
A confirmação recente de um caso de brucelose em uma fêmea bovina no município de Nhamundá (a 383 quilômetros de Manaus) acendeu um sinal de alerta crucial para a saúde pública e para a economia de todo o estado.
O diagnóstico positivo, obtido após exames laboratoriais realizados no domingo, 17 de maio, e notificado oficialmente no dia seguinte, joga luz sobre os riscos de uma doença perigosa e de evolução silenciosa.
Diante do fato, a Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas (ADAF) intensificou a convocação para que os criadores protejam seus plantéis antes do fechamento da primeira etapa da campanha de imunização de 2026, que se encerra no dia 31 de maio.
Risco para a saúde
A brucelose não representa apenas uma ameaça ao patrimônio financeiro dos pecuaristas, mas se configura como uma zoonose grave capaz de infectar seres humanos.
O contágio ocorre tanto pelo contato direto com secreções de animais doentes quanto pelo consumo de leite cru e queijos produzidos com matéria-prima que não passou pelo processo correto de pasteurização.
A vulnerabilidade do consumidor final exige uma postura rígida na vigilância das bacias leiteiras.
A gravidade do cenário foi reforçada pela coordenação do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT) no estado.
“Isso nos mostra que a doença é perigosa, silenciosa e está rondando os rebanhos. Por isso pedimos que os produtores e veterinários que atuam nas propriedades estimulem a realização de exames em seus animais, especialmente nas criações voltadas para a produção de laticínios”, destacou a fiscal agropecuária e médica veterinária Gisele Torres.
Sintomas e prejuízos
Os impactos clínicos da infecção são severos e atacam diretamente a capacidade reprodutiva das fazendas, espalhando prejuízos econômicos e provocando o sofrimento dos animais.
A manifestação da enfermidade apresenta características específicas para cada grupo afetado
- Nas fêmeas ocorrem abortos frequentes, quadros de infertilidade e o nascimento de crias fracas
- Nos machos a bactéria causa inchaço severo nos testículos e perda da capacidade de reprodução
- Nos seres humanos a infecção gera febre, dores de cabeça crônicas, dores nas articulações, suores noturnos e riscos de infertilidade
Prazos e penalidades
Para conter o avanço da zoonose, a legislação determina a vacinação obrigatória de fêmeas bovinas e bubalinas com idade entre 3 e 8 meses. Como o imunizante é produzido a partir de bactéria viva atenuada, a aplicação fica restrita a médicos veterinários e auxiliares cadastrados na agência de defesa para evitar contaminações acidentais.
Após a imunização do rebanho, o produtor precisa realizar a notificação obrigatória dentro do prazo da campanha.
O processo exige a apresentação da nota fiscal da vacina e do atestado de aplicação na unidade local do município ou por meio do Atendimento Remoto da ADAF via WhatsApp no número (92) 99238-5568.
O descumprimento das normas sanitárias gera sanções pesadas. A multa para quem deixar de vacinar é de R$ 300 por propriedade rural, acrescida de R$ 40 por animal irregular.
Além das penalidades financeiras, o pecuarista inadimplente fica impedido de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), bloqueando o transporte e a comercialização do rebanho.
A segurança do agronegócio e a saúde da população dependem do compromisso rigoroso de cada criador.










