
A realização de uma formação especializada para professores de educação infantil, iniciada nesta segunda-feira (11/5) pela Prefeitura de Manaus, traz para o centro do debate uma questão essencial e muitas vezes subestimada pela sociedade. O papel do movimento no desenvolvimento de crianças de 3 a 5 anos não é apenas uma pausa para o lazer, mas sim uma ferramenta pedagógica de desenvolvimento psicomotor e cognitivo.
A atividade, que reuniu docentes na Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério (DDPM), foca em transformar a prática em sala de aula. Em um mundo cada vez mais sedentário e dominado por telas, o incentivo ao ato corporal nas escolas municipais surge como um contraponto necessário para garantir que o desenvolvimento afetivo e social acompanhe o crescimento físico dos alunos.
A formação ministrada pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED) utiliza as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para mostrar que a educação física pode ser o fio condutor de outras disciplinas. Através do lúdico, o professor consegue inserir conceitos complexos no universo infantil.
- Integração de linguagens: o movimento corporal é usado para reforçar o letramento e o raciocínio matemático de forma orgânica.
- Habilidades sociais: jogos e danças estimulam a cooperação e o respeito mútuo desde os primeiros anos de vida.
- Desenvolvimento motor: atividades específicas trabalham a coordenação e a percepção espacial, fundamentais para a fase de alfabetização futura.
- Saúde e bem estar: a prática orientada combate o sedentarismo precoce e promove hábitos saudáveis.
Visão crítica sobre a formação continuada
Um ponto positivo observado na gestão educacional de Manaus é a regularidade dessas capacitações. Como destacou a professora Sally Ataíde, da creche municipal Eliana de Freitas, o alinhamento entre o currículo e a prática nas creches permite experiências mais ricas para as crianças. No entanto, o desafio crítico e imparcial que se apresenta é garantir que esses conceitos cheguem de forma equitativa a todas as unidades de ensino da capital, independentemente da localização geográfica.
A educação física na educação infantil não deve ser vista como um “extra”, mas como um direito ao desenvolvimento pleno. Segundo a formadora Alessandra Bárbara Boaventura, a integração das múltiplas linguagens através do corpo permite uma aprendizagem significativa que une ciência e cultura.
Investir no preparo do magistério para lidar com o corpo da criança em movimento é, na verdade, um investimento em saúde pública e sucesso escolar a longo prazo. Quando um professor compreende que uma brincadeira de roda ou um circuito de obstáculos são aulas de física, biologia e convivência social, a qualidade do ensino sobe de patamar.
Manaus dá um passo importante ao manter o foco na ludicidade e na coordenação motora como prioridades do currículo municipal. O sucesso dessa iniciativa será medido pela capacidade dos professores de transformar o espaço escolar em um ambiente onde o movimento é valorizado como forma de expressão e conhecimento.
ASCOM: Jorgiane Castinares/ Semed










