
O planejamento de projetos de desenvolvimento urbano na Região Amazônica exige atenção cada vez maior aos perigos trazidos pelas mudanças do clima. No Estado do Amazonas, onde cheias extremas, erosão nas margens dos rios e inundações desafiam diariamente as comunidades e as construções, trocar experiências com especialistas de fora virou um passo fundamental para melhorar as ações do poder público.
Nesse cenário, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) enviaram representantes para a Cidade do Panamá. A comitiva participou do “Workshop Regional de Avaliação e Gestão de Riscos de Desastres em Projetos do Banco Interamericano de Desenvolvimento” (BID).
Realizado nos dias 20 e 21 de outubro, o encontro reuniu técnicos e gestores de diversos países da América Latina e do Caribe. O objetivo principal foi compartilhar ferramentas práticas e estratégias de prevenção de desastres, fortalecendo a segurança das obras de desenvolvimento.
Troca de experiências internacionais
O Amazonas foi representado pelo subcoordenador de Projetos Ambientais da UGPE, Otacílio Cardoso Jr., que levou ao evento o aprendizado acumulado no “Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior” (Prosamin+) e no “Programa de Saneamento Integrado de Parintins” (Prosai).
“Os exercícios práticos e a troca de experiências com representantes de diferentes países permitiram conhecer metodologias e ferramentas de avaliação de riscos de desastres e mudanças climáticas. Esse conhecimento contribui para aperfeiçoar o planejamento dos projetos, considerando as ameaças e os possíveis impactos dos eventos climáticos”, destacou o subcoordenador de Projetos Ambientais da UGPE, Otacílio Cardoso Jr.
A delegação brasileira contou também com a participação de representantes dos estados do Paraná e de Pernambuco. Ao final das atividades, todos os participantes receberam certificados de conclusão.
Projetos financiados pelo BID
A discussão sobre o clima toca diretamente nas obras do Prosamin+ e do Prosai Parintins, que são executados pela UGPE, órgão vinculado à Sedurb, com recursos do financiamento do BID. Essas iniciativas promovem transformações em saneamento básico, habitação popular, urbanização e recuperação do meio ambiente, buscando melhorar a vida de milhares de famílias.
O secretário da Sedurb, Julio Langbeck, apontou que o acesso a novos métodos ajuda a proteger as intervenções urbanas diante das peculiaridades geográficas e hidrológicas da nossa região.

“Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, é fundamental incorporar a gestão de riscos ao planejamento dos projetos de desenvolvimento urbano. O intercâmbio de experiências e o acesso a novas metodologias ajudam a aprimorar as estratégias de prevenção, com foco na segurança das intervenções, na sustentabilidade e na qualidade de vida da população”, afirmou o secretário da Sedurb, Julio Langbeck.
Atividades da programação técnica
A rotina de trabalho durante o workshop no Panamá cobriu etapas fundamentais do planejamento urbano sustentável.
- Apresentações técnicas sobre avaliação de riscos ambientais.
- Exercícios práticos e simulações em equipes internacionais.
- Debates voltados para a criação de planos de gestão de riscos.
- Entrega de certificados aos representantes ao fim do evento.
Análise crítica das ações
Buscar capacitação fora do país é uma atitude positiva que coloca os técnicos do Amazonas em contato com o que há de mais moderno no combate aos desastres ambientais. Contudo, o grande desafio da gestão estadual é fazer com que essas metodologias saiam do papel e cheguem rápido às palafitas, aos becos e às margens dos rios em Manaus e Parintins. A população das áreas de risco não pode esperar a próxima grande cheia ou seca extrema para ver as soluções funcionando na prática.










