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Banco Central mantém juros em 13,75% e enfrenta críticas da indústria por frear a economia

Decisões sobre os juros no Brasil atingem diretamente o dia a dia de quem tenta produzir, empregar e consumir. Na quarta-feira, 4/11, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou duramente a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que optou por manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano.

Em nota oficial, a entidade empresarial afirmou que o posicionamento adotado pela autoridade monetária representa um “aperto monetário desmedido”, penalizando a produção nacional e prejudicando diretamente empresas e consumidores em todo o país.

A insatisfação do setor produtivo ganhou tom firme na manifestação da entidade.

“Na prática, a autoridade monetária pune quem produz e consome”, declarou a federação.

Segundo os cálculos apresentados pela Fiesp, o nível atual da Selic encontra-se em um patamar equivalente a cerca de três vezes a inflação corrente acumulada no país.

Para a liderança da indústria paulista, a manutenção desse patamar elevado de juros cria barreiras graves para o acesso ao crédito, comprometendo a capacidade de investimento e a expansão das empresas.

Peso no bolso produtivo

Além de criticar a taxa Selic fixada pelo Banco Central, a federação chamou a atenção para o custo final do dinheiro no mercado financeiro. A nota aponta que as taxas cobradas pelos bancos em operações de crédito destinadas ao setor produtivo e aos empreendedores chegam a atingir 30% ao ano.

Diante desse custo elevado, a entidade avalia que a estrutura atual inviabiliza novos projetos de investimento e contribui para o agravamento do endividamento das famílias e dos negócios.

Os pontos centrais levantados pela Fiesp sobre os impactos econômicos da medida incluem os seguintes elementos:

  • Nível da taxa Selic fixado em cerca de três vezes a inflação corrente.
  • Taxas bancárias para empréstimos produtivos alcançando a marca de 30% ao ano.
  • Dificuldade de acesso ao crédito para investimentos do setor produtivo.
  • Risco de aumento do endividamento para famílias e empreendedores.

Pressão nas contas públicas

Outra crítica central feita pela Fiesp refere-se aos impactos da política monetária sobre o orçamento do governo. De acordo com a federação, o pagamento dos juros da dívida pública consome mais de R$ 1 trilhão por ano, pesando sobre os cofres do país.

Por conta disso, a entidade defendeu uma reorganização urgente entre a economia real e a gestão fiscal.

“É urgente readequar as políticas monetária e fiscal para trazer a Selic a níveis toleráveis e devolver a competitividade à economia brasileira”, afirmou a Fiesp em sua manifestação oficial.

Pausa nos cortes sucessivos

A decisão divulgada nesta quarta-feira pelo Copom interrompeu um ciclo de flexibilização econômica, paralisando uma sequência de cinco reduções consecutivas da Selic que havia sido iniciada em março de 2026.

Na reunião anterior, realizada em 16 de setembro, o Banco Central havia reduzido a taxa de 14% para 13,75% ao ano.

Naquela oportunidade, a autoridade monetária justificou o corte pela desaceleração gradual da atividade econômica e da inflação, embora tenha ressaltado que as expectativas inflacionárias permaneciam acima da meta fixada.

Agora, a decisão de manter os juros em 13,75% ao ano foi adotada sob a justificativa de preocupações do Banco Central com a trajetória da inflação e com as incertezas no cenário fiscal.

Fonte: https://revistaoeste.com/no-ponto/fiesp-critica-selic-a-1375-e-diz-que-juros-punem-quem-produz-e-consome/

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