
De janeiro a julho de 2026, dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan-Net) mostram que foram registrados 2.669 atendimentos em profilaxia da raiva humana em Manaus. O dado inclui os casos de pessoas que procuraram uma unidade de saúde após sofrerem agressão por animais transmissores e também a profilaxia de pré-exposição voltada para alunos e profissionais que trabalham em contato direto com animais, como médicos veterinários.
Para ampliar a oferta do serviço na rede municipal, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), promoveu nesta quinta-feira, dia 3 de setembro, mais uma etapa da capacitação dos profissionais da Unidade de Saúde da Família (USF) Adalgiza Barbosa de Lima, no bairro Lírio do Vale, zona Oeste, finalizando a parte prática do treinamento sobre a vacina antirrábica.
A atividade foi executada por uma equipe do Distrito de Saúde (Disa) Oeste, que também está finalizando o processo de implantação da profilaxia nas unidades USF Ajuricaba, no bairro Ajuricaba, e USF Santos Dumont, no bairro da Paz, ampliando para 24 o número de postos da rede municipal com a oferta do serviço.
A chefe do Núcleo de Imunização em exercício do Disa Oeste, a enfermeira Giovanna Mendes Maia, explicou que a ação na USF Adalgiza Barbosa completa o ciclo de formação dos profissionais, iniciado em agosto com a etapa teórica.
“A zona Oeste de Manaus conta com cinco unidades de saúde de referência para a profilaxia da raiva humana e passará para oito, atendendo um território dessa zona de Manaus que ainda não contava com o serviço”, informou a enfermeira Giovanna Mendes Maia.
Esquemas e vacinação
No tratamento profilático, há a indicação de procedimentos para reduzir o risco de o paciente desenvolver a doença, considerando a possibilidade de o animal agressor estar infectado pelo vírus, o que pode incluir a aplicação de vacina e de soro.
O treinamento abordou o esquema vacinal para casos de pré-exposição, pós-exposição e reexposição ao vírus da raiva, a conduta em relação ao atendimento de cada caso, as contraindicações, os eventos adversos e o registro obrigatório das vacinas no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC).
“O esquema vacinal para pré-exposição, pós-exposição e reexposição é diferente em cada caso. A profilaxia pré-exposição, direcionada para profissionais que trabalham com animais ou em laboratórios, que apresentam risco de exposição ao vírus, tem um esquema recomendado de duas doses. No caso de agressão por animais, na pós-exposição, dependendo da avaliação pela equipe de saúde, o esquema vacinal é de quatro doses”, explicou a enfermeira Giovanna Maia.
As pessoas que procuram uma unidade de saúde por conta de agressões de animais potenciais transmissores, como cães, gatos e morcegos, passam por uma triagem com a equipe médica para definir as condutas necessárias.
“Na triagem, é verificado se o animal é observável ou não, o tipo e local da lesão. A partir dessa avaliação, há a definição de vacina ou não, e se é indicada a aplicação também do soro”, esclareceu a enfermeira.
Facilidade de acesso
Para a enfermeira Jane Barreira Mota, integrante da equipe da USF Adalgiza Barbosa, a oferta da profilaxia antirrábica humana vai facilitar o acesso da população ao serviço, permitindo um acompanhamento mais eficiente do paciente.
“A USF já recebe pessoas que procuram o atendimento, mas que eram encaminhadas para as Unidades de Saúde de referência. Tendo o serviço em mais Unidades de Saúde, fica mais fácil para a comunidade. Com o atendimento próximo de casa, fica mais fácil e rápido fazer a avaliação do caso e ter acesso à profilaxia, e os profissionais de saúde podem acompanhar melhor a evolução do paciente, inclusive o cuidado com as lesões”, destacou a enfermeira Jane Mota.
Prazos e estatísticas
O Disa Oeste realizou o treinamento em sala de vacina na USF Santos Dumont nesta quinta-feira e finaliza o cronograma nesta sexta-feira, dia 4 de setembro, com os profissionais da USF Ajuricaba. A partir do dia 14 de setembro, as três unidades começam a receber o abastecimento mensal do imunobiológico da profilaxia da raiva, com previsão de oferta completa do serviço até o final do mês.
A raiva é uma zoonose causada por um vírus que atinge o sistema nervoso central, sendo transmitida por mamíferos e apresentando caráter geralmente letal. Os principais transmissores são animais domésticos, como cães e gatos, e animais silvestres, principalmente morcegos e macacos. A doença é caracterizada como uma encefalite progressiva e aguda, transmitida dos animais para o ser humano por meio de mordedura, arranhadura ou lambedura de mamíferos contaminados.
Como parâmetro de comparação, em Manaus, de janeiro a julho de 2025, o sistema Sinan apontou 5.265 atendimentos antirrábicos por agressão ou pré-exposição na capital.
Mais informações sobre o Programa de Profilaxia e Controle da Raiva Humana podem ser obtidas no site da Semsa, no link: https://www.manaus.am.gov.br/semsa/vigilancia/vigilancia-epidemiologica/programa-de-profilaxia-e-controle-da-raiva-humana/.
Fonte: ASCOM | Eurivânia Galúcio/Semsa










