para que a campanha não se resuma a um evento sazonal de calendário.

Canais para denúncia

A participação da população é fundamental para interromper ciclos de violência. O município e o governo federal disponibilizam ferramentas gratuitas e que garantem o total anonimato de quem fornece as informações:

  • Disque 100, canal nacional unificado para direitos humanos.
  • 0800 092 1407, linha direta local gerenciada pela Semasc.
  • 0800 092 6644, número alternativo para atendimento no município.

ASCOM: Lucas Batista/Semasc e Alexandre Abreu/Semed

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