Estagiário de Lara Bispo Edir Macedo enfrenta o apocalipse financeiro no Banco Digimais com rombo...

Bispo Edir Macedo enfrenta o apocalipse financeiro no Banco Digimais com rombo milionário

Por Estagiário de Lara (*)

Parece que nem a fé mais inabalável está conseguindo operar milagres no balanço do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo. O fundador da Igreja Universal do Reino de Deus está no meio de uma “guerra santa” corporativa que envolve um rombo de quase meio bilhão de reais, acusações de apropriação indébita e ativos que viraram pó mais rápido que promessa de político em época de eleição.

A confusão está armada entre o banco e seu sócio minoritário, Roberto Campos Marinho Filho, dono da gestora Yards Capital. De um lado, Marinho Filho cobra uma fatura salgada: ele quer que o Digimais recompre R$ 462,2 milhões em papéis que, segundo ele, não valem mais que uma nota de três reais.

Esses papéis serviam de lastro para o fundo de investimento EXP 1, criado em fevereiro de 2025. O problema é que esses ativos vieram de três “cavaleiros do apocalipse” financeiro recente: o Banco Master, a Reag Investimentos e a holding Fictor. Como sabemos, o Master e a Reag foram liquidados pelo Banco Central após fraudes, e a Fictor entrou em recuperação judicial devendo R$ 4,2 bilhões. Resultado: o dinheiro dos investidores evaporou.

Troca de acusações

Enquanto o sócio grita que o banco injetou “carne podre” (créditos sem lastro) no fundo, o Digimais contra-ataca com a velha tática do “quem roubou meu queijo”. O banco foi à Justiça acusando Marinho Filho de sumir com R$ 88 milhões em rendimentos do fundo sem dar satisfação a ninguém.

É o sujo falando do mal lavado em uma disputa onde quem perde, no fim das contas, é a credibilidade da instituição. Para tentar salvar o que restou e arrumar a casa para uma possível venda, o banco contratou Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. Se a missão é operar milagres em terra arrasada, Bendine terá muito trabalho.

Papéis fantasmas

A notificação enviada pela Yards na última quinta-feira (12/2) é um verdadeiro show de horrores contábil. Uma auditoria contratada pelo sócio apontou que 22.185 Certificados de Crédito Bancário (CCBs), totalizando R$ 316,6 milhões, simplesmente não tinham lastro. Desses, a maioria vinha da Fictor.

No jargão do mercado, “sem lastro” significa que não existe garantia ou documentação real por trás do empréstimo. É basicamente vender vento estocado. Marinho Filho alega que o contrato obriga o banco a recomprar essa “bomba relógio”, devolvendo o dinheiro ao fundo. Caso contrário, a briga vai escalar nos tribunais.

A defesa do banco

O diretor jurídico do Digimais, Marcelo Brasil, tenta lavar as mãos como Pilatos. O banco afirma que a responsabilidade pela cobertura desses rombos não é dele, mas sim de quem originou o crédito (os falecidos Master, Reag e a moribunda Fictor). Em nota, a instituição diz que “inexiste coobrigação”. Traduzindo: se o calote veio, cobrem de quem faliu, não da gente.

Além disso, o banco jura que repassou os tais R$ 88 milhões e tem planilhas para provar, acusando a gestora de Yards de não informar onde esse dinheiro foi parar. O banco parou de repassar valores diretamente e começou a fazer depósitos em juízo, transformando o fluxo de caixa em uma novela judicial.

O dia do juízo

O calendário marca o dia 28 de fevereiro como a data fatídica para a amortização das cotas, o momento em que o dinheiro deveria voltar para o bolso dos donos. Mas, com os ativos do Master e da Reag bloqueados pela Justiça e a Fictor em recuperação judicial, a probabilidade de alguém ver a cor desse dinheiro é tão grande quanto ganhar na loteria sem jogar.

Enquanto os advogados faturam alto com o litígio, o Digimais tenta se blindar dos ataques questionando a saúde financeira do próprio fundo que ajudou a criar. No fim, resta saber se sobrará algum fiel — ou melhor, investidor — para contar a história.

(*) Jornalista Independente

Fonte: https://economia.uol.com.br/colunas/julio-wiziack/2026/02/16/master-socio-cobra-quase-meio-bilhao-de-banco-de-edir-macedo.htm

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