
O Instituto Médico Legal (IML) do Amazonas tem desempenhado um papel crucial e humanizado na identificação de corpos que chegam à unidade sem qualquer documentação. O trabalho integrado das instituições de segurança garante que essas pessoas tenham sua cidadania restaurada e que suas famílias possam realizar um sepultamento digno.
Somente neste ano, 332 corpos não documentados foram identificados e entregues aos seus familiares, um número que ressalta a importância e a eficácia desse serviço.
O diretor do IML e médico legista, Sérgio Machado, explicou que o processo de reconhecimento é um trabalho integrado que envolve o IML e o Instituto de Identificação Aderson Conceição de Melo (IIACM), ambos vinculados à Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).
O trabalho se inicia no momento da remoção do corpo, buscando quaisquer informações ou documentos. Caso não haja identificação, a perícia prossegue:
Perícia de Identificação: É realizada com o apoio do IIACM.
Análise Necropapiloscopia: Utilizando as impressões digitais do corpo (mesmo em estado de decomposição, se possível), a identidade é confrontada com o banco de dados.
“Por meio da análise necroapiloscopia, nós realizamos a identificação, e essa perícia pode demorar cinco minutos ou 24 horas, dependendo do processo de identificação”, detalhou o médico legista.
Devolvendo a cidadania e conforto à família
Após a confirmação da identidade, o IML inicia a busca ativa pelos familiares, garantindo que a entrega do corpo seja feita de forma legal e humanizada. Essa prática reforça o compromisso da instituição com a ciência, a perícia e, sobretudo, com o respeito às famílias.
O diretor Sérgio Machado ressaltou o aspecto humanitário do serviço: “A importância que tem esse ato de identificação é devolver a cidadania para aquela pessoa que faleceu, mas o mais importante é dar conforto para aquela família, porque o luto tem que ser encerrado e as pessoas precisam enterrar aquele ente querido.”
O Alívio de uma despedida digna
A radiologista Estelita Ramos compartilhou a experiência de sua família, que pôde localizar e identificar um tio desaparecido graças ao trabalho do IML.
“O meu tio saiu para trabalhar na BR-319 como caseiro. Desconfiamos porque ele disse que viria a Manaus para passar o final de semana e não apareceu. Foi quando alguém viu nas redes sociais a divulgação sobre o corpo dele e viemos ao IML”, relatou Estelita.
Ela destacou a gratidão pelo serviço, que possibilitou o encerramento do luto: “É muitíssimo importante esse trabalho do IML e eu só tenho que agradecer a toda equipe, porque, embora não fosse assim que gostaríamos de encontrar ele, aconteceu essa fatalidade e agora vamos dar um enterro digno”.











