
O bolso do trabalhador brasileiro sente o peso sufocante das taxas cobradas pelo sistema financeiro em compras básicas do mês. Na reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realizada nesta quarta-feira, 4/11, o líder do MDB no Senado, senador Eduardo Braga, voltou a defender publicamente a queda imediata das taxas de juros no Brasil.
O parlamentar abriu o debate sobre a política monetária expondo a urgência de encarar a realidade enfrentada por milhões de famílias endividadas no país.
Durante o pronunciamento, o senador estabeleceu uma distinção clara entre a taxa Selic, atualmente fixada em 13,75% ao ano pelo Banco Central (BC), e os juros absurdos praticados diretamente pelas instituições financeiras nas linhas de crédito populares.
Eduardo Braga explicou que a Selic se relaciona de forma direta com o custeio e o financiamento da dívida pública, enquanto as taxas ao consumidor obedecem a uma lógica diferente.
“A taxa Selic é óbvio que tem a ver com o déficit público por causa da captação de financiamento da dívida pública brasileira. Mas o que não consigo entender é como o Brasil continua de forma, vamos dizer assim, desavergonhada com um financiamento de crédito rotativo de cartão de crédito a uma taxa de juros de 500% ao ano”, afirmou o senador.
Ataque ao sistema financeiro
Aprofundando a análise crítica, o parlamentar sustentou que os percentuais cobrados no crédito rotativo e no cheque especial, fixados na marca de 350% ao ano, não possuem qualquer vínculo real com o déficit fiscal do país.
De acordo com ele, a manutenção desses valores demonstra falha de regulação e falta de sensibilidade social dos órgãos responsáveis.
“Isso tem a ver com a desfaçatez do Conselho Monetário Nacional, do Banco Central e dos responsáveis pela política monetária neste país”, completou o líder partidário.
O senador contestou frontalmente as justificativas fornecidas nos últimos tempos pelas autoridades monetárias para manter esses patamares elevados nas operações bancárias.
“Isto é um insulto à inteligência de qualquer um de nós”, declarou o parlamentar ao rebater os argumentos técnicos usados para sustentar o custo do dinheiro.
Comparação com a agiotagem
Para demonstrar o impacto do problema na vida cotidiana da população, Eduardo Braga fez uma comparação contundente entre os bancos e o mercado informal.
“Nem agiota cobra uma taxa de juros como esses bancos e essas operadoras de cartão de crédito cobram”, afirmou o senador ao destacar o tamanho da cobrança sobre as famílias de menor renda.
O discurso do líder do MDB ganhou respaldo em levantamentos oficiais sobre o perfil dos devedores.
Com base em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o parlamentar revelou que a maior parte dos cidadãos que recorrem ao cheque especial utiliza o limite para cobrir despesas de sobrevivência imediata.
As principais causas do endividamento popular englobam os itens citados a seguir:
- Compra de alimentos para o sustento da família.
- Aquisição de remédios essenciais para o tratamento de saúde.
- Pagamento de contas emergenciais do orçamento doméstico.
- Cobertura de imprevistos financeiros básicos.
Projeto para limitar juros
Diante desse cenário de aperto financeiro das famílias, Eduardo Braga defendeu a votação urgente de um projeto de lei na Comissão de Assuntos Econômicos com o objetivo de impor limites legais às cobranças praticadas pelas instituições bancárias.
O parlamentar entende que o Congresso Nacional precisa intervir para proibir abusos e devolver o equilíbrio econômico aos consumidores. A proposta busca criar travas judiciais para impedir que a dívida de itens básicos se transforme em uma bola de neve incontrolável.
Fonte: ASCOM | Cleo Pinheiro










