Justiça STF decide por unanimidade manter prisão preventiva de Jair Bolsonaro

STF decide por unanimidade manter prisão preventiva de Jair Bolsonaro

Os quatro ministros do colegiado votaram pela manutenção da preventiva; ex-presidente está preso em Brasília desde o último sábado, 22, por ordem de Moraes

Registro de sessão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal - Foto: Divulgação/STF

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada na manhã desta segunda-feira (24/11), em votação no plenário virtual. Bolsonaro, que estava em prisão domiciliar desde agosto, seguirá detido em cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

A ordem de prisão preventiva foi decretada na madrugada de sábado (22/11) pelo ministro-relator Alexandre de Moraes, com base em um alegado “risco de fuga”.

Votos dos ministros

A votação foi rápida, com os votos dos quatro ministros informados nas três horas seguintes à abertura da sessão. Os quatro ministros da 1ª Turma votaram para referendar a decisão do relator:

  • Alexandre de Moraes (Relator)
  • Flávio Dino (Presidente da Turma)
  • Cristiano Zanin
  • Cármen Lúcia

Os ministros Zanin e Cármen Lúcia apenas acompanharam o relator, sem protocolar voto escrito.

Argumentos para a manutenção da prisão

Tanto o relator, Alexandre de Moraes, quanto o presidente da Turma, Flávio Dino, desconsideraram os argumentos da defesa de Bolsonaro apresentados na audiência de custódia.

Voto de Alexandre de Moraes

Em seu voto, Alexandre de Moraes não citou a alegação de surto decorrente do uso de medicamentos psicotrópicos, que o ex-presidente usou para justificar a danificação da tornozeleira eletrônica.

O ministro fundamentou sua decisão na necessidade de “garantia da ordem pública” e para “assegurar a aplicação da lei penal”. Ele considerou Bolsonaro “reiterante no descumprimento das diversas medidas cautelares impostas”, citando:

  • Supostas violações de medidas restritivas, como a proibição do uso de redes sociais.
  • A violação “dolosa e conscientemente” da tornozeleira eletrônica.

“Não há dúvidas sobre a necessidade da conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva, em virtude da necessidade da garantia da ordem pública, para assegurar a aplicação da lei penal e do desrespeito às medidas cautelares anteriormente aplicadas,” afirmou Moraes.

Voto de Flávio Dino

Flávio Dino, em voto escrito, reforçou a manutenção da prisão citando o risco de fuga, a “periculosidade” e o risco de a vigília convocada por aliados se converter em “condutas similares” às ocorridas em 8 de janeiro.

“Experiência recente demonstra que grupos mobilizados em torno do condenado, frequentemente atuando de forma descontrolada, podem repetir condutas similares às ocorridas em 8 de janeiro,” afirmou Dino.

O ministro também questionou os propósitos religiosos da vigília, alertando para retóricas de “guerra” e “ódios”. Dino citou ainda a partida para o exterior de deputados federais aliados de Bolsonaro, o que compõe um quadro de “profunda deslealdade com as instituições pátrias.”

Defesa de Bolsonaro

Na audiência de custódia realizada no domingo (23/11), Bolsonaro afirmou que queimou a caixa externa da tornozeleira com ferro de solda em razão de alucinações causadas por medicamentos prescritos por seus médicos.

A defesa sustenta que o risco de fuga é inexistente, alegando que o ex-presidente estava em prisão domiciliar e tinha sua residência vigiada constantemente por agentes policiais, além de utilizar a tornozeleira eletrônica. Esses argumentos não foram considerados na decisão do STF.

Fonte: https://revistaoeste.com/politica/primeira-turma-mantem-prisao-de-bolsonaro-por-unanimidade/

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