Juscelino Taketomi Amazonas precisa de um projeto de estado

Amazonas precisa de um projeto de estado

Foto: Gerada por IA

Por Juscelino Taketomi

Neste domingo (04), o primeiro turno das eleições no Amazonas chega ao fim deixando uma certeza: mais do que escolher nomes, o eleitor amazonense precisa cobrar, no segundo turno, propostas capazes de enfrentar os enormes desafios de um Estado continental, isolado geograficamente e historicamente marcado pelo abandono de políticas estruturantes.

Oito malfadados anos de Wilson Lima devem ser esquecidos, pois foram anos perdidos. Agora, os dois candidatos que chegarem à segunda etapa da disputa pelo Governo do Amazonas terão uma responsabilidade ainda maior.

Já não será suficiente repetir promessas de campanha, apresentar obras pontuais ou apostar apenas na força das máquinas políticas. O momento exige desempenho melhor, propostas mais consistentes e, principalmente, uma visão de futuro para o Amazonas.

O Estado precisa discutir seriamente alternativas econômicas para reduzir sua excessiva dependência da Zona Franca de Manaus. A ZFM continua sendo fundamental para a economia amazonense, para a geração de empregos e para a arrecadação, mas não pode ser a única grande aposta de desenvolvimento de um território com dimensões gigantescas, enorme biodiversidade, recursos naturais e potencial produtivo ainda subaproveitado.

Nesse contexto, ganha importância a implantação de um verdadeiro Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). O Amazonas precisa conhecer, organizar e planejar seu território, estabelecendo com segurança onde e como produzir, quais áreas devem ser preservadas e quais atividades econômicas podem ser desenvolvidas de maneira sustentável.

Ao mesmo tempo, Manaus e sua Região Metropolitana não podem continuar dependendo quase integralmente de outros Estados para colocar alimentos na mesa da população. É possível pensar grande, sim.

Um dos projetos estratégicos para o futuro do Amazonas poderia ser a implantação de um Cinturão Verde da Região Metropolitana de Manaus, aproveitando de forma planejada as áreas de várzea e de terra firme dos municípios que integram a RMM.

A ideia é transformar essas áreas em grandes polos de produção de hortaliças, frutas, legumes, verduras e outros hortifrutigranjeiros destinados prioritariamente ao abastecimento de Manaus e dos municípios metropolitanos.

Não se trata apenas de produzir alimentos. Trata-se de gerar emprego e renda no interior, estimular a agricultura familiar e empresarial, criar cadeias de beneficiamento, armazenamento e transporte, reduzir custos logísticos e diminuir a dependência do Amazonas em relação a produtos vindos de outros Estados.

O projeto exigiria planejamento, assistência técnica, crédito, infraestrutura, irrigação onde necessária, estradas vicinais, transporte adequado, centros de distribuição e políticas permanentes de compra da produção. Mas, sobretudo, exigiria vontade política para transformar uma necessidade histórica em política de Estado.

O Amazonas não pode continuar sendo apenas um grande consumidor de alimentos que chegam de longe. Precisamos também ser produtores.

O segundo turno, portanto, deverá servir para elevar o nível do debate. Os candidatos precisam dizer claramente como pretendem diversificar a economia, fortalecer a ZFM sem depender exclusivamente dela, implantar o ZEE, estimular a produção rural e transformar a Região Metropolitana de Manaus em um grande cinturão de abastecimento alimentar.

Está chegando o momento de dois candidatos dizerem qual é o projeto de Amazonas que têm para além dos próximos quatro anos. O eleitor amazonense merece respostas.

Um Estado com dimensões continentais não pode continuar pensando pequeno. O Amazonas precisa transformar suas limitações geográficas em planejamento, sua biodiversidade em oportunidade sustentável e seu território em instrumento de desenvolvimento.

No segundo turno, que vençam as urnas, mas que, acima de tudo, vença o debate sério, profundo e responsável sobre o futuro do Amazonas.

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