
A rotina das famílias amazonenses e a defesa dos direitos sociais tomaram conta dos debates na Câmara Municipal de Manaus (CMM) durante o Grande Expediente desta terça-feira, 3/11. Os parlamentares levaram à tribuna pautas que afetam diretamente o cotidiano da população, abordando a segurança de crianças e adolescentes, a dignidade dos profissionais de saúde, as incertezas no transporte público escolar e as decisões nacionais sobre conteúdos educativos exibidos na televisão.
O combate à violência sexual contra o público infantojuvenil abriu as discussões no plenário. O vereador Saimon Bessa, do União Brasil, alertou sobre a gravidade da situação ao comentar um caso recente ocorrido na Flórida, nos Estados Unidos, relacionando o fato à necessidade urgente de intensificar ações de prevenção na capital amazonense.
O parlamentar destacou a enorme dificuldade enfrentada pelas vítimas para reconhecer abusos e realizar denúncias, defendendo uma ampla divulgação de informações orientativas para que jovens saibam como agir e buscar socorro.
“Na maioria das vezes, as crianças não sabem nem a quem recorrer e sequer sabem que estão sendo vítimas de um abusador. Para termos uma ideia, cerca de 142 crianças são violentadas por dia. Enquanto estamos aqui, ainda hoje, teremos 142 crianças que serão abusadas sexualmente e terão a infância roubada por um predador sexual, alguém que não respeita a infância”, disse o vereador Saimon Bessa.
O vereador também chamou a atenção para ocorrências gravíssimas registradas em escolinhas e atividades esportivas, cobrando maior rigor e vigilância constante nos ambientes comunitários e escolares frequentados por meninos e meninas.
Respeito aos profissionais fisioterapeutas
A valorização da categoria médica e da saúde também esteve no centro dos pronunciamentos. O vereador Sérgio Baré, do Partido Renovação Democrática (PRD), externou forte repúdio a produções humorísticas veiculadas em redes sociais que desqualificam o trabalho exercido pelos fisioterapeutas.
O parlamentar ressaltou que a liberdade de criação e o humor não podem servir de pretexto para ridicularizar a atuação de profissionais essenciais para o salvamento de vidas, especialmente em ambientes críticos como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
“Humor ácido como este dissemina, espalha desinformação e falta com respeito com o profissional da saúde fisioterapeuta. Uma piada de mau gosto como essa deve ser repudiada por toda a sociedade. Isso não é piada, isso não é humor”, declarou o vereador Sérgio Baré.
O parlamentar reforçou que a fisioterapia atua diretamente na preservação da capacidade física e motora de pacientes graves, prevenindo complicações severas durante internações prolongadas e gerenciando o suporte de ventilação mecânica.
Suspensão do passe livre
A mobilidade dos estudantes da rede pública gerou forte cobrança por transparência no plenário. O vereador Jaildo Oliveira, do Partido Verde (PV), denunciou a interrupção repentina do passe livre estudantil destinada aos alunos da rede estadual de ensino.
A medida pegou diversas famílias de surpresa na segunda-feira, dia 2 de novembro de 2026, por meio de avisos emitidos no aplicativo Cadê Meu Ônibus.
- Alunos da rede estadual afetados diretamente pela paralisação do benefício de transporte público.
- Estudantes da rede municipal mantêm a gratuidade garantida normalmente pela Prefeitura de Manaus para o ensino fundamental até o 9º ano.
- Comunicado emitido pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) após impasse financeiro com o Governo do Amazonas.
“Diante da notícia de que o passe livre estudantil foi suspenso temporariamente, cobro que o Governo do Estado cumpra sua obrigação constitucional. A transparência exige a apresentação dos comprovantes de repasse. Declarar o pagamento apenas por meio de vídeos institucionais, sem demonstrar as guias de depósito, é insuficiente. O impacto dessa descontinuidade recai diretamente sobre os alunos, impedidos de frequentar as aulas, gerando um prejuízo severo também aos pais de família”, afirmou o vereador Jaildo Oliveira.
Impasse na classificação indicativa
O encerramento dos debates abordou a liberdade de transmissão cultural e religiosa na televisão aberta. O vereador Mitoso (MDB), contestou a recente portaria publicada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no Diário Oficial da União (DOU), que alterou a classificação indicativa da atração “Record Kids: Desenhos Bíblicos”, exibida nas manhãs de domingo pela TV Record com a série “Histórias Animadas do Novo e do Antigo Testamento”. A exibição passou de livre para não recomendada para menores de 12 anos.
“Se existem cenas específicas que justificam essa classificação, que o Ministério da Justiça apresente quais são. Que mostre os episódios, identifique as cenas e explique tecnicamente por que histórias bíblicas voltadas ao público infantil receberam essas recomendações, esses descritores”, disse o vereador Mitoso.
Outros parlamentares se somaram aos questionamentos sobre a coerência e os critérios técnicos empregados pelo órgão federal na fiscalização de conteúdos infantis exibidos na televisão brasileira.
Fonte: ASCOM/ CMM











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