
A Argentina viveu uma madrugada de transformações profundas nesta quinta-feira, 12 de fevereiro. O Senado aprovou o projeto de “reforma trabalhista” proposto pelo presidente Javier Milei, alterando drasticamente as condições de trabalho em um país com histórico de forte atuação sindical. Após uma sessão exaustiva de mais de 14 horas, a Câmara Alta deu sinal verde ao texto com 42 votos favoráveis e 30 contrários, sem qualquer abstenção registrada.
O clima de tensão foi acompanhado de perto por figuras do alto escalão do governo. A secretária-geral da presidência, Karina Milei, e o chefe de gabinete, Manuel Adorni, estiveram presentes no camarote do Senado durante toda a votação. Logo após o resultado, o entusiasmo do governo ficou evidente.
“Histórico, VLLC (Viva la llbertad, carajo)” afirmou o presidente Javier Milei em suas redes sociais, comemorando o que considera um marco para sua gestão em 2026.
Próximos passos legislativos
A aprovação no Senado é apenas uma parte do processo que ainda demanda atenção técnica e política. O governo trabalha contra o relógio para que as novas regras entrem em vigor o quanto antes. Os detalhes da tramitação incluem os seguintes pontos:
- Votação individual de capítulos acontece agora para analisar cada um dos 26 trechos que compõem o projeto original.
- Retorno à Câmara dos Deputados será obrigatório caso surjam modificações relevantes durante a análise individual dos senadores.
- Prazo de março é a meta fixada pelo governo para superar todos os obstáculos antes do discurso da nação no início do período ordinário.
- Sessões extraordinárias continuam sendo o mecanismo utilizado para acelerar o debate e garantir a aprovação final.
Conflitos em Buenos Aires
Enquanto os parlamentares decidiam o futuro das leis laborais, as ruas da capital argentina se transformaram em um campo de batalha. Manifestantes contrários à medida entraram em confronto direto com as forças de segurança na Praça do Congresso e áreas adjacentes. O embate resultou em diversos feridos e detidos, expondo a forte resistência de setores que defendem a manutenção dos direitos conquistados pela tradicional luta operária do país.
Articulação e poder
Este resultado reflete o novo equilíbrio de forças no Congresso Argentino após as eleições legislativas de outubro do ano passado. O partido “A Liberdade Avança” (LLA) conseguiu ampliar significativamente sua base e contou com o apoio estratégico de outras legendas. A aprovação foi viabilizada pelo respaldo da “União Cívica Radical” (UCR) e do “Proposta Republicana” (PRO), que é liderado pelo ex-presidente Mauricio Macri.
Essa união entre a direita e a centro-direita garantiu o quórum necessário e as negociações de última hora com governadores provinciais foram decisivas para o sucesso da proposta. A aprovação da “reforma trabalhista” é vista como a primeira grande vitória legislativa de Javier Milei neste ano, consolidando seu projeto de reformulação econômica diante de uma sociedade ainda profundamente dividida.
Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/senado-da-argentina-aprova-reforma-trabalhista-de-milei.html










