
Por Moisaniel Filho
Um momento que pode se tornar histórico para a mineração artesanal no Amazonas está sendo preparado às margens do Rio Madeira. Na comunidade Piranha, no município de Novo Aripuanã, técnicos realizam os últimos ajustes, aferições e a calibragem da mesa separadora que será utilizada em testes para demonstrar a possibilidade de separação do ouro de aluvião sem emprego de mercúrio, cianeto ou outros reagentes químicos.
Mesa separadora já está instalada na comunidade Piranha, em Novo Aripuanã, e passa pelos últimos ajustes antes dos testes. Experiência pode representar um novo marco para a mineração artesanal no Amazonas.
Tecnologia sem mercúrio
O equipamento, produzido pela Minerar Indústria, de Goiânia, foi adquirido por iniciativa do cooperado Ananias Pinto de Vasconcelos, dentro dos esforços desenvolvidos pela COOPERMINA (Cooperativa dos Extrativistas Minerais Artesanais Familiar de Novo Aripuanã) para encontrar uma alternativa tecnológica ambientalmente mais segura para a atividade.
A instalação mobilizou cooperados e contou com a participação de representantes e técnicos da fabricante, responsáveis pela configuração e preparação da mesa para sua demonstração em condições reais de operação no Rio Madeira.
Iniciativa e preservação
A iniciativa é resultado de um trabalho que a COOPERMINA vem desenvolvendo há vários anos, sob a atuação de seu procurador e representante legal, Ivan de Souza Pedrosa, e com a participação do presidente Genildo Barbosa Serudo, além dos demais cooperados. Nesse período, a cooperativa tem buscado diálogo com órgãos públicos, instituições ambientais e autoridades responsáveis pela regulamentação da atividade mineral, defendendo a possibilidade de conciliar mineração artesanal, regularização e proteção ambiental.
Para a COOPERMINA, o momento representa a materialização de uma etapa fundamental desse trabalho: demonstrar, na prática, que é possível buscar alternativas ao uso do mercúrio na recuperação do ouro de aluvião.
Simbolismo nas datas
A experiência ocorre justamente entre duas datas de forte significado histórico: 5 de setembro, que marca a Elevação do Amazonas à Categoria de Província, em 1850, e 7 de setembro, data da Independência do Brasil.
Para os integrantes da cooperativa, a coincidência tem também um significado simbólico. Se os testes confirmarem a eficiência e a segurança do processo, este período poderá ser lembrado como o início de uma nova busca por independência: a independência da mineração artesanal em relação ao mercúrio e a outros reagentes químicos utilizados tradicionalmente na recuperação do ouro.
Acompanhamento dos órgãos
O próximo passo será apresentar o funcionamento do equipamento aos órgãos e instituições competentes, entre eles o Ministério Público Federal, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), a Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Marinha do Brasil, para que possam acompanhar e avaliar a experiência dentro de suas respectivas atribuições.
A COOPERMINA aguarda ainda o avanço dos procedimentos necessários à regularização ambiental e minerária. A intenção é que a operação seja acompanhada tecnicamente, permitindo mensurar a eficiência da recuperação do ouro e, principalmente, avaliar sua segurança ambiental.
Futuro da mineração
O que começa na comunidade Piranha, em Novo Aripuanã, poderá, caso tenha sua eficiência comprovada e obtenha as autorizações necessárias, ultrapassar as margens do Rio Madeira. A expectativa é de que a experiência possa contribuir para a construção de um novo modelo de mineração artesanal, inicialmente no Amazonas e, futuramente, em outras regiões da Amazônia e do Brasil.
Às vésperas do 7 de Setembro, a COOPERMINA aposta que independência, no Rio Madeira, também pode significar produzir ouro sem depender do mercúrio.










