
A busca por aprimoramento técnico e novas soluções para a agricultura movimenta a delegação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Amazonas (SENAR-AR/AM) em Varginha, município mineiro reconhecido como o principal polo de exportação do produto no país.
Representado pelo gerente técnico Rodrigo Guimarães e pelos técnicos de campo André Castilhos e Kirk Soares, o grupo acompanhou as atividades do evento Safra Café 2026 no Centro de Excelência em Cafeicultura durante esta semana. A iniciativa permitiu conhecer dados da pesquisa Safra Café Minas 2026, desenvolvida pelo Sistema Faemg Senar em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Debates sobre o mercado
A programação aberta na quarta-feira, dia 9 de setembro, reuniu painéis dedicados à economia e às exigências do setor agrícola. O diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CECAFÉ), Marcos Matos, apresentou a palestra sobre o cenário macroeconômico e geopolítico e seus reflexos sobre o mercado de café.
Em seguida, o chefe geral da Embrapa Café, Rodolfo Osório, abordou o panorama da cafeicultura nacional. As projeções climáticas para o período de 2026 e 2027 e os modelos de manejo preventivo contra o reativo ganharam espaço na apresentação de Rodrigo Naves e André Moraes Reis, enquanto o especialista Leandro Paiva tratou da pós colheita e da qualidade do produto. O público esclareceu dúvidas em uma mesa redonda mediada por Ana Carolina Gomes.
Métodos e análises práticas
No segundo dia de imersão, ocorrido nesta quinta-feira, dia 10 de setembro, os técnicos acompanharam painéis voltados ao trabalho em campo. Os supervisores da ATeG Café Mais Forte, Sebastião Brinate e Daniel Prado, detalharam a metodologia de estimativa de safra em campo para as variedades Arábica e Canephora.
O analista de ATeG, Altino Junior, explicou os critérios do Concurso Cupping de Cafés Especiais. As equipes participaram ainda de visitas aos laboratórios de classificação e torra do Centro de Excelência, encerrando com uma dinâmica de degustação comentada e análise sensorial das duas espécies de café produzidas no Brasil.

Avaliação das lideranças locais
O presidente do SENAR Amazonas, Muni Lourenço, avalia a participação na agenda como um passo estratégico para importar conhecimentos e acompanhar os rumos do setor.
“A presença da delegação amazonense reforça o nosso compromisso com a qualificação contínua da equipe e com o fortalecimento da cafeicultura no estado. Estar em um dos principais polos nacionais da atividade nos permite ampliar conhecimentos e trazer novas referências que podem contribuir diretamente para o trabalho desenvolvido junto aos produtores amazonenses”, afirmou Muni Lourenço.
A superintendente da entidade, Jeyn’s Alves, aponta que o aprendizado em Minas Gerais servirá de apoio técnico para o produtor rural amazonense.
“Essa imersão técnica é muito importante para nossa equipe, porque amplia a visão sobre os diferentes cenários e desafios da cafeicultura. O conhecimento adquirido aqui poderá ser compartilhado e aplicado nas ações de assistência técnica e capacitação que o Senar Amazonas desenvolve junto aos produtores, contribuindo para o avanço da atividade no estado”, ressaltou Jeyn’s Alves.
O contraste dos climas
O gerente técnico do SENAR no Amazonas, Rodrigo Guimarães, trouxe uma visão analítica sobre a viagem. O especialista ressaltou o aprendizado no gerenciamento das propriedades e lembrou que o grão é uma mercadoria global sujeita a pressões ambientais e trabalhistas.
“É um evento muito produtivo, onde tivemos a oportunidade de entender o panorama do café de forma nacional e mundial, e conhecer os entraves pelo fato de o café ser uma commodity como, por exemplo, questões ambientais e trabalhistas. No âmbito do manejo, estamos podendo nos familiarizar com o café arábica que, por questões climáticas, não é o cultivado na Região Norte”, destacou Rodrigo Guimarães.
A viagem técnica reúne frentes de estudo para tentar adaptar soluções ao solo e ao clima amazonense.
- Acompanhamento dos dados atualizados da pesquisa Safra Café Minas 2026.
- Estudo de metodologias de estimativa de safra em campo.
- Treinamento prático em laboratórios de classificação e torra.
- Análise sensorial e degustação guiada de cafés das variedades Arábica e Canephora.
A busca de conhecimento em Minas Gerais revela a intenção das entidades rurais em desenvolver a cultura do café no Amazonas. Contudo, o desafio envolve superar barreiras climáticas marcantes, já que o café arábica predominante no Sudeste não se adapta ao clima equatorial do Norte, onde o cultivo se concentra na variedade Canephora.
A aplicação prática dos dados trazidos de Varginha exigirá um esforço constante de adaptação das técnicas de manejo e assistência para que os produtores amazonenses consigam obter ganhos reais de produtividade e qualidade em suas lavouras.
Fonte: ASCOM | Annyelle Bezerra/ Sistema FAEA Senar










