
Por Juscelino Taketomi
A Amazônia ganhou, em interessante live de Romo, uma dimensão que ultrapassa a geografia conhecida. Longe de ser apenas floresta, rios, montanhas e territórios indígenas, o Alto Rio Negro aparece como uma espécie de território estratégico de uma guerra cósmica que atravessaria milênios, dimensões e civilizações extraterrestres.
Em uma longa exposição que combina ufologia, espiritualidade, esoterismo e cosmologia, Romo apresentou uma visão de mundo na qual personagens religiosos tradicionais são reinterpretados como consciências cósmicas.
Ele falou em guerras interplanetárias que explicariam parte das anomalias da humanidade, bases subterrâneas que esconderiam tecnologias avançadas e regiões consideradas militarmente restritas da Amazônia que estariam entre os pontos mais sensíveis dessa suposta arquitetura secreta.
Na cartografia particular de Romo, o Amazonas ocupa posição de destaque, com ênfase a São Gabriel da Cachoeira e Barcelos.
Romo diz que existem nessas regiões áreas cujo acesso seria bastante restrito e que esconderiam estruturas subterrâneas associadas a intensa atividade de objetos voadores não identificados.
Sobre São Gabriel da Cachoeira, ele menciona especificamente o setor relacionado ao CINDACTA, sistema brasileiro de controle e vigilância do espaço aéreo. O acesso à área é proibido ao público.
Em relação a Barcelos, ele afirma que a região estaria “cheia de naves” e que algumas poderiam ser vistas a olho nu. Ele disse ter estado fisicamente na área, mas sustenta que determinados pontos permaneceriam inacessíveis. A solução encontrada teria sido a projeção mental.
Romo estabelece uma distinção entre projeção astral e aquilo que chama de projeção mental. Não seria necessário deixar fisicamente o corpo ou realizar uma viagem astral convencional. A consciência poderia ser direcionada para determinado ponto, permitindo observar ou interagir com ambientes distantes.
Romo sustenta usar esse recurso para dificultar sua localização por sistemas de vigilância, tanto tecnológicos quanto atribuídos a seres extraterrestres. Ele destaca que até uma projeção espiritual poderia ser detectada, bloqueada ou interceptada.
Mas ele diz possuir ainda outra prerrogativa: uma suposta “patente militar” em outros planos de existência. E é com essa credencial que negociaria o acesso a determinados ambientes e desempenharia uma função que define como a de um “resolvedor de problemas”.
O relato de Romo cria uma espécie de diplomacia interdimensional: de um lado, instalações protegidas. De outro, entidades e tecnologias extraterrestres, e no meio, um projetor mental autorizado a circular mediante negociação.
Um “novo Monte Sinai”
Uma das comparações mais surpreendentes apresentadas por Romo envolve a Amazônia e o Monte Sinai.
Na interpretação dele, o local tradicionalmente associado ao Sinai não corresponderia ao bíblico sítio histórico e espiritual. O verdadeiro Monte Sinai estaria em uma região militarizada e inacessível da Jorndânia, onde haveria estruturas subterrâneas e intensa atividade de OVNIs.
A Amazônia entraria nessa mesma categoria. Lugares de acesso restrito esconderiam estruturas que a população não poderia conhecer. No Alto Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Barcelos seriam equivalentes amazônicos de um grande santuário tecnológico subterrâneo.
Romo garante que antigas instalações teriam sido reativadas por diferentes grupos extraterrestres. Entre os nomes citados estão os nodeos, gracianos, pretorianos e a Federação Siriana. Posteriormente, outras civilizações, entre elas os chamados nibiruanos, teriam usado essas estruturas.
O propósito também seria muito mais amplo do que a exploração mineral. Segundo Romo, estariam em jogo tecnologias de portais, recursos como urânio e platina, material genético e, sobretudo, uma espécie de guerra de natureza espiritual e neural.
O “hack” do Cristo Cósmico
Entendo que para compreender a manifestação de Romo no Canal Paranormal Experience, é preciso entrar no conceito central da exposição do escritor: um ser chamado Miká.
De acordo com Romo, Miká seria o nome cósmico de uma grande consciência, uma egrégora ou supramônada que carregaria a energia do chamado Cristo Cósmico. Jesus Cristo seria, nessa interpretação, uma manifestação ou fractal dessa consciência maior.
