
Preocupada com os impactos do uso excessivo de telas, redes sociais, jogos eletrônicos e apostas virtuais na saúde mental de crianças e adolescentes, a deputada estadual Brena Dianná apresentou uma indicação ao Governo do Estado e um projeto de lei que criam mecanismos de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento de estudantes da rede pública estadual.
A proposta apresentada pela parlamentar na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) prevê a atuação integrada das áreas de educação e saúde para enfrentar um problema que, segundo ela, vem afetando cada vez mais o desenvolvimento emocional, social e acadêmico da juventude amazonense.
Projeto cria programa
O projeto de lei institui o Programa Estadual de Atenção e Prevenção à Dependência Digital e Transtornos de Ansiedade na rede pública estadual de ensino, voltado aos estudantes do ensino fundamental e médio. Entre as ações previstas estão a realização de triagens psicossociais periódicas, campanhas de conscientização direcionadas aos pais e responsáveis e o encaminhamento dos casos mais graves para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Já a indicação encaminhada ao Governo do Estado sugere a construção de diretrizes específicas por meio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc), da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e da Casa Civil.
Entre as medidas propostas estão avaliações psicológicas e pedagógicas periódicas, capacitação de professores e equipes técnicas para a identificação de sinais de adoecimento mental, campanhas educativas permanentes, criação de um banco de dados sobre transtornos relacionados ao uso excessivo da tecnologia e ampliação do atendimento psicossocial por meio da telessaúde, especialmente para estudantes do interior e de comunidades ribeirinhas.
Riscos das plataformas
Ao defender a proposta em plenário, Brena Dianná alertou para os riscos que o uso sem acompanhamento das plataformas digitais pode representar para crianças e adolescentes. Segundo ela, apesar dos benefícios proporcionados pela tecnologia, o acesso irrestrito a determinados conteúdos exige atenção das famílias e do poder público.
“Muitas pessoas podem até achar que esse aparelho é inofensivo, mas ele não é. Várias vezes eu, entrando no YouTube buscando vídeos para que a minha filha pudesse ver, me deparei com materiais sexualizados e conteúdos inadequados para crianças”, afirmou a deputada.
Impactos e ansiedade
Na justificativa dos documentos, a parlamentar destaca que a exposição precoce, excessiva e sem mediação ao ambiente digital tem sido apontada como um fator associado ao aumento de casos de ansiedade, depressão, isolamento social, evasão escolar e queda do rendimento acadêmico. O texto também ressalta a preocupação com a crescente disseminação de plataformas de apostas virtuais e jogos online, que utilizam mecanismos de hiperestimulação e engajamento contínuo, aumentando a vulnerabilidade de crianças e adolescentes.
Para a deputada, os reflexos dessa realidade já são perceptíveis dentro das escolas e no ambiente familiar. Durante o discurso, ela relatou que o excesso de tempo dedicado às telas tem afetado diretamente a concentração dos estudantes e o convívio social.
“A criança está ali querendo que aquele tempo passe rápido para chegar em casa e ter acesso ao celular, à televisão, ao tablet. Então ela não tem uma absorção importante e necessária dentro da sala de aula. Quando está em casa, muitas vezes não quer fazer atividade ou interagir com a família porque quer estar na frente da tela”, declarou.
Foco no interior
As propostas apresentadas também defendem a presença de equipes multiprofissionais nas unidades de ensino, com atuação de psicólogos, assistentes sociais e pedagogos, além da promoção de campanhas educativas para alunos, pais e responsáveis sobre os efeitos do uso excessivo da tecnologia e da dependência digital. A iniciativa prevê ainda a definição de indicadores para monitorar fatores como evasão escolar, isolamento social e desempenho acadêmico.
O projeto também dedica atenção especial aos municípios do interior do Amazonas, onde as dificuldades de acesso a serviços especializados tornam o atendimento em saúde mental mais complexo. Por isso, a proposta sugere a utilização de ferramentas de telessaúde para ampliar o acompanhamento psicossocial de estudantes e famílias que vivem em regiões mais afastadas, especialmente nas comunidades localizadas ao longo das calhas dos rios amazônicos.
De acordo com Brena Dianná, a iniciativa busca estimular um debate mais amplo sobre a importância da saúde mental e fortalecer as políticas públicas voltadas à prevenção e ao cuidado.
“A gente precisa falar sobre isso, discutir sobre isso e apresentar formas de combater esse mal que está presente na nossa vida. Também precisamos garantir que as pessoas tenham acesso a profissionais e serviços para cuidar da sua saúde mental”, destacou.
Fonte: Shiley Assis/ ASCOM










