
O domínio do celular e da internet deixou de ser um luxo para se tornar uma ferramenta de sobrevivência, e a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) decidiu acelerar esse processo.
Nesta sexta-feira, 8 de maio, em parceria com a Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI), a instituição lançou a nova edição do curso “Defensor Digital 60+”. A iniciativa foca em tirar os idosos do isolamento tecnológico e, principalmente, protegê-los de uma onda crescente de golpes virtuais que mira quem ainda tem dificuldades com o mundo digital.
Desafios reais
Mesmo com formação superior e estabilidade financeira, muitos idosos ainda enfrentam barreiras para acessar serviços básicos que migraram para o ambiente virtual. É o caso da psicóloga clínica Dolores Vasconcelos, de 71 anos, que sentia as dificuldades impostas pela falta de letramento digital até o início deste ano.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pnad Contínua mais recente, confirmam que essa vulnerabilidade é coletiva. Embora 69% dos idosos brasileiros utilizem a internet, cerca de 66% ainda não dominam o uso do telefone celular, que é o principal meio de conexão no país.
Autonomia e proteção
O curso tem carga horária de 60 horas e foca em transformar a tecnologia em uma aliada prática para o dia a dia. Os alunos são instruídos a navegar com independência, evitando que dependam de terceiros para tarefas simples ou fiquem expostos a riscos.
- Funcionalidades básicas: Aprendizado sobre smartphones e redes sociais
- Mobilidade e pagamentos: Uso de aplicativos como Uber e ferramentas como Pix
- Segurança virtual: Prevenção contra golpes financeiros e notícias falsas
- Novas tecnologias: Introdução ao uso benéfico da Inteligência Artificial (IA)
A aluna Dolores Vasconcelos celebra as conquistas obtidas nas aulas que começaram em abril.
“Eu não sabia tirar print da tela do celular, não sabia chamar Uber, não sabia fazer Pix. Agora sei e estou dominando até o uso benéfico da IA”, conta com entusiasmo a psicóloga, que agora pretende ser uma multiplicadora do conhecimento.
Parceria ampliada
Durante a solenidade, a Defensoria assinou um Termo de Cooperação com a FUnATI para fortalecer ações conjuntas.
O acordo abrange desde a educação em direitos e defesa do consumidor até a inclusão social e o acesso facilitado à justiça para a terceira idade.
O Defensor Público Geral, Rafael Barbosa, destacou que o papel da instituição vai além do jurídico tradicional.

“Damos um passo importante para essa parceria ficar cada vez mais forte. O ‘Defensor Digital 60+’ procura colocar a pessoa idosa dentro do mundo digital com segurança, prevenindo golpes. Esse é o papel da Defensoria, educar e promover direitos e cidadania para todo mundo”, afirmou Rafael Barbosa.
Emancipação digital
Para o coordenador do curso e do Núcleo de Atendimento e Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa (NUAPPI), Marcelo Pinheiro, a educação é o único caminho para a verdadeira emancipação. Ele reforçou que o novo termo assinado permitirá utilizar o centro de conhecimentos da FUnATI sobre o envelhecimento para aprimorar o atendimento da Defensoria.
O reitor da FUnATI, Euler Ribeiro, reiterou a importância de saber usar as ferramentas modernas para proteger o patrimônio e a dignidade.
“Não basta ter o celular, tem que saber usar e se proteger, porque eles podem perder dinheiro com golpes”, observou o reitor.
ASCOM: Luciano Falbo/DPE-AM










