
O futebol é mestre em desmentir convicções precipitadas e expor as fragilidades de planejamentos que parecem consolidados. A vitória por 3 a 1 sobre o Fluminense nesta quarta-feira (05), no jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil, não representou apenas a classificação vascaína para a fase seguinte.
O triunfo escancarou como a mudança de postura tática e o resgate de um jogador contestado podem redefinir os rumos de uma temporada inteira.
O segundo ano consecutivo em que o Vasco elimina o rival no torneio nacional carrega elementos de ironia, tática apurada e cobrança justa.
O troco tático
A partida no estádio começou em rotação oposta ao fraco confronto de ida. No sábado (1º/8), o empate por 0 a 0 no Maracanã entregou um futebol pobre, com muitas faltas, erros frequentes de passe e raras emoções.
Naquele primeiro encontro, a melhor oportunidade da etapa inicial surgiu aos 18 minutos, quando Savarino arrematou após jogada combinada entre John Kennedy e Canobbio, exigindo grande intervenção de Léo Jardim; no rebote, Lucho Acosta tentou concluir, mas o lance acabou invalidado por impedimento de Canobbio.
No segundo tempo daquela partida, o jogo ficou mais aberto com Léo Jardim parando nova finalização de John Kennedy e Tchê Tchê acertando a trave em cabeceio, até o ritmo despencar após os 20 minutos.
A volta apresentou um cenário diferente. A intensidade tomou conta do gramado desde o apito inicial, com disputas físicas firmes que exigiram intervenções ríspidas do árbitro Wilton Pereira Sampaio para acalmar os ânimos. A diferença decisiva esteve na atitude do Vasco.
Em vez da postura recuada do primeiro jogo, a equipe adotou uma marcação alta e sufocou a saída de bola tricolor. A recompensa pela coragem veio aos 34 minutos, quando Brenner arriscou de fora da área e contou com um desvio no meio do caminho para encobrir o goleiro Fábio.
O Fluminense encerrou o primeiro tempo sem assustar uma única vez.
A resposta em campo
O Fluminense regressou do intervalo disposto a pressionar em busca da igualdade, mas acabou vitimado pela própria exposição.
Em um contra-ataque veloz, Andrés Gómez serviu Brenner com precisão para ampliar a vantagem. A desvantagem fez o rival se lançar de forma desordenada ao ataque, esbarrando em defesas seguras de Léo Jardim.
A insistência tricolor surtiu efeito momentâneo quando Hulk cruzou e Martinelli desviou para o fundo da rede, diminuindo o placar.
O gol reanimou a partida e acirrou a disputa pela posse de bola. Contudo, nos momentos finais, Adson encontrou Puma Rodríguez livre na grande área para apenas empurrar para o gol e decretar a vitória por 3 a 1.
A virada de chave
O grande personagem do confronto atende pelo nome de Brenner. Contratado em janeiro por cerca de € 5 milhões a pedido do então técnico Fernando Diniz, o atacante acumulava números desanimadores até então.
Eram apenas três gols e uma assistência em 27 partidas na temporada, além de uma taxa de conversão de chances claras de escassos 13%, a pior marca entre os centroavantes da Série A com volume similar de oportunidades.
A baixa produtividade gerou uma onda de cobranças bem-humoradas nas redes sociais na véspera do clássico, com torcedores tratando o jogo como uma verdadeira estreia do atleta. Publicações diziam que:
“O atacante Brenner deverá fazer sua estreia pelo Vasco logo mais, contra o Fluminense. Pra cima, Brenner!”, enquanto outros registravam “Confiando em você meu garoto, decide hoje pra gente, Brenner” e “Amanhã é o seu dia, Brenner”.
Em noventa minutos, o jogador quase igualou todo o seu retrospecto do ano. A atuação decisiva trouxe alívio e tom de desabafo.
“Estava devendo à torcida desde a chegada ao clube”, afirmou Brenner ao término da partida, reconhecendo o peso que carregava nas costas.
A escrita mantida
A vaga nas quartas de final reforça uma incômoda hegemonia vascaína em confrontos eliminatórios diretos contra o rival. Na semifinal da Copa do Brasil de 2025, o embate já havia sido dramático.
No jogo de ida no Maracanã, Kevin Serna abriu o placar para o Fluminense, mas o Vasco virou nos acréscimos com gols de Rayan e Pablo Vegetti, vencendo por 2 a 1. Na volta, o Tricolor devolveu o placar com gol contra de Paulo Henrique, levando a decisão para os pênaltis após o empate por 2 a 2 no agregado.
Naquela ocasião, Léo Jardim defendeu as cobranças de John Kennedy e Canobbio, garantindo o triunfo por 4 a 3.
A tradição vem de mais longe. Em 2006, o clube já havia superado o rival na mesma fase semifinal, vencendo a ida por 1 a 0 e segurando o 1 a 1 na volta.
O roteiro de 2026 confirma a capacidade do grupo em se impor nos momentos de maior tensão da temporada.
O caminho a seguir
O adversário do Vasco nas quartas de final será conhecido no sorteio organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na próxima terça-feira (11/8). Até lá, as duas equipes voltam as atenções para o “Brasileirão”.
O Fluminense entra em campo no dia 8 de agosto para enfrentar o Botafogo, às 21h, em mais um clássico estadual.
No dia seguinte, 9 de agosto, o Vasco visita o Bahia na Arena Fonte Nova, às 16h, buscando traduzir o bom momento das copas em estabilidade no campeonato nacional.
Resultados de ontem
- Cruzeiro 2 x 0 Chapecoense
- Grêmio 1 x 0 Mirassol
- Fluminense 1 x 3 Vasco
- Fortaleza 3 x 2 Palmeiras
Com esses resultados, Cruzeiro, Grêmio, Vasco e Palmeiras avançaram às quartas de final. O Palmeiras se classificou apesar da derrota porque havia vencido a ida por 3 a 0.
Jogos de hoje, quinta-feira (6 de agosto)
- Corinthians x Internacional, às 20h, na Neo Química Arena.
- Vitória x Athletico-PR, também pela definição das últimas vagas das quartas de final.










