
O aumento da expectativa de vida e a queda nas taxas de natalidade alteram o perfil demográfico em todo o mundo e trazem uma preocupação imediata para as administrações públicas.
Adaptar a estrutura dos municípios para acolher a população idosa deixou de ser um projeto isolado e se tornou uma diretriz obrigatória de planejamento.
Calçadas seguras, habitações funcionais e locais públicos acessíveis são fundamentais para dar autonomia e mobilidade para a terceira idade.
Junho Violeta
Essa pauta ganha ainda mais espaço durante o “Junho Violeta”, mobilização global voltada para a conscientização e o combate à violência contra a pessoa idosa. O movimento atua no combate aos abusos e aponta para a necessidade de construir caminhos que assegurem um envelhecimento seguro.
O alerta sobre o tema parte do engenheiro civil Marcellus Campêlo, que ocupa o posto de segundo vice-presidente estadual do União Brasil e atua como membro titular do diretório da Federação União Progressista (UP).
Marcellus Campêlo defende que as frentes pública e privada sigam as exigências legais de acessibilidade em todas as obras de engenharia.
No estado do Amazonas, ele destaca que o governo estadual adotou esses critérios como regra padrão nas ações da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE).
O engenheiro gerenciou as duas pastas até março deste ano, quando se afastou do cargo para colocar o seu nome à disposição da UP como pré-candidato a deputado estadual.
Para o especialista, os avanços obtidos representam o início de uma reestruturação que precisa ganhar ritmo rápido nos próximos anos.
“As cidades precisam estar preparadas para atender essa população com mais segurança, acessibilidade e qualidade de vida. O que foi feito até aqui é importante, mas ainda há muito a avançar”, afirma Marcellus Campêlo.
Moradia adaptada
Entre as medidas implantadas ao longo de sua gestão, constam modificações estruturais inseridas nos planos habitacionais coordenados pela Sedurb e pela UGPE. No programa “Amazonas Meu Lar”, o atendimento social cumpre o percentual determinado pela legislação nacional para moradias populares que utilizam recursos públicos, garantindo a reserva de 3% a 5% dos imóveis para os idosos.
Já nas frentes do Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), as construções passaram a destinar os apartamentos do piso térreo prioritariamente para a terceira idade, aplicando o conceito construtivo de zero degrau. A técnica remove barreiras físicas e diminui as chances de acidentes e quedas.
As habitações reúnem itens específicos para facilitar o dia a dia dos moradores:
- Portas ampliadas: os acessos foram alargados para permitir a passagem livre de moradores que usam andadores, bengalas ou cadeiras de rodas.
- Banheiros adaptados: as dependências contam com barras de apoio fixas e espaço de giro dimensionado para facilitar a locomoção interna.
Dois complexos residenciais com esse padrão já foram entregues e servem de referência na zona sul da capital amazonense. Os locais são o residencial General Rodrigo Otávio, situado no bairro Japiim, e o Parque Residencial Maués, localizado no bairro Cachoeirinha.
“O desafio não era apenas construir moradias. Mas de começar, também, a introduzir uma nova forma de pensar os empreendimentos habitacionais. À medida que a população envelhece, essas adaptações precisarão se tornar cada vez mais presentes. É preciso um olhar especial, voltado à população idosa”, destaca Marcellus Campêlo.
Espaços públicos
Os locais de convivência e lazer abertos pelo “Prosamin+” também incorporam as determinações de acessibilidade. Os complexos do Parque das Araras, Parque Dois Amigos, Parque Oscarino e Parque Peteleco contam com calçadas planas, pavimentos antiderrapantes e rampas construídas dentro dos parâmetros da Norma Brasileira de Acessibilidade (NBR 9050). Os ambientes oferecem academias ao ar livre com aparelhos de ginástica de baixo impacto, incentivando a atividade física e a integração social dos moradores.
Marcellus Campêlo reforça que o envelhecimento dos cidadãos deve ser tratado como elemento permanente das diretrizes urbanas.
“Quando uma cidade é planejada para quem tem mais dificuldade de locomoção, ela se torna inclusiva e melhor para todos. O idoso precisa estar no centro do planejamento urbano”, aponta Marcellus Campêlo.
O engenheiro conclui lembrando que a organização urbana deve permitir que a população caminhe sem riscos, utilize os serviços públicos sem barreiras e mantenha a sua independência.
“As obras realizadas foram só o começo, mas o futuro exige um esforço muito maior para que o envelhecimento aconteça com dignidade”, finaliza Marcellus Campêlo.
ASCOM: Náis Campos