Romo vai além, associando também o Arcanjo Miguel e outras figuras espirituais a manifestações de uma mesma consciência. A humanidade, por sua vez, seria formada por fragmentos dessa consciência, os chamados fractais de alma.
O problema teria começado quando guerras cósmicas, particularmente a chamada Guerra de Órion, teriam interrompido o processo natural pelo qual essas consciências retornariam à sua fonte depois da experiência material. Bilhões de almas teriam ficado presas em frequências negativas.
Nesse universo conceitual surgem os kiumbas e os chamados ovoides, associados a estados extremos de ódio, raiva, fanatismo e sofrimento.
Romo enfatiza que essas consciências aprisionadas poderiam contaminar a própria rede de consciência superior por meio de uma espécie de entrelaçamento quântico. Daí nasce a ideia de um “hack” da rede neural de Miká.
As bases subterrâneas, portanto, não seriam simplesmente esconderijos de extraterrestres. Seriam peças de uma disputa pelo controle da própria consciência.
Alto Rio Negro misterioso

É a partir desse ponto que a Amazônia ganha uma importância incomum dentro da cosmologia exposta por Rodrigo Romo. São Gabriel da Cachoeira e Barcelos não aparecem apenas como localidades onde haveria supostas naves. Elas seriam pontos estratégicos de uma infraestrutura subterrânea muito antiga.
A floresta esconderia uma espécie de camada tecnológica invisível. Romo menciona a existência de bases subterrâneas antigas, reativadas ao longo de diferentes períodos, e vinculadas a grupos extraterrestres que teriam chegado à Terra milhões de anos antes dos nibiruanos.
Os chamados Greys, ou “Greis”, ocupariam outro papel: seriam responsáveis por vigilância e contenção, inclusive contra pessoas que tentassem alcançar essas estruturas por projeção astral ou mental.
A consequência é uma imagem quase cinematográfica: instalações subterrâneas sob a floresta, naves acima delas, militares controlando acessos físicos e seres extraterrestres monitorando acessos dimensionais.
O que haveria dentro das bases? O interesse dessas supostas estruturas estaria relacionado a recursos e tecnologias estratégicas. Romo cita urânio, platina, ouro, material genético e tecnologias de portais. Mas, novamente, o ouro não seria o objetivo principal.
A tese de Romo é de que determinadas entidades teriam interesse no material genético humano e em processos capazes de permitir regeneração ou longevidade.
A Amazônia, por sua riqueza mineral e biológica, apareceria então como território particularmente importante, pois quem controla determinadas regiões controla recursos. Quem controla as bases controla tecnologias e quem controla essas tecnologias poderia interferir na própria estrutura energética e espiritual da humanidade.
Da floresta à Antártida
O mapa de Romo não termina no Amazonas. A sua entrevista no YouTube conecta as supostas bases amazônicas a uma rede mundial que incluiria instalações em Dulce, Denver e Área 51, nos Estados Unidos, além do Monte Sinai e de estruturas subterrâneas na Antártida.
É na Antártida que a entrevista assume proporções ainda maiores. Romo fala em aproximadamente 40 cidades subterrâneas sob o gelo, habitadas por cerca de 1,2 milhão de pessoas. Seriam comunidades extremamente fechadas, formadas predominantemente por europeus que ele identifica como de origem “ariana”, com critérios de seleção baseados inclusive em inteligência.
Ele afirma ainda que essas populações teriam acesso a tecnologias genéticas capazes de prolongar a vida por mais de dois séculos.
A entrevista também foca personagens associados ao nazismo na Antártida. Romo menciona Maria Orsich, personagem conhecida em círculos de teorias relacionadas ao chamado ocultismo nazista.
Ele jura ter encontrado Maria por meio de projeção mental em uma estrutura que identifica como ligada ao Reich e diz ter posteriormente recebido informações de um suposto informante ligado à Abin que teria permitido identificá-la.
A história inclui ainda a alegação de que Adolf Hitler poderia ter sobrevivido por meio de clones. A inserção desses elementos serve, porém, para demonstrar a arquitetura narrativa construída por Romo no YouTube: nazismo, extraterrestres, genética, bases subterrâneas, longevidade, tecnologia e governo secreto passam a fazer parte de uma única explicação para fenômenos que, na visão dele, estariam ocultos da população.
Governo secreto
Outro eixo importante da entrevista de Romo é a existência de uma suposta estrutura mundial de poder invisível.
