Manacapuru O que muitas mulheres tratam como cólica pode ser sinal de endometriose

O que muitas mulheres tratam como cólica pode ser sinal de endometriose

Foto: Divulgação

Cólicas menstruais incapacitantes, dores profundas nas relações sexuais, distúrbios intestinais e a angústia da dificuldade para engravidar fazem parte da realidade oculta de muitas mulheres. A endometriose é uma doença inflamatória crônica que atinge ao menos uma em cada dez brasileiras em idade reprodutiva, somando cerca de 8 milhões de pacientes no país. O maior obstáculo para a melhora dessas mulheres reside na demora crônica para a descoberta da enfermidade.

A ginecologista e obstetra Andressa Rodrigues, docente da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, explica que a patologia se desenvolve quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Esses focos inflamam e sangram a cada ciclo menstrual, gerando aderências e fibroses nos órgãos vizinhos com o passar do tempo.

Sintomas mascarados

O atraso na identificação correta ocorre principalmente porque os sinais clínicos costumam ser confundidos com dores cotidianas ou outras enfermidades.

“Muitas pacientes passam anos acreditando que sentir dor intensa durante a menstruação é normal. Em outros casos, as queixas são confundidas com infecção urinária ou problemas gastrointestinais”, afirmou Andressa Rodrigues.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) confirma que a banalização social da dor da mulher e a semelhança dos sintomas com infecções comuns retardam o início do tratamento adequado. Os principais sinais que exigem investigação médica imediata englobam:

  • Cólicas menstruais intensas que impedem a realização de tarefas rotineiras e de trabalho.
  • Dificuldade urinária ou intestinal que se intensifica consideravelmente no período menstrual.
  • Infertilidade temporária após insistentes tentativas de gestação sem o uso de preservativos ou pílulas.
  • Dores pélvicas progressivas localizadas na parte inferior do abdômen.

A médica faz um alerta importante de que ter a doença não significa esterilidade, já que muitas mulheres conseguem engravidar de forma natural ou com auxílio da reprodução assistida.

Impacto cotidiano

As consequências da falta de assistência precoce extrapolam os limites físicos das pacientes. A dor crônica eleva o absenteísmo no mercado de trabalho, prejudica a vida conjugal e aumenta de forma significativa os quadros de ansiedade e depressão.

“É uma condição que afeta não apenas o corpo, mas também o bem-estar emocional e social das pacientes”, declarou a ginecologista Andressa Rodrigues.

Os registros oficiais da saúde pública revelam a dimensão do problema no país. As consultas relacionadas à enfermidade na Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS) subiram 76,2% no balanço dos últimos três anos, indicando maior procura por socorro.

Dados de internações

As estatísticas nacionais de internações hospitalares detalham o impacto econômico e social da patologia no território brasileiro.

  • Volume total registrou 125.217 internações hospitalares no período de 2015 a 2025.
  • Faixa etária concentrou 67,7% dos atendimentos em mulheres com idade entre 30 e 49 anos.
  • Perfil do público atinge as pacientes justamente em sua fase de maior produtividade profissional e reprodutiva.

Novas diretrizes

A redução do intervalo de tempo entre as primeiras queixas e o diagnóstico definitivo é a principal meta das discussões do novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) em andamento no Ministério da Saúde. O plano nacional visa descentralizar os exames e qualificar médicos de postos de saúde da rede pública.

“O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento mais cedo, controlar os sintomas e evitar a progressão dos focos da doença. No entanto, ainda temos um longo caminho a percorrer”, concluiu Andressa Rodrigues, apontando a carência de equipes multidisciplinares no interior do estado.

Como forma de combater esse cenário regional, a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru foca a graduação em medicina no preparo de novos profissionais voltados para a identificação precoce das patologias que prejudicam a saúde da mulher.

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