
O senador Omar Aziz (PSD) pretende iniciar o segundo turno da eleição para o Governo do Amazonas apostando no diálogo com diferentes grupos políticos e na construção de um programa de Estado.
Primeiro colocado no primeiro turno, Omar afirmou que vai reunir aliados do interior e buscar conversas com os grupos que participaram da disputa, em uma estratégia que, segundo ele, deverá priorizar propostas em vez de confrontos pessoais.
Omar recebeu 841.846 votos, correspondentes a 40,63% dos votos válidos, e avançou para o segundo turno ao lado de Maria do Carmo Seffair (PL), que obteve 507.335 votos, ou 24,49%. A nova votação está marcada para 25 de outubro.
Em entrevista à Rádio Difusora FM, Omar afirmou que pretende reunir os aliados do interior já nesta semana para discutir os próximos passos da campanha.
“Essa semana mesmo eu vou ter uma reunião com todos os aliados do interior. Vou pedir para todos virem para cá”, destacou.
Na avaliação do senador, o segundo turno representa uma nova etapa da eleição e deve permitir que os candidatos apresentem novamente suas propostas ao eleitorado. Ele defendeu que a discussão seja concentrada em uma plataforma capaz de ultrapassar os limites de um mandato de governo.
“Nós não temos que ter mais projeto de governo, nós temos que ter um programa de Estado”, declarou.
Omar disse estar disposto a incorporar sugestões de candidatos que ficaram pelo caminho no primeiro turno, caso sejam consideradas úteis para o programa que pretende apresentar.
“Se algum candidato que disputou a eleição tiver alguma contribuição a dar ao nosso programa de governo, eu estou aberto a discutir”, asseverou.
O senador acrescentou que não considera ter domínio exclusivo sobre as soluções para os problemas do Estado.
“Ninguém é dono da verdade, nem eu, nem você, nem ninguém”.

“Quem divide não soma”
Ao falar sobre a relação com os demais candidatos, Omar também procurou afastar a possibilidade de transformar o segundo turno em uma disputa marcada por ataques pessoais.
“Nenhum é inimigo meu, eu não tenho inimigos. Eu tenho adversários, adversários a gente põe de vista”, frisou.
O senador afirmou ainda que o próximo governador precisará construir uma relação com diferentes setores políticos e sociais para administrar o Estado.
“Você não governa sozinho, você governa somando. Quem divide não governa, quem divide não soma”.
Na avaliação de Omar, a experiência política e as relações construídas ao longo dos anos podem ter peso especialmente no interior do Amazonas, enquanto a capital tende a apresentar uma disputa mais dividida.
“Na capital vai ficar muito dividido, como foi agora no primeiro turno. E no interior, aí conta o legado que você já deu, as relações que você tem, isso conta muito”, comentou.
Saúde, segurança e educação
Na apresentação de suas prioridades para o segundo turno, Omar citou segurança, saúde e educação como áreas que, segundo ele, precisam voltar ao centro das ações do governo estadual.
Na saúde, o senador mencionou o aumento da fila do Sistema de Regulação (Cisreg) e relatou o caso de uma mulher que, aguardava havia oito meses por uma ultrassonografia.
“Hoje mesmo, uma senhora lá no Parque 10 disse que estava há oito meses tentando fazer um exame de ultrassonografia”, relatou.
Omar também apresentou o programa “Tempo de Cuidar”, voltado à população idosa. Entre as medidas citadas está a criação de um hospital destinado ao atendimento de idosos que enfrentam problemas de saúde relacionados ao envelhecimento.
Outro tema mencionado pelo candidato foi a dependência química. Omar ressaltou que pretende discutir com a sociedade um programa de recuperação em parceria com igrejas católicas e evangélicas. Como referência, citou uma experiência de clínica de reabilitação implantada durante sua passagem anterior pelo governo.
Reforma tributária
A reforma tributária também aparece entre os assuntos que Omar pretende levar ao debate do segundo turno. Para o senador, o Amazonas terá de se preparar para a mudança na forma de arrecadação, especialmente com a transição da cobrança do ICMS da origem para o destino.
De acordo com ele, a alteração exigirá planejamento para que o Estado consiga manter a prestação dos serviços públicos durante o período de transição, previsto até 2032.
Omar também defendeu que as propostas apresentadas na campanha sejam acompanhadas de explicações sobre sua execução e sobre as fontes de financiamento.
“Não basta dizer que vai fazer, mas como vai fazer, aonde vai procurar esse recurso para fazer”, enfatizou.
Experiência administrativa
Ao defender sua trajetória, Omar voltou a citar ações realizadas durante sua passagem anterior pelo Governo do Amazonas, entre 2010 e 2014, incluindo investimentos em moradia, hospitais, escolas e a continuidade do Prosamim.
O senador também mencionou iniciativas voltadas à juventude, como o programa de estágio remunerado, e afirmou que uma gestão deve ser medida pelo impacto produzido na vida da população.










