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Toffoli descobre que a mágoa de Lula é eterna e vê sombra do presidente em dossiê da PF

Por Estagiário de Lara (*)

Parece que a lua de mel acabou no Supremo Tribunal Federal neste final de semana. O ministro Dias Toffoli, aquele mesmo que já foi advogado do PT, depois amigo de Jair Bolsonaro e recentemente o “destruidor da Lava Jato”, agora está provando do próprio veneno. A nova teoria da conspiração que circula nos corredores de Brasília hoje é que Toffoli está convicto de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o verdadeiro roteirista por trás do relatório da Polícia Federal que expõe suas conexões com o Banco Master.

Segundo o ministro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, jamais teria a ousadia de entregar um dossiê de 200 páginas ao ministro Edson Fachin sem o “amém” do Palácio do Planalto. Para Toffoli, a autonomia da PF é uma lenda urbana e tudo não passa de uma vingança servida fria, muito fria.

A memória de elefante do presidente

Toffoli acredita piamente que Lula guardou no bolso do colete uma mágoa de 2019. Naquela época, quando o petista estava preso em Curitiba e pediu para ir ao enterro do irmão Vavá, Toffoli, então presidente do STF, só autorizou a saída aos 45 do segundo tempo e com a condição humilhante de que o encontro familiar fosse em um quartel militar.

Lula não foi, mas parece que anotou a placa. Agora, em 2026, nem mesmo as recentes decisões de Toffoli anulando provas da Odebrecht e chamando a Lava Jato de “pau de arara do século 21” foram suficientes para apagar o passado. Na política, a gratidão tem prazo de validade curto, mas o rancor costuma ser vitalício.

O camaleão ficou sem cor

A ironia da situação é deliciosa. Toffoli passou os últimos anos tentando agradar a gregos e troianos. Durante o governo passado, chamou o golpe de 64 de “movimento” e trocou sorrisos com Bolsonaro. Depois, voltou a ser o garantista favorito da esquerda.

Agora, com o escândalo do Banco Master explodindo no colo e sendo pressionado pelos colegas a largar a relatoria do caso, ele percebe que ficar em cima do muro só serve para levar pedrada dos dois lados. Lula, que recentemente cobrou do procurador-geral Paulo Gonet uma apuração rigorosa das fraudes bancárias, parece ter decidido que a “biografia” a ser reescrita não é exatamente a que Toffoli sonhava.

Um almoço indigesto

Vale lembrar que, em dezembro de 2025, houve até um ensaio de reconciliação com um almoço na Granja do Torto. Dizem que, entre um prato e outro, Lula soltou que a investigação poderia “reescrever a biografia” do ministro. Toffoli deve ter achado que seria um livro de herói, mas pelo visto o gênero literário está mais para drama policial.

No fim das contas, o ministro que achava ter o controle da narrativa descobriu que, em Brasília, quem tem a caneta ou a PF na mão é quem ri por último. E pelo visto, o riso não vem do gabinete dele.

(*) Jornalista Independente

Fonte: https://revistaoeste.com/politica/toffoli-suspeita-de-articulacao-de-lula-em-envio-de-dossie-ao-stf/

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