Maraã Aos 22 anos, Yuri Cardoso transforma a oportunidade que recebeu em legado...

Aos 22 anos, Yuri Cardoso transforma a oportunidade que recebeu em legado para crianças ribeirinhas

Foto: Divulgação

A trajetória de Yuri Cardoso Araújo, de 22 anos, traduz o impacto de longo prazo das ações educacionais em territórios isolados da floresta. Morador da comunidade do Ubim, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, no município de Maraã, o jovem ingressou em oficinas culturais aos 12 anos de idade.

Dez anos após a sua primeira aula, ele retorna ao mesmo projeto, mas agora ocupando a posição de educador para repassar o conhecimento musical aos novos talentos da região.

A transformação social vivenciada por Yuri faz parte dos resultados do Programa de Desenvolvimento Integral de Crianças e Adolescentes Ribeirinhas na Amazônia (Dicara).

A iniciativa é coordenada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) com o objetivo de suprir a carência de atividades extracurriculares nas calhas de rios do interior do estado.

Aprendizado contínuo

O retorno à comunidade como profissional gerou uma mudança profunda na rotina de estudos do jovem músico.

“O projeto foi importante na minha vida, porque me aprofundei mais nos meus conhecimentos. Quando nos tornamos professores, precisamos aprender ainda mais, e isso é muito bom”, afirmou Yuri Cardoso Araújo.

Durante o período em que frequentava as aulas como estudante, o jovem integrou comitivas culturais que saíram pela primeira vez do município de Maraã. As apresentações musicais alcançaram projeção estadual e incluíram concertos especiais realizados na sede da FAS, localizada na capital amazonense.

Impacto nos municípios

O programa pedagógico atua de forma descentralizada para garantir o acesso aos direitos fundamentais previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

  • Público total registrou o atendimento de mais de 18,1 mil moradores em todo o estado do Amazonas.
  • Faixa infantojuvenil concentrou os investimentos diretos na formação de 10,3 mil crianças e adolescentes.
  • Abrangência territorial estendeu as oficinas por 357 comunidades ribeirinhas pertencentes a nove municípios do interior.
  • Eixos de atuação englobam a promoção de atividades esportivas, oficinas de artes visuais, inclusão digital e cidadania.

O ciclo atual de financiamento das atividades é viabilizado por meio do apoio institucional e patrocínio das empresas Innova, EMS e Bemol, que garantem os insumos e a logística para as calhas de rios.

Protagonismo juvenil

A gerente do Programa de Educação para a Sustentabilidade (PES) da FAS, Fabiana Cunha, explica que ver os antigos alunos assumindo a liderança das salas de aula valida a metodologia aplicada nas reservas ambientais.

“Quando vemos um jovem que iniciou sua trajetória como aluno retornar como educador, percebemos que o projeto vai muito além das atividades oferecidas”, destacou Fabiana Cunha, apontando que o processo constrói novas perspectivas de renda e liderança comunitária.

A FAS mantém frentes de trabalho focadas na conservação ambiental, na geração de renda para populações tradicionais e no fortalecimento do desenvolvimento sustentável. A instituição concentra esforços para demonstrar que a preservação da floresta em pé depende diretamente da valorização e do investimento no capital humano que reside nas unidades de conservação da Amazônia.

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