
Por Estagiário De Lara
A “Expedição Transamazônica” jogou uma luz forte sobre uma ferida que o morador do Amazonas conhece desde que nasceu. Quando tiramos de cena a burocracia dos gabinetes e a papelada dos órgãos públicos, o que sobra é a realidade nua e crua de quem precisa da integração terrestre para sobreviver. Não estamos falando de passeio ou aventura no barro. Estamos falando do pai de família que vai ao supermercado e paga o dobro pelo alimento porque o caminhão de abastecimento ficou dias atolado.
O isolamento cobra um imposto invisível e cruel de quase todo o sul e centro do estado. A dependência não é apenas de um trecho, mas de uma verdadeira teia de estradas que sangram com o abandono. Municípios inteiros como Humaitá, Lábrea, Apuí, Manicoré, Borba, Novo Aripuanã, Canutama, Tapauá, Careiro Castanho e Careiro da Várzea sentem o peso do descaso diretamente na prateleira da mercearia.
O estrangulamento das rodovias federais BR-230 e BR-319 afeta em efeito dominó as rodovias estaduais. Estradas vitais como a AM-254 que dá acesso a Autazes, a AM-354 para Manaquiri, a AM-174 no eixo de Apuí e Novo Aripuanã, além da AM-364 em Manicoré, sofrem juntas. A lama encarece a matéria-prima, o gás de cozinha e a comida, esmagando o bem-estar da população em todas essas cidades.
Foi preciso a presença de Richard Rasmussen e de nomes como Renato Cariani para que a nossa tragédia deixasse de ser invisível aos olhos do Brasil.
Custo real
- Sobrevivência: O frete altíssimo dita se a família terá o básico na mesa no fim do mês.
- Saúde: Uma estrada intrafegável transforma uma viagem de emergência médica em uma roleta russa.
- Desgaste: Produtores rurais perdem a colheita no barro antes mesmo de alcançar os grandes centros de venda.
- Esquecimento: A sensação de não pertencer ao Brasil abala a esperança de dias melhores no interior.
Não precisamos entender de licitações complexas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para saber que uma estrada intrafegável é uma negação de direitos. A “Expedição Transamazônica” serviu como um espelho para mostrar que o Amazonas não quer favor, quer apenas a dignidade de ser integrado ao resto do país. Chegou a hora de parar de romantizar a dificuldade e exigir que o asfalto traga o respeito que a nossa gente merece.










