
A destinação de R$ 943,8 mil pela Prefeitura de Manaus para a categoria Ouro do 68º Festival Folclórico do Amazonas acende o debate sobre o papel do financiamento público no fomento às tradições locais. Por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), a gestão municipal repassou R$ 157,3 mil para cada um dos seis bois-bumbás participantes da elite da disputa.
O aporte financeiro viabilizou as apresentações realizadas nos dias 7 e 8 de agosto no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo. Embora os valores levantem questionamentos sobre a alocação de recursos em eventos festivos, a dimensão do público presente nas duas noites e a estrutura dos espetáculos revelam uma engrenagem que vai além do entretenimento.
Injeção de recursos na cultura
A viabilização do evento contou com uma atuação conjunta entre a Prefeitura de Manaus, por meio da ManausCult, e o Governo do Estado, representado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC). A parceria institucional garantiu a manutenção de um dos principais festejos do Norte do país.
O diretor-presidente da ManausCult, Márcio Braz, defendeu o investimento como uma ação de preservação patrimonial e formação social.
“O festival folclórico é um patrimônio vivo da nossa gente. Cada apresentação traduz o orgulho de ser amazonense e demonstra que investir na cultura é preservar a nossa identidade, fortalecer quem produz arte e garantir que as futuras gerações continuem reconhecendo suas raízes”, destacou Márcio Braz.
Impacto na economia criativa
Para além dos palcos, o repasse de verbas públicas para as agremiações atinge diretamente a base da cadeia produtiva local. O dinheiro empregado nos bois-bumbás movimenta o comércio e o turismo na capital, gerando oportunidades temporárias de trabalho e renda.
A aplicação dos recursos beneficia diversos profissionais da cultura e do setor operacional:
- Costureiras e aderecistas
- Cenógrafos e artesãos
- Músicos e sonoplastas
- Iluminadores e maquiadores
- Coreógrafos e produtores culturais
- Trabalhadores envolvidos na montagem e construção dos espetáculos
O presidente do boi-bumbá Tira Prosa, Ronaldo Matos, ressaltou o suporte recebido pela gestão municipal para a elaboração do espetáculo da agremiação.
“Somos muito gratos por toda a ajuda. O prefeito Renato Junior tem nos dado todo o apoio necessário, colocando toda a equipe técnica da ManausCult à nossa disposição. Esse incentivo fortalece o nosso trabalho e demonstra o compromisso da gestão municipal com a cultura popular”, salientou Ronaldo Matos.
Palco de celebração popular
A programação da categoria Ouro colocou em disputa modalidades tradicionais que compõem o quadro folclórico do estado. Durante as duas noites de apresentações, o público acompanhou os confrontos artísticos entre:
- Quadrilhas tradicionais
- Quadrilhas cômicas
- Cirandas
- Danças nacionais
- Bois-bumbás
Com figurinos elaborados, alegorias de grandes proporções, coreografias ensaiadas e enredos voltados às lendas e à história da Amazônia, as agremiações demonstraram o resultado de meses de preparação coletiva.
Formação da identidade regional
O elevado nível técnico visto no Sambódromo evidencia a dedicação de centenas de artistas e brincantes que mantêm viva a memória cultural da região. O investimento público em agremiações folclóricas consolida políticas que garantem melhores condições de trabalho aos fazedores de arte e promovem a inclusão social em comunidades periféricas.
Com o encerramento das disputas da categoria Ouro, o 68º Festival Folclórico do Amazonas reafirma sua posição como uma das maiores vitrines da cultura popular brasileira. O evento consolida Manaus como polo de preservação das tradições e de valorização do patrimônio imaterial amazônico.
Fonte: ASCOM | Arlinton Júnior / Manauscult










