
A bioeconomia no Amazonas ganha um novo fôlego com a decisão estratégica de aliar preservação ambiental e geração de renda no interior do estado. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) liberou nesta sexta-feira (13/3) a autorização para que os pescadores de Maraã realizem a captura manejada de 15 mil larvas e alevinos de aruanã branco.
A iniciativa foca no mercado de peixes ornamentais e coloca a comunidade local como protagonista da conservação dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDS Mamirauá).
A atividade será conduzida pela Colônia de Pescadores Z-32 em uma das regiões mais ricas em biodiversidade do mundo. O alvo são as fases iniciais de desenvolvimento do aruanã branco que possui um alto valor agregado no mercado de aquariofilia.
Para garantir que a retirada dessas 15 mil larvas não prejudique o equilíbrio do ecossistema a pesca está restrita aos lagos Preto, Tigre e Itaúba que são áreas monitoradas e autorizadas dentro da reserva.
Equilíbrio entre lucro e natureza
O grande desafio da gestão ambiental é permitir que as populações tradicionais prosperem sem esgotar os recursos naturais. O diretor-presidente do Ipaam Gustavo Picanço ressaltou que o documento emitido é uma ferramenta de legalidade e responsabilidade.
“Esta autorização representa um passo importante para fortalecer a economia local e consolidar práticas de pesca sustentáveis na região da reserva. O objetivo é que os pescadores possam trabalhar de forma legal e responsável, preservando as espécies e os recursos naturais do Amazonas”, afirmou o gestor.
Décadas de pesquisa científica
Diferente da pesca predatória o manejo autorizado em Maraã é fruto de um trabalho científico rigoroso que já dura mais de 15 anos. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) oferece a assistência técnica necessária para que os pescadores sigam padrões internacionais de sustentabilidade.
De acordo com a analista Brenda Meireles a consolidação desse trabalho conjunto é o que permite a viabilidade da pesca manejada em escala comercial garantindo que a espécie continue povoando os rios do Médio Solimões por gerações.

Rigor nas regras de captura
Para que a autorização continue válida a Colônia Z-32 precisa seguir uma série de exigências técnicas estabelecidas pelos órgãos de controle.
- O limite máximo de captura é rigorosamente fixado em 15 mil unidades entre larvas e alevinos.
- A coleta deve ocorrer exclusivamente nos três lagos delimitados no plano de manejo.
- Analistas da Gerência de Controle de Pesca (GECP) do Ipaam realizam o acompanhamento presencial das atividades.
- É obrigatório o registro detalhado de cada captura e o cumprimento integral das normas ambientais vigentes.
Fique por dentro
O manejo do aruanã em Maraã é um exemplo prático de como o Amazonas pode liderar a economia verde mundial. Ao transformar o pescador em um guardião da espécie o estado combate a ilegalidade e valoriza o produto regional no mercado internacional de peixes ornamentais. Maraã fica a 634 quilômetros de Manaus, reforça a importância de criar alternativas econômicas viáveis para as comunidades mais isoladas da nossa floresta.










