
O crescimento da população da terceira idade no norte do país traz consigo a necessidade urgente de adequação das redes de proteção pública. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que os idosos já somam cerca de 9% de toda a população do Amazonas, o que representa em torno de 390 mil pessoas.
Esse avanço de 3% no índice de envelhecimento ao longo da última década acende um alerta sobre as estruturas de acolhimento disponíveis. Diante desse panorama, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM) começou a debater propostas para expandir o atendimento de urgência para além dos limites da capital.
A centralização dos serviços sociais e de saúde surge como uma barreira histórica para quem vive nas calhas dos rios amazônicos. A dependência de estruturas situadas unicamente na capital acaba por agravar a vulnerabilidade de cidadãos que, além da idade avançada, precisam lidar com o isolamento geográfico.
Interiorização do acolhimento
Para tentar equilibrar essa balança, a deputada estadual Brena Dianná, do União Brasil (UB), apresentou no Plenário Ruy Araújo o requerimento nº 003/2026. A medida solicita diretamente ao governador Roberto Cidade e à secretária de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC), Jussara Pedrosa, a ampliação da política das Casas de Passagem da Pessoa Idosa. O serviço foca em dar abrigo temporário a cidadãos em situação de risco, violência, negligência ou abandono familiar.
Embora a existência de uma unidade desse modelo em Manaus seja um avanço na proteção, a concentração do serviço na capital limita o socorro imediato no interior.
“A gente já tem uma casa de apoio ao idoso, mas queremos ampliar. Queremos ter várias casas em diferentes pontos da capital e também levar esse serviço para o interior do Amazonas. Municípios como Parintins, Maués, Coari e Humaitá têm grande população e poderiam receber esse apoio”, afirmou a deputada Brena Dianná.
Logística do isolamento
A jornada imposta aos idosos que necessitam de cuidados especializados evidencia as fraturas no sistema logístico de assistência estadual. A falta de opções de abrigo e atendimento especializado perto de suas casas gera uma rotina de sacrifícios financeiros e físicos.
- Tratamentos distantes: Cerca de 30% dos idosos que residem no interior do Amazonas precisam se deslocar até a capital para a realização de exames ou consultas especializadas.
- Viagens exaustivas: O tempo médio de deslocamento por meio de ônibus ou barcos varia entre 8 e 12 horas, dependendo diretamente da localização geográfica da localidade de origem.
- Custos pesados: Cada deslocamento de ida e volta consome entre 300 R$ e 400 R$, englobando despesas com transportes rodoviários e fluviais.
- Polos demandantes: As cidades que registram o maior fluxo de saída de idosos em busca de auxílio na capital são Parintins, Maués, Coari, Humaitá e Boca do Acre.
- Reflexo social: A necessidade de passar dias ou semanas em Manaus eleva os gastos familiares com hospedagem e alimentação, gerando endividamento.
Essa realidade faz com que a travessia das sedes rurais até as áreas urbanas seja um teste de resistência física.
“A descentralização das Casas de Passagem é essencial para garantir dignidade e assistência à população idosa em todo o estado. Precisamos ampliar isso”, defendeu Brena Dianná.
Presença nos bairros
A discussão sobre proximidade no atendimento também se estende às ações de cidadania em áreas urbanas periféricas. Durante as atividades do programa “Governo Presente”, realizadas no bairro Zumbi, em Manaus, a atuação de diferentes órgãos estaduais foi usada como exemplo de mobilização direta.
A iniciativa envolveu o suporte da Defensoria Pública, da Companhia de Saneamento do Amazonas (COSAMA), do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (CETAM) e do Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) para aproximar serviços de saúde e infraestrutura dos moradores.
Ações descentralizadas desse tipo reforçam a importância de tirar as instituições da burocracia dos gabinetes para ouvir a comunidade onde os problemas acontecem.
“Só estando presente, ouvindo a população, é possível ter a sensibilidade suficiente para resolver os problemas. E ali foram feitas várias entregas para o bairro Zumbi”, ressaltou Brena Dianná.
O grande desafio do Amazonas nos próximos anos será converter esses requerimentos e programas itinerantes em políticas públicas orçamentárias de caráter permanente. A interiorização das Casas de Passagem é um passo básico para que o envelhecimento na Amazônia deixe de ser sinônimo de desamparo e longas viagens em busca de dignidade.
Fonte: ASCOM: Shirley Assis










