
A realização de campanhas eleitorais no Brasil sempre desperta debates acalorados sobre como o dinheiro público e as doações privadas abastecem a busca pelo voto. Na quinta-feira, 5/11, o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou uma arrecadação virtual em formato de vaquinha para obter R$ 7 milhões com o objetivo de quitar as despesas referentes à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A mobilização pede contribuições por meio de transferências Pix no valor de R$ 13, fazendo referência direta ao número da legenda na urna eletrônica. O período fixado para o recebimento das doações segue aberto até o dia 11 de novembro. Para alcançar o valor total estipulado pela direção partidária, a campanha precisa contabilizar cerca de 538,4 mil doações individuais nesse valor de R$ 13.
“Bora ajudar o presidente Lula a quitar as despesas da campanha eleitoral? Com transparência, o Partido dos Trabalhadores pede ajuda a todos que estão dispostos a contribuir com a vaquinha da campanha, que vai ficar aberta até o dia 11. A meta é arrecadar R$ 7 milhões para quitar todas as despesas da campanha”, escreveu a legenda partidária nas redes sociais.
Contas oficiais e superavit
O recurso de apelar ao bolso da militância traz à tona a discussão sobre a grandiosidade dos valores movimentados no pleito. Conforme os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha de Lula declarou um custo total de R$ 93 milhões. Esse montante ficou abaixo do limite de R$ 133 milhões estabelecido pelas regras eleitorais para a disputa presidencial.
Em termos de receitas declaradas, o total acumulado chegou a R$ 129 milhões.
Desse montante registrado na Justiça Eleitoral, a distribuição ocorreu da seguinte forma:
- R$ 123 milhões procedentes da fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha do PT.
- R$ 1,3 milhão proveniente do fundo partidário comum.
- R$ 4,1 milhões obtidos por meio de doações de apoiadores.
Ao observar exclusivamente os números parciais divulgados pela Justiça Eleitoral, a legenda apresenta um superavit de R$ 36 milhões, já que a arrecadação superou as despesas cadastradas naquele momento.
Gastos do segundo turno
A explicação para a necessidade da vaquinha em meio ao saldo positivo oficial reside nos prazos de prestação de contas. O coordenador de campanha do partido, José Filippi, esclareceu que os dados disponíveis no sistema do TSE são parciais e ainda não incorporam a totalidade dos custos referentes ao segundo turno da eleição.
“O teto de despesas do 2º turno é de 44 milhões e foi usado quase todo”, declarou José Filippi em entrevista à revista Veja ao explicar o cenário financeiro da reta final.
Vaquinhas na disputa eleitoral
A prática de arrecadação comunitária não é exclusividade de uma única corrente política. Desde 2017, o TSE autorizou a utilização de plataformas de financiamento coletivo, tornando a vaquinha um recurso frequente nas estratégias eleitorais brasileiras.
Um levantamento realizado pelo portal Poder360 em 21 de outubro de 2026, antes da realização do segundo turno, apontou que a campanha de Lula havia arrecadado até aquele momento R$ 3 milhões oriundos de 9.282 doadores de pessoa física. A média por contribuição alcançou R$ 330. Desse total de doadores, 5.274 pessoas fizeram repasses exatos de R$ 13 ou R$ 13,13.
Ao longo da corrida presidencial, outros concorrentes ao Palácio do Planalto também recorreram às vaquinhas virtuais junto aos seus eleitores, entre os quais:
- Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro.
- Renan Santos, do partido Missão.
- Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático (PSD).
- Augusto Cury, do Avante.
Transparência no financiamento político
O uso do financiamento coletivo fortalece o engajamento popular e permite que eleitores participem ativamente da construção das campanhas. No entanto, a coexistência entre vaquinhas virtuais e repasses expressivos dos fundos públicos exige reflexão contínua sobre a transparência no uso dos recursos.
O cidadão comum, ao ser chamado a colaborar com R$ 13 do próprio bolso, espera que cada centavo arrecadado ou repassado pelos fundos oficiais cumpra rigorosamente seu papel com clareza e responsabilidade diante da sociedade.










