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Caminhada em Manaus reforça o combate à violência contra idosos e mobiliza a população

Foto: Divulgação

A mobilização social nas ruas surge como um termômetro necessário para medir o engajamento da sociedade civil diante de vulnerabilidades sociais crônicas. Em Manaus, uma caminhada realizada nesta quinta-feira, 25 de junho, marcou o Dia D da operação “Virtude”, coordenada nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), somando forças ao “Junho Violeta”, campanha global de conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa.

O ato percorreu cerca de dois quilômetros na avenida Noel Nutels, localizada no bairro Cidade Nova, zona Norte da capital, reunindo centenas de participantes entre idosos, moradores e autoridades judiciais.

O evento, promovido pela Prefeitura de Manaus por meio da Fundação de Apoio ao Idoso Doutor Thomas (FDT), traz à tona um debate que vai muito além das estatísticas de segurança pública.

A caminhada funciona como um alerta público em uma das regiões mais populosas da cidade, evidenciando que a garantia de direitos na velhice exige vigilância comunitária ativa e canais de denúncia desburocratizados.

Rede de proteção

Os discursos institucionais durante o evento reforçaram a urgência de descentralizar as ações de acolhimento e fortalecer os mecanismos legais de punição aos agressores. A estrutura de proteção atual demanda uma integração real entre o município e os órgãos de fiscalização estadual para que as notificações resultem em punições efetivas.

  • Violência velada: os abusos psicológicos e a negligência afetiva lideram as queixas e são difíceis de rastrear sem a ajuda de vizinhos.
  • Abuso financeiro: a apropriação indébita de cartões de benefícios e empréstimos consignados forçados por terceiros cresce nos centros urbanos.
  • Ambiente doméstico: a maioria expressiva das agressões físicas e do abandono sistemático ocorre dentro da própria residência da vítima.

“O ‘Junho Violeta’ é um chamado para toda a sociedade. Precisamos combater todas as formas de violência contra a pessoa idosa e fortalecer uma cultura de respeito, cuidado e valorização de quem tanto contribuiu para a construção da nossa cidade. Essa é uma prioridade da gestão do prefeito Renato Junior”, afirmou o diretor-presidente da FDT, Eduardo Lucas.

Desafio intrafamiliar

A análise crítica do cenário atual aponta para um paradoxo complexo, onde o principal refúgio do cidadão na terceira idade muitas vezes se transforma no local de maior perigo. O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) esteve presente na caminhada e trouxe dados analíticos sobre a abrangência desses crimes silenciosos, que ocorrem longe das delegacias.

O promotor de Justiça Mirtil Fernandes do Vale pontuou que o isolamento do idoso facilita a ocultação de crimes patrimoniais e institucionais. O representante do órgão ministerial destacou que o enfrentamento exige a conscientização coletiva sobre o próprio processo de envelhecimento humano.

“O objective desta caminhada é chamar a atenção da sociedade para a necessidade de combater a violência contra a pessoa idosa, uma realidade que ainda preocupa no Amazonas. É importante lembrar que grande parte dessas violências acontece dentro do ambiente familiar, mas elas também podem ocorrer em instituições financeiras, unidades de saúde e em outros espaços. Precisamos fortalecer a conscientização e a proteção porque todos nós, um dia, iremos envelhecer e poderemos estar sujeitos a esse tipo de violação de direitos”, destacou Mirtil Fernandes do Vale.

Consciência comunitária

O sucesso de campanhas de rua depende diretamente da recepção da mensagem pela comunidade local, que atua como os olhos do poder público nos bairros. Moradores da zona Norte acompanharam o trajeto e destacaram que o acesso facilitado à informação qualificada descentraliza o medo e encoraja as testemunhas a utilizarem os canais de denúncia, como o Disque 100.

“É muito importante ver a Prefeitura de Manaus promovendo ações como essa, que levam informação para as ruas e fazem as pessoas refletirem sobre o respeito e o cuidado que devemos ter com a pessoa idosa. Quanto mais a população conhece os direitos, mais preparada ela fica para combater qualquer tipo de violência”, declarou a dona de casa Nívea Oliveira, de 47 anos, que acompanhou a mobilização na Cidade Nova.

O encerramento do cronograma do “Junho Violeta” consolida um ciclo de palestras, rodas de conversa e abordagens educativas promovidas pela Fundação Doutor Thomas ao longo de todo o mês. O desafio subsequente para a administração municipal reside em transformar a energia dessas manifestações públicas em políticas de assistência contínuas e abrigos estruturados capazes de absorver a demanda crescente por cuidados de longa permanência na região metropolitana.

Fonte: ASCOM | Fábio Simões/FDT

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