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Parintins tem em Soraya Cohen uma das pioneiras da valorização cultural e turística da ilha

A valorização da memória cultural e a evolução econômica do Festival de Parintins ganharam destaque durante uma entrevista marcante no programa “Balanço da Toada”, sob o comando de Abdias ‘O Cabucão’, Mencius Melo e Liduina Moura, transmitido pela Rádio Difusora de Manaus.

Os apresentadores do programa destacaram o papel da empresária e jornalista Soraya Cohen como uma verdadeira pioneira na ponte entre o espetáculo dos bumbás e o mercado de turismo nacional e internacional. Esse resgate histórico acende uma análise importante sobre como a espontaneidade dos antigos festivais abriu caminhos para a grandiosa engrenagem comercial que existe hoje em dia.

Pioneirismo turístico e cultural

Soraya Cohen criou o roteiro turístico parintinense para o trade de cruzeiros marítimos em 1987 e é reconhecida na região como uma figura emblemática do folclore amazônico e da gastronomia regional.

Durante a conversa na rádio, os comunicadores relembraram a época em que ela se apresentava no meio da arena defendendo a temática da ancestralidade e da proteção da fauna e da flora.

Em uma de suas aparições mais famosas, ela vestiu uma indumentária que representava a mãe natureza, um projeto idealizado por ela mesma e confeccionado pelo renomado artista, o saudoso Juarez Lima. Essa atuação artística de vanguarda plantou as sementes para o que viria a ser o padrão de grandes alegorias de hoje.

Bicho folharal

O ponto alto do relato expõe a dinâmica de um período em que o espetáculo dependia fortemente do improviso e da paixão pura de seus integrantes.

Soraya Cohen relembrou as surpresas das apresentações daquela época, quando os figurinos não eram anunciados com roteiros rígidos para a transmissão.

No momento em que ela pisou na arena, o apresentador Gil Gonçalves foi pego de surpresa pelo impacto visual da roupa totalmente coberta de folhas e acompanhada por onze animais vivos que a própria artista criava no famoso balneário Soraya, na orla do Lago Macurany.

Sem saber o nome oficial da representação, o locutor anunciou de forma imediata o surgimento da personagem.

“Está entrando a Soraya Cohen com o bicho folharal”, anunciou o apresentador Gil Gonçalves naquele momento marcante.

A frase improvisada acabou batizando uma das performances mais lembradas da história do Bumbódromo, consagrando a convidada como a primeira versão feminina dessa lenda na arena.

Evolução comercial

A descontração dos radialistas ao brincarem com termos técnicos de mercado durante a entrevista ilustra um choque cultural interessante. Enquanto o ecossistema do festival se profissionalizou e passou a movimentar milhões de moedas anualmente, a essência de Parintins permanece fincada em causos e identidades comunitárias.

O caso do bicho folharal demonstra que a atual potência do turismo da Amazônia não nasceu de planejamentos corporativos frios, mas sim da coragem de personagens que desafiavam a estrutura da arena com ousadia e criatividade.

Olhar para o passado do festival permite compreender que o sucesso comercial contemporâneo só se sustenta porque houve um alicerce construído com a autenticidade legítima de seus pioneiros.

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