
O potencial da sociobiodiversidade amazônica ganha um novo fôlego com o início da execução do plano de trabalho firmado entre o Sebrae Amazonas e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS).
O acordo, formalizado em 14 de maio, visa fortalecer cadeias produtivas essenciais para a economia local, como a castanha-do-brasil e o pirarucu de manejo, transformando o potencial da floresta em pé em renda sustentável para famílias ribeirinhas, rurais e indígenas.
A iniciativa será implementada em territórios que já recebem suporte do Projeto Rural Sustentável Amazônia (PRS-Amazônia).
O foco central das ações reside na gestão de negócios comunitários, qualificação técnica, regularização de empreendimentos e inovação tecnológica, garantindo que os produtos da floresta alcancem um valor agregado superior no mercado nacional e internacional.
Estratégias para o crescimento regional
O plano de ação compreende dez estratégias principais para estruturar os negócios de base comunitária. Entre os destaques está a busca pelo registro de Indicação Geográfica (IG) da Castanha de Tefé, um passo fundamental para valorizar o produto, além de capacitações práticas para os trabalhadores do campo.
As metas previstas no acordo focam em resultados diretos para os produtores:
- Treinamento de 80 manejadores de pirarucu em operação de drones para monitoramento territorial.
- Mutirões de regularização para cerca de 200 agricultores familiares e pescadores artesanais, facilitando o acesso ao Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e ao Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP).
- Capacitação de 50 comunitários voltada ao beneficiamento da castanha-do-brasil, incluindo técnicas para o aproveitamento econômico dos ouriços.
- Inserção de empreendedores locais em grandes eventos de promoção comercial para expandir redes de relacionamento e canais de venda.
Desenvolvimento sustentável na prática
Para o gestor de Políticas Públicas do Sebrae-AM, José Antônio Cardoso Fonseca, a parceria ataca desafios históricos como a falta de assistência técnica e a necessidade de inovação. A intenção é proporcionar condições para que as famílias permaneçam em seus territórios com dignidade, gerando qualidade de vida e conservando o bioma.
Vinícius Lopes, diretor regional do IABS, reforça que fortalecer a sociobiodiversidade é sinônimo de valorizar quem vive da floresta. As iniciativas vão desde a regularização jurídica até o suporte tecnológico, criando um ecossistema que protege os recursos naturais enquanto movimenta a economia dos municípios.
Missão em Tefé e Maraã
O impacto dessas ações já pode ser verificado em campo durante uma missão institucional iniciada nesta segunda-feira, 25 de maio, nos municípios de Tefé e Maraã. A comitiva conta com representantes do Governo do Reino Unido, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), além de membros do IABS e Sebrae Amazonas.
A agenda de visitas inclui encontros com famílias beneficiadas, entrega de equipamentos coletivos e análise de projetos bem sucedidos, como o viveiro comunitário com capacidade para 10 mil mudas de castanheira por ano e embarcações dedicadas ao escoamento da produção de pirarucu, que reduzem drasticamente os custos logísticos dos produtores locais.
Fonte: ASCOM | Sebrae Amazonas










