
O Palácio do Planalto tenta intermediar um diálogo com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para conter o desgaste provocado pelo vazamento de conversas atribuídas a Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A movimentação ocorre após questionamentos da equipe do senador Flávio Bolsonaro, que apontou estranheza pelo fato de as reclamações iniciais da defesa terem sido encaminhadas à Polícia Federal (PF) e não ao relator da matéria na Suprema Corte.
Nesta quarta-feira, dia 26, os advogados de Lulinha apresentaram uma notícia de fato perante a PF contestando a divulgação do material, cuja autenticidade é colocada sob suspeita. A defesa pede a identificação dos responsáveis pela quebra do sigilo e argumenta que os diálogos vêm sendo explorados de forma político-eleitoral para desgastar o presidente, que disputa a reeleição.
Críticas da oposição
A estratégia da defesa gerou reação imediata da oposição. Em nota oficial, a campanha do candidato Flávio Bolsonaro criticou a conduta da equipe jurídica do PT e acusou os governistas de exploração política do episódio.
“Se a alegação envolve provas e informações relacionadas às investigações sobre o INSS, a medida deveria ter sido submetida ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e não à Polícia Federal”, afirmou a nota emitida pela campanha do PL.
A repercussão fez com que os juristas alinhados ao governo revisassem o procedimento. Representantes do grupo Prerrogativas confirmaram que vão acatar a sugestão feita pelos adversários.
“Atendendo à recomendação da campanha de Flávio, os advogados do Prerrogativas enviarão mais um pedido de investigação a André Mendonça”, declarou um dos defensores do coletivo em entrevista à Gazeta do Povo.
Encontro no Planalto
Diante do impasse institucional, o presidente Lula pretende organizar nos próximos dias uma reunião presencial reunindo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça. O encontro deve contar também com a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva.
O clima de tensão entre o magistrado e a corporação ganhou novos contornos em julho, quando Mendonça determinou que a PF enviasse ao STF todas as provas colhidas no âmbito da Operação Sem Desconto de forma organizada e indexada.
Questionamentos sobre vazamentos
Integrantes da campanha petista apontam abertamente a existência de um uso político da estrutura policial para favorecer o grupo ligado à família Bolsonaro na corrida presidencial. O argumento central dos aliados de Lula baseia-se na assimetria da divulgação de dados sigilosos. Integrantes do governo questionam por qual motivo o sigilo das provas relativas a Lulinha é violado com frequência, enquanto os autos das investigações sobre o filme Dark Horse permanecem protegidos sob segredo absoluto.