Romo fala de uma hierarquia que começa nos chamados Chopats, passa pelos Alfa Draconis, descritos como seres reptilianos, chega aos chamados dirigentes globais e, posteriormente, aos bilionários e grandes corporações.
Nesse modelo, o poder econômico visível seria apenas a superfície. Por trás dele existiria uma estrutura interdimensional.
O objetivo não seria somente controlar dinheiro e governos, mas interferir na evolução espiritual da humanidade e explorar recursos genéticos.
A live também entra em terreno particularmente controverso ao abordar nanotecnologia.
Romo afirma que materiais nanotecnológicos poderiam estar presentes em rastros de aviões, alimentos, medicamentos e água, permanecendo adormecidos no organismo até serem ativados por campos eletromagnéticos. Wi-Fi e celulares aparecem como possíveis instrumentos de ativação.
O objetivo seria interferir na chamada “tela mental”, controlar comportamentos e até extrair aquilo que Romo chama de força vital ou ectoplasma. A Matrix seria simultaneamente tecnológica, psicológica e espiritual.
2032: o ano da ruptura
Outro momento de destaque da live é a previsão de Romo para 2032. O período seria marcado por profundas transformações geológicas e sociais, tendo como elemento central uma possível inversão dos polos magnéticos.
Conforme ele, a rotação da Terra poderia parar e associa o processo a terremotos gigantescos, tsunamis e alterações planetárias de grandes proporções. A aproximação de Hercolubus, descrito como uma anã marrom, teria influência sobre o Sol e, por consequência, sobre o campo magnético terrestre.
Romo relaciona ainda atividade solar, ondas gravitacionais, cinturões de Van Allen e a chamada ressonância Schumann.
A reação das elites também faz parte da previsão de Romo, para quem bilionários e grupos muito ricos já estariam construindo bunkers para enfrentar as transformações esperadas.
Mais do que isso: até 2032 estruturas de poder ocultas poderiam liberar informações sobre extraterrestres e tecnologias secretas.
A inteligência artificial teria papel central nesse processo, sendo mobilizada para controlar estruturas sociais e conter possíveis reações da população. Seria uma ferramenta de controle populacional.
A solução seria individual, diz Romo. Apesar do cenário apocalíptico descrito, ele não propõe uma revolução armada ou uma guerra física. Sua solução é espiritual.
Ele defende elevação da frequência, amor incondicional, perdão, contato com a natureza, meditação e redução do consumo excessivo de redes sociais.
Também recomenda cuidado com ambientes e relações que considera “vampirizantes”. Mudar a consciência individual seria, nessa visão, a forma de escapar da Matrix.

Importância da Amazônia
O que torna a Amazônia tão importante em toda a história contada por Rodrigo Romo no YouTube? Ele combina três elementos. O primeiro é o isolamento geográfico. São Gabriel da Cachoeira e Barcelos estão em uma das áreas mais remotas do país, com enormes distâncias, rios como principais vias de circulação e extensas áreas de difícil acesso.
O segundo é a presença militar e estratégica. O Alto Rio Negro é uma região sensível para a soberania brasileira, marcada por fronteiras internacionais e pela atuação das Forças Armadas.
O terceiro ponto é o próprio imaginário amazônico. A floresta sempre alimentou histórias de cidades perdidas, povos desconhecidos, civilizações antigas, fenômenos inexplicáveis e territórios ainda pouco explorados.
A live de Romo no YouTube merece atenção não só porque tenha sido corajosa ao defender a existência de bases extraterrestres no Amazonas, de cidades subterrâneas na Antártida ou de uma hierarquia reptiliana governando o planeta.
A live é relevante porque demonstra a força de uma corrente de pensamento que une ufologia e espiritualidade em desafio ao consenso científico.
No caso amazônico, o efeito é particularmente poderoso. São Gabriel da Cachoeira e Barcelos deixam de ser apenas municípios do Alto Rio Negro e passam a integrar uma suposta rede planetária de instalações subterrâneas e atividade extraterrestre.
Romo diz ter visto parte desse universo por projeção mental, descobrindo uma realidade que estaria escondida dos olhos da maioria das pessoas. Se algum dia suas alegações forem submetidas a evidências capazes de resistir ao escrutínio científico, a história da Amazônia, então, terá de ser reescrita.










