Meio ambiente Do interior à capital, incêndios agravam a crise ambiental e ameaçam a...

Do interior à capital, incêndios agravam a crise ambiental e ameaçam a saúde dos amazonenses

Foto: Célio Said

Manaus e diversos municípios do interior do Amazonas amanheceram sob um cenário caótico neste sábado, dia 17 de outubro. A fumaça densa oriunda dos incêndios florestais encobriu a capital e agravou drasticamente a qualidade do ar em todo o estado. Moradores enfrentam dificuldades para respirar enquanto os focos de queimadas avançam sem controle sobre a vegetação nativa e áreas urbanas.

A crise ambiental ganhou contornos ainda mais graves com o avanço do fogo em cidades vizinhas e pontos estratégicos do interior.

Além do ar carregado em Manaus, ocorrências críticas foram registradas simultaneamente nos municípios de Autazes, Caapiranga e Itacoatiara.

Na noite desta sexta-feira (16/10), um lixão localizado em Manacapuru entrou em chamas, lançando mais fuligem sobre a população e piorando a situação atmosférica regional.

Desespero no interior

Em Autazes, o avanço do fogo provocou momentos de pânico entre as comunidades locais. Relatos desesperados de moradores pedem socorro urgente às autoridades municipais, estaduais e federais para conter as chamas. No ramal do quilômetro 53 da rodovia AM-254, em Autazes, a vegetação foi destruída.

As chamas deram uma trégua temporária após a atuação pontual de aeronaves de combate, mas a fumaça continua densa e sufocante na região, conforme registros do repórter Jean Rodrigo divulgados pelo Portal Sampaio News e pela página Fronteira 360 Manaus.

Fogo em Caapiranga

A emergência também afeta gravemente o município de Caapiranga, situado a 64,5 quilômetros a sudoeste de Manacapuru. Imagens divulgadas pelo Portal Ação Policial AM mostram uma nuvem gigante de fumaça que cobriu a localidade, comprometendo a visibilidade e assustando as famílias locais.

Bombeiros e brigadistas atuam no combate direto no terreno, enquanto a população clama por reforço nas ações aéreas dirigidas aos responsáveis da área, incluindo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo, além de Joel Araújo e do Coronel Muniz.

Colapso na saúde

O avanço desenfreado dos incêndios florestais compromete a saúde pública do estado. A exposição contínua aos poluentes tem superlotado unidades médicas com pacientes com problemas respiratórios graves.

“Todo esse cenário evidencia crises severas de saúde pública que podem levar, inclusive, ao colapso de serviços essenciais”, afirma o professor Marcos Maurício, especialista da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

De acordo com o professor, a resposta estatal não tem acompanhado a dimensão dos estragos provocados pelas queimadas na região.

“A incapacidade e incompetência do Governo do Amazonas está evidenciada tanto nas falhas grosseiras de planejamento quanto operacional”, reforça o especialista da UFAM.

Pedido de intervenção

Diante do agravamento da crise e da degradação ambiental, Marcos Maurício defende uma medida constitucional drástica para conter a emergência no estado.

“Vamos refletir sobre o artigo 34, inciso III da Constituição Federal (CF) e avaliar se já estamos em um cenário que seja necessário muito mais do que apoio de aeronaves por parte do Governo Federal e sim de uma intervenção imediata da União aqui no Estado do Amazonas, considerando que a ordem pública abrange também a segurança ambiental e a incolumidade pública, severamente comprometidas diante da incompetência e omissões do Governo do Amazonas”, pontua Marcos Maurício.

A população das calhas dos rios e da região metropolitana aguarda respostas concretas e o envio massivo de socorro para evitar uma tragédia ainda maior nos próximos dias.

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