
O que precisa ser remendado dentro de nós? Essa pergunta conduz a performance participativa “Remendo Corações”, idealizada pela psicóloga e performer Erika Genebra, que será apresentada em três escolas públicas de Manaus ao longo do mês de agosto de 2026. A proposta reúne estudantes do Ensino Fundamental 2 em uma experiência artística na qual tecidos, linhas, agulhas, retalhos, desenhos e palavras tornam-se matéria para a criação coletiva.
Ao transformar a sala de aula em um espaço de escuta e criação coletiva, a performance dialoga com um debate cada vez mais presente nas escolas, voltado para a construção de vínculos, o cuidado e a convivência entre os estudantes.
A programação conta com nove apresentações destinadas a turmas do 6º, 7º, 8º e 9º anos. Cada sessão será seguida por rodas de conversa com os estudantes, ampliando os temas mobilizados durante a vivência artística.
Cronograma de apresentações
- Escola Estadual Ângelo Ramazzotti, sob mediação da professora de Arte e atriz Daniely Peinado, nos dias 3, 4 e 6 de agosto.
- Escola Municipal Vicente Cruz, com mediação do professor de Arte Keven Sobreira, nos dias 5 e 7 de agosto.
- Escola Estadual de Tempo Integral Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, sob mediação do professor de História Rafael Cesar da Costa Corrêa, nos dias 10 e 25 de agosto.
Costurando memórias e vínculos
Durante a apresentação, a artista veste uma grande saia de retalhos, elemento que simboliza um coração coletivo, e convida os estudantes a construir a obra de maneira voluntária. Aos poucos, tecidos, palavras, desenhos e costuras transformam a peça em um registro coletivo das experiências compartilhadas pelo grupo. Em vez de ocupar o lugar de meros espectadores, os participantes tornam-se parte da própria obra.
Além da criação artística, a proposta estimula reflexões sobre as relações que atravessam a existência entre pessoas e as formas de habitar o mundo. Ao final de cada apresentação, a peça permanece marcada pelas contribuições dos estudantes, reunindo experiências individuais que passam a integrar uma narrativa coletiva.
“Remendo Corações nasce da ideia de que cuidar também pode ser um gesto coletivo. Cada palavra escrita, cada costura e cada desenho ampliam a obra e revelam que aquilo que parece individual também pertence à experiência do outro”, afirma a idealizadora Erika Genebra.
A arte do encontro
Para a artista, a performance amplia o debate sobre convivência e cuidado ao levar essas questões para o ambiente escolar.
“A escola passa a ser compreendida como um território e espaço de encontro através do diálogo e experimentação de outras formas de viver em comunidade”, pontua Erika Genebra.
Ao final da circulação pelas instituições de ensino, a saia-coração transforma-se em uma cartografia afetiva, servindo como um mapa simbólico das memórias, dos afetos e das experiências compartilhadas pelos estudantes. Cada palavra escrita, cada desenho e cada costura permanecem na obra como vestígios dos encontros produzidos pela intervenção, revelando que toda criação nasce da relação com o outro.
Trajetória da artista
Artista transdisciplinar, poeta, pesquisadora, performer, psicóloga e psicoterapeuta, Erika Genebra é autora do livro “A quietude das coisas – poemas para seres vivos” e do e-book “Maria Mulher – Cartografia de nós”, ambos publicados de forma independente em 2021. Desde 2017, a profissional desenvolve pesquisas e ações no Amazonas que aproximam arte, escrita e processos terapêuticos.
- Livro A quietude das coisas – poemas para seres vivos publicado em 2021.
- E-book Maria Mulher – Cartografia de nós publicado em 2021.
- Performances A quietude das coisas e Remendo Corações, apresentadas em 2021 e 2023.
- Performances Entre Nós e Leio cartas para homens, lançadas em 2023.
- Performance Sentimento plástico, realizada em 2024.
- Performances Escuto o coração das pedras, O peso e a leveza do meu coração, O amor me fez caminho, eu me fiz passagem e Desejei ter asas, nasci gente, desenvolvidas em 2025.
Erika Genebra também participou como co-criadora do projeto “Contorno – laboratório-trama-poética”, espaço dedicado à criação e sensibilização poética e corporal. Em 2024, atuou como oficineira do projeto “Corpas e Corpes Dissidentes”, em parceria com a Secretaria da Ação Cultural de Piracicaba, no estado de São Paulo. Atualmente, dedica-se à clínica e às pesquisas que aproximam arte, escrita, performance e experiência corporal.
Equipe e fomento
Além de assinar a concepção e a realização do projeto, a artista reuniu uma equipe formada exclusivamente por mulheres para conduzir as diferentes etapas da produção cultural.
- Produção executiva sob responsabilidade de Viviane Palandi.
- Assistência de produção conduzida por Karoline Medeiros.
- Registro fotográfico e audiovisual realizado por Aline Fidelix, Tainá Andes e Margarita Rengifo.
- Identidade visual desenvolvida por Cris Desrosiers.
A iniciativa foi contemplada pelo Edital de Fomento Cultural Multilinguagens, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC/AM), contando com recursos do Governo Federal por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
ASCOM: Vívian Oliveira










